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Quando a Fórmula 1 esteve a 460 Km de Las Vegas pela última vez…

José Luis Abreu by José Luis Abreu
17 Novembro, 2025
in AutoSport Histórico, F1, FÓRMULA 1, pv2
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Quando a Fórmula 1 esteve a 460 Km de Las Vegas pela última vez…

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Esta semana rumamos a Las Vegas, Nevada, EUA, para a terceira corrida desde a sua estreia recente na F1, num fim de semana que se aguarda especial.
O Mundial de F1 já passou por ali perto, se considerarmos 460 Km perto, tendo em conta o calendário da F1 e o tamanho dos ‘States’.
Por isso, vamos recordar aquele que foi o último Grande Prémio a ser disputado nas ruas de Long Beach, John Watson conseguiu a sua quinta e última vitória na F1, após partir de um longínquo 22º lugar!
E poucos se esquecerão do espetáculo dado por Rosberg na primeira volta…

O circuito de Long Beach foi novamente modificado para a edição de 1983, perdendo os seus típicos declives quando Chris Pook e a comissão organizativa optaram por juntar as boxes e a meta na longa avenida Shoreline Drive, paralela ao Pacífico, libertando assim a Ocean Boulevard, respondendo assim aos protestos dos habitantes, que se queixavam do fecho daquela importante artéria da cidade. Deste modo, o circuito perdia alguma da sua parte cénica, mas não deixava de ser ao mesmo tempo extremamente técnico e rápido, podendo em teoria dar vantagem aos motores turbo. Outra sensação palpável na atmosfera daquele fim-de-semana era o da despedida da F1 de Long Beach, pois a falta de entendimento entre Chris Pook e Bernie Ecclestone era por demais conhecida, e o norte-americano estava já a negociar com a inclusão daquele circuito no campeonato CART, enquanto Ecclestone continuava a sua demanda pelos “States” na tentativa de organizar um Grande Prémio em Nova York, entre outros.

Os treinos foram marcados pelo domínio da Ferrari, seguidos das equipas com pneus Goodyear. Aliás, em termos de qualificação, parecia que algo tinha corrido muito mal à Michelin, pois os seus pilotos viam-se relegados para o fundo da grelha, destacando-se a desastrosa qualificação dos McLaren, Watson em 22º e Lauda em 23º (um problema semelhante viria a ditar a não-qualificação dos McLaren no Mónaco nesse mesmo ano!). Na frente, Tambay batia claramente o seu colega Arnoux, seguindo-se os Williams de Rosberg e Laffite – claramente os melhores carros com motor atmosférico – de Angelis, um surpreendente Warwick no seu Toleman, Alboreto, Prost, Sullivan e Jarier. O facto de alguns dos favoritos, nomeadamente homens como Prost, Patrese e Piquet, partirem de posições mais atrasadas na grelha permitia supor uma prova de recuperação destes, o que só conferia maiores expectativas para a prova. E, por fim, salientava-se o regresso de Alan Jones à F1 depois da sua retirada precipitada no final de 1981, pilotando um Arrows, mas o piloto parecia não estar na sua melhor forma, e o carro longe de ajudar muito, diga-se.

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Perante um sol radioso, os monolugares alinharam para a largada, e logo aí Keke Rosberg deu espetáculo, mostrando a sua fibra de campeão com um arranque espetacular, passando pelo meio dos Ferrari para tentar tomar… tão espetacular que deu inclusive uma “cacetada” numa das rodas do Ferrari de René Arnoux! No entanto, Tambay conseguiu a custo segurar Rosberg, mas este não desistiu e aproveitou o cone de ar para tentar uma ultrapassagem no final da longa reta de Seaside Way, apenas para perder o controlo do carro, fazer um pião completo e, sem bater em nada, aguentar o segundo lugar, na frente do seu colega Laffite!!! Isto, na verdade, só visto, não há palavras para descrever… Deste modo, no final da primeira volta Tambay liderava Rosberg, Laffite, Alboreto, Arnoux e Sullivan.

De imediato, Tambay e os dois Williams destacaram-se, enquanto Arnoux ficava retido atrás de Alboreto e estava também em dificuldades com os seus pneus e a direção, depois do toque com Rosberg. E não tardaram os primeiros “cumprimentos” aos muros, inaugurados pelo ATS de Winkelhock na quarta volta… Cá atrás, destacava-se a recuperação do Brabham de Patrese, enquanto os McLaren, muito gradualmente, ganhavam lugares. Rosberg tentou tudo para passar Tambay, mas por pouco não perdeu o segundo posto para Laffite, enquanto Arnoux entrava cedo na box para reabastecer e trocar de pneus, numa tentativa de recuperar ritmo. Assim, pela volta 21 Tambay mantinha o comando, seguido de perto por Rosberg e Laffite, depois Alboreto liderava o segundo pelotão, seguido de um surpreendente Jarier – o Ligier de 1983 era, visual e a nível de performance, “pavoroso” – Patrese e Arnoux… Jarier tentou passar Alboreto em seguida, mas bateu no Tyrrell e caiu para sexto e ficou com o carro algo danificado. E, em pouco tempo, quase todos os pilotos iam a box para reabastecer ou simplesmente trocar de pneus, vítimas do asfalto algo abrasivo do circuito… E, enquanto isso, os McLaren continuavam a ganhar lugares, a custa das paragens e desistências…
Alboreto foi o seguinte a parar, atrasando-se irremediavelmente devido aos danos da colisão com Jarier, enquanto Laffite perdia gradualmente o ritmo dos dois líderes, sofrendo também com problemas de pneus. Quanto a Rosberg, tentou uma ultrapassagem suicida no gancho antes da meta na volta 26, acabando por bater em Tambay e deixar o Ferrari KO… Laffite tomava o comando e, pouco depois, Rosberg parava devido aos danos e a mais um toque, desta vez com Jarier, que desistia pouco depois, também ele devido a danos de diversos toques… Passada esta fase atribulada e os reabastecimentos, Laffite liderava com uma boa margem sobre Patrese, seguido a longa distância de… Lauda e Watson!!!! Na 33ª volta, Watson surpreendia o campeoníssimo Lauda – de facto, o norte-irlandês estava mais do que habituado a estas provas “de trás para a frente”, e em 1982 já tinha vencido em Detroit após partir do 17º posto – e lançava-se no encalço de Patrese.

Durante algumas voltas tudo ficou calmo, mas o francês da Williams estava a ficar sem pneus e Patrese ganhou rapidamente tempo, alcançando Laffite na volta 40. No entanto, a sua impaciência latina levou a melhor e, após algumas tentativas, errou na volta 43 e fez pião, ficando atrás dos dois McLaren que se viam agora na iminência de lutar pela vitória, já que Laffite estava em perda. De facto, na volta 45 Watson arriscou e conseguiu passar o Williams, e Lauda não tardou a imitá-lo… Em pouco tempo, os McLaren isolavam-se na frente, e Watson estava de longe mais rápido que Lauda – a escolha de pneus dos dois pilotos diferia, e Watson tinha acertado – enquanto Laffite cedia perante Patrese… e, algo insólito, a Williams indicava a Jacques que podia abrandar para levar o carro até ao fim, pois tinha uma volta de avanço sobre Arnoux!!!! O francês da Ferrari estava, de facto, bem perto e a ganhar consistentemente terreno e, após uma interessante luta com Eddie Cheever, avançou para o ataque a Laffite que, confundido pelas instruções da equipa, “abriu a porta” na volta 69! No entanto, o piloto da Ferrari dificilmente chegaria ao pódio se Patrese não desistisse a menos de três voltas do fim com problemas de distribuidor, terminando assim um fim-de-semana péssimo para a Brabham, que já tinha visto Piquet abandonar depois de uma prova anónima. Quanto a Jones, esteve sempre longe do ritmo ideal e, inadaptado ao carro e longe das condições físicas ideias, abandonou com 59 voltas cumpridas.

Watson e a McLaren conseguiram assim uma improvável, mas brilhante vitória, ainda mais saborosa pelo segundo lugar de Lauda, que confessou que, naquele dia, não tinha andamento para Watson. Arnoux completou o pódio, seguido de Laffite – uma das muitas provas em que Jacques esteve bem em 1983 mas foi traído por algum problema – Marc Surer (Arrows) e o ex-motard Johnny Cecotto, que dava um importante ponto a Theodore. De salientar que, além de Piquet, Prost – o outro grande candidato ao título naquele ano, juntamente com os Ferrari – teve um dia desastroso e terminou no antepenúltimo lugar, enquanto Cheever desistiu no outro Renault. Mas, para a memória, ficará sempre também a primeira volta de Rosberg.

Tags: GP Long Beach F1 1983John WatsanNiki Lauda
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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