A Andretti anunciou uma parceria com a Cadillac de forma a reforçar a sua candidatura à F1. Mas estará a equipa americana mais perto do sonho agora que se juntou a uma grande marca?
O interesse da Andretti na F1 começou a ser veiculado em agosto de 2021 e desde então a estrutura americana esteve próxima de comprar a Sauber, um negócio que falhou à última hora. Mas a vontade de Michael Andretti entrar na F1 manteve-se e o foco passou a ser a criação da sua própria equipa de raiz, um plano ambicioso, mas que foi ganhando cada vez mais tração. Se do lado americano a vontade de correr na F1 foi crescendo à medida que se iam juntando os meios para entrar no Grande Circo, do lado da F1 e da FIA a vontade de abrir as portas sempre pareceu diminuta.
Apenas a Alpine e a McLaren se mostraram a favor da entrada da estrutura americana, enquanto as restantes foram encontrando motivos para que a entrada da Andretti não se justificasse. As razões apontadas para justificar a pouca vontade de abrir as portas vão desde as dúvidas quanto à capacidade financeira, assim com a sua visibilidade no panorama global, com a maioria dos intervenientes a declarar que a entrada da equipa americana não traria benefícios ao clube fechado da F1, cujas portas são cada vez mais difíceis de abrir, agora que há potencial para ter lucro com os novos regulamentos financeiros, além do interesse crescente na modalidade.
O que deverá estar realmente está em causa é o dinheiro que todos os anos é dividido pelas equipas. Das receitas que a F1 recebe, 50% é aplicado nas equipas, com uma tabela de prémios, cujos pagamentos dependem de vários fatores (prestação no campeonato, longevidade no campeonato, sucesso recente), além de uma fatia fixa e igual para todas. Ora os 50% das receitas das são divididos por 10. Se a divisão for feita por 11, implica uma redução do prémio de cada uma. Para compensar este fator e para garantir que quem queira entrar na F1 tenha um plano sólido, é exigida a uma nova estrutura 200 milhões de dólares, que são divididos pelas equipas já existentes (já houve vontade de fazer subir esse valor, sob a premissa de que o valor da F1 é agora superior ao que tinha quando essa verba foi acordada).
A Andretti afirmou ter fundos e capacidade técnica para garantir competitividade a curto prazo, além dos 200 milhões. Mas as oito equipas que se mostraram contra a entrada da Andretti continuam a não querer dividir o bolo que tem vindo a crescer.
Mohammed Ben Sulayem anunciou a vontade de lançar um “processo de declaração de interesse” em que as estruturas interessadas dariam o primeiro passo para entrar na F1. Oficialmente nada foi lançado, mas apenas foi declarado o desejo do presidente em abrir o processo, que é complexo, exigente e pode esbarrar ainda na pouca vontade da F1.
A resposta da F1 ao anúncio é clara e mostra que há ainda muito caminho pela frente para a Andretti se fixar na F1:
“Há um grande interesse no projeto F1 neste momento com a continuação de uma série de conversas que não são tão visíveis como outras”, disse F1. “Todos queremos assegurar que o campeonato se mantenha credível e estável e qualquer pedido de novo participante será avaliado com base em critérios que satisfaçam esses objetivos por todas as partes interessadas relevantes. Qualquer pedido de novo participante requer o acordo tanto da F1 como da FIA”.
Em resumo, a candidatura da Andretti ganhou mais força com a entrada em cena de uma marca com muita força num mercado que a F1 deseja explorar mais, a FIA parece com mais vontade de abrir a porta a uma 11ª equipa, mas a F1 ainda tem muitas dúvidas. Poderá ser a novela de 2023.









