Florian Modlinger, chefe da Porsche na Fórmula E, destacou a vantagem técnica que a equipa ganhou com a chegada de Nico Müller para substituir António Félix da Costa. O suíço tem trabalhado com Pascal Wehrlein, contribuindo para um ambiente de garagem mais harmonioso, coroado com a sua primeira vitória na categoria em Berlim.
Müller chegou à Porsche depois de anos difíceis com a Dragon Penske e na ABT Cupra/Mahindra. Modlinger admite que o piloto foi “subestimado” no paddock, mas sublinha que uma análise detalhada de performance — incluindo o trabalho face aos seus anteriores colegas de equipa — mostrou claramente o seu potencial, justificando a aposta como piloto de fábrica. Em 10 corridas com a equipa oficial, Müller tem somado pontos de forma regular e apenas o toque em Wehrlein no Mónaco surgiu como ponto negativo, prontamente seguido de um pedido de desculpas.
Um dos fatores que Modlinger considera mais valiosos é o facto de Müller e Wehrlein preferirem um equilíbrio e um setup de carro “muito, muito semelhantes”. Isso permite que engenheiros e analistas de performance sigam essencialmente uma única direção de desenvolvimento, ajustando apenas detalhes finos para cada piloto, em vez de dividirem recursos por filosofias opostas. O contraste com a época anterior, marcada por fricções internas entre Wehrlein e AFC, é descrito como evidente, com uma atmosfera “muito diferente” na garagem e uma colaboração que a Porsche vê como uma vantagem técnica importante na luta pelos títulos até ao final da temporada.
“Para ser sincero, se não tivéssemos previsto que ele [Muller] era capaz de ter um desempenho a este nível, não lhe teríamos dado o contrato nem o lugar no cockpit”, afirmou Modlinger ao RacingNews365. “Na minha opinião, tendo em conta os carros que ele conduzia no passado, talvez tenha sido subestimado por muitas pessoas no paddock. Eu conhecia-o do DTM e sabia como ele trabalha, quão preciso é e quão rápido pode ser. Isso é uma coisa, mas quando estávamos a analisar as possibilidades e os pilotos, realizámos uma análise de desempenho clara. Quando se vê o que ele foi capaz de fazer na ABT Cupra com os colegas de equipa que tinha, e também quando pilotavam o Mahindra, uma análise de desempenho cuidadosa e detalhada revelou do que ele era capaz.“
“O que se percebe é que ambos os pilotos trabalham bem em conjunto, mas é mais técnico do que isso. Olhando para os engenheiros e para a equipa de desempenho, que estão a tentar encontrar o ponto ideal para o carro e extrair o máximo desempenho, especialmente na qualificação, ambos os pilotos conseguem conduzir com um equilíbrio e uma afinação muito, muito semelhantes. Isto torna tudo muito mais fácil para todo o grupo, uma vez que não têm de seguir duas direções diferentes. Podem concentrar-se realmente num único caminho e, depois, talvez fazer pequenos ajustes para manter cada piloto satisfeito. Essa é, para mim, uma vantagem que temos neste momento no que diz respeito à parte técnica e ao desempenho.”









