A Pirelli está a desenvolver pneus com maior degradação para a temporada de 2027 da Fórmula 1. O objetivo é aumentar a perda de desempenho ao longo de cada stint, depois de várias corridas em 2026 terem mostrado uma durabilidade superior à desejada para criar variedade estratégica. A gama de compostos ainda não está definida.
O Grande Prémio do Azerbaijão deu um exemplo recente. Apesar de ter levado a Baku os compostos C4 e C5 como médio e macio, a Pirelli observou níveis de desgaste e degradação muito baixos em ambos, sem graining significativo. O macio acabou por ser o pneu mais competitivo para a corrida, e os pilotos puderam manter um ritmo forte com pouca necessidade de gestão. Baku é uma pista muito específica, mas os pneus Pirelli têm demonstrado uma robustez que tem impedido uma maior variabilidade estratégica.
A preparação dos pneus desta temporada foi condicionada pela mudança regulamentar. A Pirelli testou a gama de 2026 com monolugares de 2025 modificados, antes de poder trabalhar com os carros e as unidades motrizes que estão agora em competição. Essa diferença limitava a capacidade de antecipar com exatidão as exigências dos novos monolugares. E, ao entrar numa era nova, é natural que a Pirelli tenha jogado pelo seguro.
“Este ano trabalhámos não com os carros de teste, mas com os carros reais da temporada atual, o que nos permitiu ter uma visão muito mais clara”, afirmou Simone Berra, engenheiro-chefe da Pirelli. A experiência acumulada em 2026 está agora a orientar o desenvolvimento para a próxima época.
Estrutura dos pneus em análise
Berra explicou que a prioridade dos testes passou a ser aumentar a degradação, e não apenas avaliar o equilíbrio ou a estabilidade do carro. “O nosso objetivo não se centrava tanto no equilíbrio do carro ou na estabilidade em si, mas antes em gerar um nível mais elevado de degradação”, afirmou.
Para isso, a Pirelli está a estudar alterações à estrutura dos pneus, com soluções distintas para os eixos dianteiro e traseiro. “Avaliámos diferentes soluções para aumentar a degradação nos pneus dianteiros e outras para a aumentar no eixo traseiro”, explicou Berra. O trabalho procura gerar mais calor no pneu e, consequentemente, maior degradação térmica. A escolha e a definição da gama de compostos de 2027 ainda estão pendentes de testes.
A busca pelo equilíbrio entre degradação e performance é uma constante. A Pirelli sabe que não pode criar pneus demasiado robustos, para fomentar mais opções estratégicas. Mas também não pode repetir os erros de 2013, um ano duro para o fornecedor italiano que, desde então, tem optado por soluções menos agressivas. Em 2027, poderemos ter pneus que exigem mais paragens e, com isso, corridas com estratégias bem mais interessantes.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA










