A ausência de Lewis Hamilton permitiu um teste único para a Mercedes… colocar lado a lado os dois pretendente ao lugar para 2022. As conclusões não podiam ser mais claras.
George Russell aproveitou da melhor maneira a oportunidade que lhe foi dada. O jovem britânico foi chamado em cima da hora para pilotar um carro que nunca pilotou, com toda a pressão mediática em volta da ausência do heptacampeão do mundo, enfrentando um piloto muito mais experiente e também rápido. A juntar a tudo isso, o pormenor de caber “à justa” num cockpit feito para alguém mais baixo, numa pista nova, com características únicas. A tarefa de Russell não era nada fácil e arriscada. Se tudo corresse bem, ficaria nas bocas do mundo e a sua candidatura ao lugar da Mercedes ganhava mais peso. Se corresse mal, as críticas poderiam surgir e o seu futuro poderia ser afetado com isso.
Russell encarou tudo isso com uma postura irrepreensível, como é hábito, esteve brilhante dentro e fora de pista. Dominou os treinos, na qualificação respondeu de forma notável ao percalço do TL3 (em que ficou longe de Bottas) e por pouco não ficava com a pole. Fez uma corrida à campeão, a todas as adversidades respondeu com resiliência, e em pista mostrou aquela classe que evidenciou na F3 e F2, em especial com aquela ultrapassagem a Bottas. Russell é um enorme talento que apenas não mostrou mais ainda porque não tem carro para isso. A maldição do primeiro ponto foi quebrada, embora de forma dolorosa. Devíamos estar hoje a falar de uma vitória. Mas Russell foi o grande vencedor do fim de semana. Escancarou as portas da Mercedes que agora terá poucos argumentos para adiar mais a entrada do #63 na equipa.
Já Bottas… foi o reflexo do que tem sido a sua carreira na Mercedes. Um começo titubeante, uma resposta positiva e um falhanço, com azar à mistura. Começou mal o fim de semana com uma afinação difícil de conseguir na sexta, mas no sábado mostrou que não iria deixar de se impor… mas foi sol de pouca dura. Na corrida voltou a largar mal, demorou a encontrar o ritmo ideal para se aproximar de Russell e não teve “ganas” para dar a volta à contrariedade da troca de pneus. Bottas foi morno, sem chama, sem estofo. Não respondeu à adversidade como Russell fez. Está agora a ser alvo de críticas e já se escreveu que não tem qualidade para a Mercedes.
Bottas tem qualidade, não é o mau piloto que todos pintam, mas falta-lhe algo para ser campeão. Falta-lhe aquele décimo extra que se vai buscar não ao talento, mas sim à força de vontade, a determinação e à autoconfiança, algo difícil de ter quando o azar parece conspirar contra nós nos momentos chave. Bottas tem qualidade para a Mercedes mas não parece ter a mentalidade para uma equipa grande, um problema que já se arrasta desde a sua entrada na equipa. É uma pena vermos tanto potencial ser desperdiçado assim, mas depois desta corrida, a decisão entre manter Bottas ou ir buscar Russell fica mais fácil para a Mercedes. Pessoalmente defendi que o próximo ano seria o ideal para a entrada do jovem. A única forma de Bottas evitar a saída em 2022 é encontrar em si o Bottas 4.0, capaz de lutar verdadeiramente pelo título. Sem isso, terá de procurar outras paragens. Não poderá dizer que lhe faltaram oportunidades











