Alex Albon e Pierre Gasly tentaram ser felizes na Red Bull mas os jovens pilotos não conseguiram impor-se na equipa austríaca. O que levou ao fracasso destes jovens talentos?
A entrada de Max Verstappen no programa da Red Bull mudou por completo a face do programa. O enorme talento do holandês fez (e faz) sonhar os responsáveis da equipa com a chegada de uma nova era de sucesso, à boleia da qualidade de Max. Mas com isso, todos os outros pilotos entretanto formados pelo programa têm tido dificuldades.
Na altura em que Verstappen chegou, foi rookie com Carlos Sainz e as atenções todas voltaram-se para o holandês, com o espanhol a ficar algo de parte, apesar de uma boa época de estreia. Sainz entendeu cedo que o seu futuro não passaria pela Red Bull e tratou de fazer o seu caminho, primeiro na Renault e com mais sucesso na McLaren.
Entretanto Verstappen substituiu Daniil Kvyat, que foi despachado para a Toro Rosso, saiu da F1 e regressou novamente, surgiu Pierre Gasly que foi promovido à Red Bull quando Daniel Ricciardo saiu (achou que a presença de Verstappen não lhe daria as mesmas hipóteses de lutar pelo título o incidente em Baku terá sido a gota de água), não se adaptou à equipa principal e foi despromovido para dar lugar a um recém repescado Alex Albon, que estava de contrato assinado para correr na Fórmula E e agarrou o sonho da F1.
Kvyat, Gasly e Albon viram a sua carreira ser afetada pela presença de Max, e no caso dos dois últimos foram companheiros de equipa do #33. Mas será que faltou talento a esta dupla para ter sucesso?
Gasly mostrou-se na F4 francesa onde foi terceiro, evoluindo até a Fórmula Renault 2.0 Eurocup que venceu, tendo sucesso também na Fórmula Renault 3.5 onde foi vice-campeão. No GP2 foi campeão e seguiu-se a F1. O ano de estreia na Toro Rosso foi muito positivo o que lhe abriu portas para uma promoção à Red Bull.
Alex Albon sempre foi considerado um dos grandes talentos das categorias jovens, mas não teve o mesmo sucesso que Gasly. Terceiro na Fórmula Renault 2.0 Eurocup, vice campeão no GP3 e terceiro classificado na F2.
Pelo potencial evidenciado nas categorias jovens, ambos tinham capacidade para se impor na Red Bull, mas nem sempre uma carreira de sucesso nos campeoantos de inciação implica o mesmo na F1. Nico Hulkenberg foi dos melhores pilotos das categorias jovens e agora está a ver F1 em casa e Sérgio Pérez, que se evidenciou muito menos tem pódios, vitórias e agora um lugar na… Red Bull.
Gasly e Albon tiveram percursos algo similares… um bom arranque, uma promoção que chegou talvez demasiado cedo e uma equipa que precisava de mais, sem tempo para adaptações.
Gasly foi claramente dispensado cedo demais. Meio ano na Red Bull, com dificuldades e foi atirado para a Toro Rosso. Albon foi chamado para ser colega de Verstappen, depois de meia época de grande nível na Toro Rosso onde mostrou grande capacidade nas lutas em pista.
Fica a ideia que ambos foram injustiçados e não tiveram tempo para mostrar mais. Gasly fez um 2020 de grande nível e foi considerado o quarto melhor do mundo para a Autsport.com. A vitória em Monza e as grandes prestações fizeram dele um dos destaques desta época. Mas a meio de 2019 era alvo das mesmas piadas que vimos sobre Alex Albon está época.
Albon, apesar de alguns erros esteve perto do primeiro pódio no GP do Brasil 2019, não fosse aquele toque de Hamilton. Albon mostrou mais em menos tempo que Gasly, mas teve também mais tempo para se recompor das más prestações.
A Red Bull continua a querer que os talentos se formem todos rapidamente como aconteceu com Sebastian Vettel e Max Verstappen, mas com isso perde. Sainz é agora um piloto estabelecido mas precisou de tempo para encontrar a melhor forma e confiança. São muitos os casos de pilotos que demoraram a impor-se e se tornaram muito bons. Os grandes talentos conseguem fazer isso rapidamente, mas os grandes talentos surgem com uma regularidade muito menor.
Parece que tanto Gasly como Albon são pilotos de valia semelhante, embora o francês leve alguma vantagem. Parece também que se tivessem mais tempo para crescer, poderiam ter sucesso na Red Bull.
Podemos dar o exemplo de um piloto que se evidenciou no seu arranque, passou por uma equipa de topo, foi dispensado, refez a sua carreira, já com mais maturidade e agora chega a uma equipa de topo, a Red Bull, sendo unanimemente considerado um dos melhores da atualidade… Sérgio Pérez, o mesmo que os vai substituir. Pérez teve tempo para amadurecer as suas qualidades e se tornar num grande piloto. O tempo que é sempre necessário para evoluir.
Qual a sua opinião? Faltou tempo, ou talento a Gasly e Albon?












