O diretor técnico da Red Bull, Pierre Waché, explicou em entrevista à publicação Motor Sport Magazine, que o desempenho de Max Verstappen mascarou os problemas de desenvolvimento do RB16 de 2020, um carro que se revelou rápido em algumas ocasiões, mas também muito instável de pilotar.
“Começámos nesse ano não muito longe da Mercedes, depois tivemos uma grande queda a meio da época antes de voltarmos a subir”, disse Pierre Waché. “Claramente, seguimos na direção errada e recuperamos. Foi aí que nos escapou algo na nossa análise em termos de direção de desenvolvimento. O carro tinha uma característica que Max gostava e que o permitia ir mais depressa e, à medida que avançávamos neste caminho, os seus tempos de volta melhoraram, mas trouxe alguma instabilidade à entrada [das curvas] e eventualmente chega-se a um ponto em que isso é o fator limitador e não se pode ir mais depressa. Também tornou o carro muito difícil para os outros pilotos”.
O engenheiro francês continuou: “É irónico que, em 2020, o talento de Max tenha contribuído para o problema que tínhamos. Tem uma capacidade de controlar este tipo de instabilidade que seria impossível para outros. Sabemos que, por vezes, fazer um carro no limite desta forma pode criar um carro mais rápido – e não nos apercebemos que fomos na direção errada porque ainda estávamos a extrair mais tempo por volta, mas não nos apercebemos no início que era apenas o seu talento. Por isso continuamos a ir nessa direção, mas fomos longe demais e levamos alguns meses para voltar a partir daí e percebermos o erro. O sistema é tão grande que repensar as superfícies aerodinâmicas do carro e refazê-las, foi um processo longo e doloroso. É um grande ganho para Max que ele possa pilotar um carro com alguma instabilidade traseira e extrair mais desempenho, mas se lhe estamos a dar um carro que não é suficientemente estável, estamos a limitar o potencial do carro e o seu talento cegou-nos um pouco para o que estava a acontecer”.












