F1: Transportes são nova dor de cabeça
A F1 não é apenas impressionante dentro de pista. Toda a organização e logística do campeonato e dos eventos merece destaque pela complexidade e grandiosidade das operações. Mas a invasão russa à Ucrânia tem provocado um retrocesso na aviação mundial e as conquistas dos últimos trinta anos esfumaram-se de um momento para o outro.
A liberdade para viajar para vários destinos, as rotas que passavam por cima da Rússia, o preço de tudo o que a aviação necessita, tudo isso mudou, num grave revés para um sistema que evoluiu muito nos anos recentes. A F1 obviamente que sente de forma mais forte pois depende muito de uma logística que tem de funcionar na perfeição e com os novos problemas na aviação, a fluidez dos transportes fica seriamente comprometida.
Ainda ontem escrevemos sobre as dificuldades que as equipas tiveram para receber o material a tempo. E um dos problemas é a pouca oferta de aviões de carga. Uma das maiores firmas do mundo deste tipo de transporte está baseada na Rússia, a AirBridge Cargo e apesar da DHL ser parceira da F1 há cerca de 40 anos, é óbvio que o seu dia a dia é afetado pelo que se está a passar e a Fórmula 1 esteve muito perto de ter problemas, tal como já teve o MotoGP no passado fim de semana na Argentina.
Existiu o risco de algumas equipas ficarem sem equipamento para o Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1 deste fim-de-semana, pois um dos navios de transporte de material atrasou-se e colocou em risco a chegada a tempo, mas a DHL interveio e ‘agarrou’ no material em Hong Kong e ‘poupou’ cerca de 7000 Km de transporte marítimo, trocando-o por aéreo.
Alguém vai pagar a fatura, mas a verdade é que foram ‘requisitados’ dois Boeing, um 777 e um 767-300, a Los Angeles e ao Vietname, que fizeram o ‘sprint final’ até Melbourne. O material chegou à Austrália na segunda-feira de manhã, o que não sucederia de barco.
Este é um problema que provavelmente vai ser recorrente, pois segundo reporta o Autosport inglês os custos do envio de um contentor passaram de $900 (USD) para cerca de $20.000. São ‘só’, 2.122%…
Ora não é expectável que haja uma solução a curto / médio prazo para esta situação. As relações da Rússia com o resto mundo pioram a cada dia de conflito, a troca de sanções já está a ter efeitos no dia a dia e esses efeitos poderão ser mais visíveis no futuro.
Questionado se acreditava que F1 estava a levar o assunto a sério, Guenther Steiner, diretor da Haas respondeu: “Penso que F1 leva o assunto a sério, mas é um cenário que não se pode controlar. Todos sabemos que é difícil, especialmente agora com a invasão da Ucrânia. Há agora muitos aviões de carga fora de serviço devido às sanções impostas às companhias russas por estarem a pilotar ou a gerir os aviões de carga. Portanto, não está a tornar-se mais fácil e também, os navios, sabemos agora que existem dificuldades. Penso que a F1 está a levar isto muito a sério, é apenas uma destas coisas que estão fora de controlo”.
Os atrasos podem continuar durante toda a época: “Enquanto não tiveres os teus próprios aviões, estás sempre a contar com outras pessoas para te ajudarem. Esperemos que consigamos ultrapassar isto e eles investiram muito esforço, mas não creio que, de momento, haja garantia de que nada chegue ao lugar certo no momento certo”.
Ou seja, numa época em que a F1 está a consolidar o seu crescimento, depois de uma época tremenda que prendeu meio mundo aos ecrãs, e com um arranque de época entusiasmante, que promete grandes lutas até ao fim, a qualidade do produto pode ficar em causa porque os atrasos podem afetar os planos das equipas. Atrasos implicam mais trabalho para o staff, podem implicar perder um treino ou até um dia, o que é desastroso para qualquer equipa. Isto tudo, num ano em que temos um calendário recheado de jornadas duplas e triplas e numa fase em que a F1 pretende aumentar o número de corridas. Com os custos a aumentar, com as dificuldades crescentes e com uma F1 dependente de um sistema de transportes que não poderá voltar a operar como fazia no passado (sem referir a questão da pegada de carbono), é preciso começar a questionar se faz sentido um calendário tão extenso, uma vez que não há garantias de que os carros, peças fundamental para o espetáculo, cheguem a tempo.
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