Há muito tempo que por aqui nos lembramos de ouvir falar de Nyck de Vries. Ainda dos tempos do Karting, 2008, 2009 quando começou a ganhar importantes competições internacionais, mas foi em 2010, quando a McLaren, que continuava a apostar em jovens talentos, assinou um acordo com o neerlandês Nyck de Vries, na altura com apenas 14 anos e já com uma carreira muito promissora no karting.
Era Campeão Europeu e Alemão na categoria de KF3, de Vries, tinha em Anthony Hamilton o seu representante, o que facilitou, claramente, a sua entrada na esfera de influência da McLaren, onde esperava seguir as pisadas de Lewis Hamilton, como se sabe, o filho do seu manager.
O tempo passou, andou pela Fórmula Renault 2.0 Eurocup, onde nos parece, esteve tempo demais, em 2015 foi para a Formula Renault 3.5 V6, 2016, GP3 Series, 2017, Fórmula 2, mas nessa altura parecia ter perdido a chama que tinha nos tempos do karting.
Em 2018 foi para o Endurance, regressou também à Formula 2, onde ficou até 2019, ano em que finalmente foi campeão, em 2020 esteve na ELMS, e foi aí que foi para a Fórmula E, competição que partilhou com o endurance. Foi nessa altura que voltou a ser mais notado, especialmente com os seus títulos na F2 em 2019, e Fórmula E em 2021.
Este ano estreou-se na F1 com a Williams substituindo Alex Albon e agora aos 28 anos, vai correr na F1 a tempo inteiro com a Alpha Tauri.
Sem dúvida que a sua idade e inexperiência na F1 fazem dele uma escolha estranha, mas quem o tempo seguido sabe que ali sempre esteve um diamante, que pelos vistos demorou a ser lapidado. Várias vezes na última década se pensou como era possível este jovem não ter tido ainda uma oportunidade na F1, mas a verdade é que chegou agora. Mais vale tarde do que nunca…
Não foi o primeiro nem há-de ser o último piloto que começaram com o sonho da F1, mas construíram boas carreiras, no endurance e/ou na Fórmula E. Temos dois bons exemplos portugueses: António Félix da Costa e Filipe Albuquerque.
Pelo caminho, foi deparando com pilotos como George Russell e Lando Norris, Alex Albon, e tal como sucedeu a Félix da Costa quando foi ultrapassado por um tal Daniil Kvyat, nunca se tratou de não ter capacidade, simplesmente nesses momentos, quem escolhia, entendia que havia outros melhores.
Na F2 chegou ao título na terceira tentativa, em 2019, talvez o seu segredo seja chegar tarde, mas chegar…
Nem ele próprio, quando estava na endurance e na Fórmula E pensava na F1, mas a verdade é que teve lá sempre um pé a segurar a porta, até que ela se abriu definitivamente. É óbvio que fez por isso, aproveitou bem a oportunidade que teve. Só este ano, na F1, já guiou um Mercedes, Williams e Aston Martin. E no Grande Prémio de Itália esteve brilhante, ao terminar nos pontos com o Williams, depois de ter feito o primeiro treino livre com a Aston Martin. Agora vamos ver que tipo de história sucede daqui para a frente e já há quem pense numa dupla de neerlandeses na Red Bull dentro de algum tempo.
Como diria Fernando Pessa: “ E esta, heim…”











