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CRASH! BOOM! BANG! | AutoSport

CRASH! BOOM! BANG!

Por a 25 Janeiro 2020 14:54

O título de uma famosa música dos Roxette, da recentemente falecida Marie Fredriksson, serve bem para titular esta nossa peça, na qual, aproveitando a boleia a 180 Km/h do espantoso acidente de Ott Tänak e Martin Jarveoja – que felizmente não teve consequências físicas – vamos recordar alguns dos acidentes mais marcantes da última década no WRC

Por José Luís Abreu

O acidente de Ott Tänak e Martin Jarveoja no Rali de Monte Carlo é apenas o último de uma longa série, que felizmente não tem trazido grandes consequências físicas para os ocupantes. Olhando para a década anterior, houve mais de uma centena de acidentes, uns com mais consequências que outros. Vamos recordar apenas alguns, os mais significativos, sendo que entre eles houve pilotos despedidos logo a seguir, equipas no hospital, e também… um Titanak. Venha daí recordar…

Rali da Argentina 2019: Enorme acidente de Esapekka Lappi
O finlandês tinha estabelecido um promissor quinto tempo mais rápido na primeira especial desse dia. Porém, depois disso Esapekka Lappi e Janne Ferm foram vítimas de uma violenta saída de estrada na PE7. A dupla alargou a sua trajetória e saiu para a berma da estrada e, a partir daí, a série de capotanços foi inevitável. Foi mesmo feio e também perigoso para os espectadores…

Rali do Chile 2019: Acidente de Thierry Neuville
Thierry Neuville/Nicolas Gilsoul despistaram-se violentamente no Rali do Chile. A dupla tinha acabado de subir ao terceiro lugar na sétima especial, mas na seguinte, após um topo, alargaram um pouco a trajetória, foram à berma e capotaram violentamente diversas vezes, pois rodavam a uma velocidade bem elevada. Foi o co-piloto de Thierry Neuville, Nicolas Gilsoul, que nos relatou os acontecimentos: “Apesar da violência do choque não ficámos feridos, embora vários dias de descanso tenham sido necessários para permitir que o corpo recupere da força centrífuga que experimentámos durante essa série de capotanços. A nossa saída de estrada foi o resultado de uma curva que julgámos mal, errámos cerca de vinte centímetros, no máximo.
A segurança dentro do cockpit de um carro de rali evoluiu enormemente. Sem a condição física, a célula de sobrevivência da Hyundai, que desempenhou perfeitamente o seu papel, a bacquet, o capacete ou as correias do sistema HANS, as consequências poderiam ter sido bastante desagradáveis. Saímos dos destroços do carro e ficámos bastante chocados, mas estávamos na vertical, ilesos.”

Rali de Portugal 2018: Acidente de Kris Meeke
Kris Meeke e Paul Nagle despistaram-se em Amarante, com a dupla da Citroën a danificar seriamente o seu C3 WRC e a ter de ir ao hospital por precaução: “Virei ligeiramente atrasado para uma curva rápida, falhei a linha e fui para a terra solta da zona de fora da curva, tendo perdido o controlo do carro. Estou muito agradecido por terem construído um carro tão forte. Foi um erro meu, não há dúvidas.”
Foi a gota de água para a Citroën. A construtora despediu a dupla, apontando como razão os “frequentes despistes” do piloto e “alguns [acidentes] particularmente violentos poderiam ter tido sérias consequências para a segurança da tripulação, quando as questões desportivas não justificavam os riscos.”

Rali da Argentina 2017: Meeke, despiste atrás de despiste
Dois despistes para Kris Meeke no Rali da Argentina. “No primeiro fui totalmente apanhado de surpresa. Um salto fez-me perder o controlo. O carro estava muito difícil de pilotar.” Do segundo, nem falou, pois foi ‘daqueles’ que podia ter acabado muito mal. Numa zona super-rápida, a cerca de 200 km/h, deixou fugir a traseira do C3, tocou na berma e o que se seguiu foram uma ‘dúzia’ de carambolas, em que Meeke e Nagle se podiam ter aleijado fortemente.

Rali da Alemanha 2016: Panzerplatte a fazer ‘vítimas’
Stéphane Lefebvre e Gabin Moureau despistaram-se violentamente na especial de Panzerplatte Lang, facto que levou à interrupção do rali para assistência médica ao piloto e navegador. Os médicos tiveram que se deslocar para o local, e a dupla foi levada de helicóptero para o hospital. Recuperam bem, já que as lesões não foram significativas. Tudo sucedeu quando, numa zona rápida, o seu Citroën escorregou um pouco mais e ao baterem num dos enormes ‘pinos’ de cimento armado que ladeiam a estrada, foram ‘chicoteados’, com o carro a ficar completamente destruído depois de bater nas pedras várias vezes.

Rali do México 2015: Titanak
Ott Tänak e Raigo Molder despistaram-se na PE3, caindo para um lago, saindo do carro segundos antes deste se afundar por completo. Com o sucedido a dupla foi uma heroína da prova mexicana e, seguramente, uma das que obteve melhor índice de retorno no final do rali. O seu ‘macabro’ acidente para isso contribuiu, a par da forma como a equipa conseguiu novamente ‘dar vida’ ao Fiesta, que foi decisiva para potenciar a propagação da comunicação do caso, conseguindo a M-Sport reverter o infortúnio a seu favor e explorar, de forma exemplar, a situação em termos de comunicação.
Uma boa prova disso foi a descrição cronológica de todos os acontecimentos – antes, durante e depois do acidente e reconstrução do Fiesta – que a equipa liderada por Malcolm Wilson fez questão de divulgar e que ajudam a perceber todos os momentos marcantes deste episódio que Tänak, Molder e toda a estrutura da M-Sport nunca mais esquecerão e que ficará gravada na memória do WRC…

Rali de Portugal 2011: Despiste de Ken Block no shakedown
Ken Block despistou-se violentamente no shakedown do Rali de Portugal, e as coisas poderiam ter corrido muito mal: “Depois de ter feito dois dias de reconhecimentos e estar prestes a começar o rali, foi demasiado frustrante aquele acidente. Trabalhei imenso com o Alex nas notas, e o acidente do shakedown foi ridículo, um erro terrível. Tivemos sorte de não haver lesões, e fiquei a perceber bem como os carros são extremamente bem desenhados e construídos. Um dos impactos do acidente aproximou-se dos 16g”, referiu Ken Block, na altura.
Para que se perceba um pouco melhor o acidente e as consequências que poderia ter tido, uma pessoa normal pode suportar uma aceleração a rondar os 5g (ou 50m/s²); um piloto de caças supersónicos é capaz de suportar uma aceleração de 9g (90m/s²). Ken Block e Alex Gelsomino suportaram um embate a 16g (160m/s²).

Rali de Portugal 2009: 17 cambalhotas em dia de aniversário
Se dúvidas houvesse acerca da resistência dos WRC, elas teriam terminado na quarta especial do Rali de Portugal de 2009, quando Latvala e Lehtinen capotaram 17 vezes por uma ribanceira de 150 metros de altura e saíram do Ford Focus WRC apenas com alguns arranhões e pelos seus próprios meios! Num dos mais violentos acidentes de sempre no Mundial de Ralis, o finlandês explicou: “Este foi o mais sério da minha carreira – nunca mais voltou a ter nada igual, se bem que continuou até agora a ter acidentes, alguns bem fortes – e devia ter abrandado antes do topo… e não quando já lá estava! Bati num morro, andei em duas rodas e comecei a capotar. Foi assustador e há 20 anos (1989) poderia não ter sobrevivido!”, assumiu o impetuoso finlandês na altura. Dias depois, já mais calmo, explicou melhor: “Foi mesmo um acidente incrível e deveu-se a notas com demasiada informação, pois em determinada altura o Mikka [Antilla] disse ‘dupla atenção’, mas misturado com outras notas, que eram menos relevantes, pois o que era realmente importante era a ‘dupla atenção’ e foi precisamente essa parte da informação que não registei. Quando o Mikka se apercebeu que eu não tinha ouvido, repetiu o ‘dupla atenção’, e nessa altura apercebo-me que ia depressa demais e travo, só que o carro atravessou-se para o lado esquerdo e é aí que toca no morro. A partir daí foi o que todos sabem”, referiu Latvala, que depressa voltou ao cockpit do Ford Focus WRC numa ação promocional da equipa, voltando a sentir o ‘feeling’ de sempre: “Quando entramos no carro esquecemos tudo…”, concluiu.

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