Mathilda Paatz, esteve recentemente em Autódromo Internacional do Algarve para participar Formula Winter Series e falou ao AutoSport sobre a sua caminhada no desporto motorizado.
Nascida em 2008, é uma jovem piloto alemã que se destaca no automobilismo profissional. Iniciou a sua carreira no karting, onde obteve sucesso em competições como o ADAC Kart Masters, o Campeonato Alemão de Kart, a FIA Karting Academy Trophy e os FIA Motorsport Games.
Em 2024, Mathilda fez a transição para os monolugares, competindo na Fórmula 4 Francesa pela equipa ‘ADAC Formula 4 Junior Team’. Nesta temporada de estreia, enfrentou desafios, mas demonstrou progressos significativos, especialmente na segunda metade do campeonato. Destaques incluem um nono lugar na qualificação em Magny-Cours e um décimo lugar na segunda corrida em Dijon.
Início influenciado pelo pai
Além das suas conquistas nas pistas, Mathilda é embaixadora do programa “Women in Motorsport”, promovendo a participação feminina no desporto motorizado. Reconhecida como uma das poucas mulheres na Alemanha a competir profissionalmente no automobilismo, ela inspira uma nova geração de pilotos femininas.
Mathilda começou por recordar os primeiros passos no desporto motorizado, muito influenciada pelo seu pai:
“Comecei a praticar karting aos nove anos de idade e lembro-me muito bem dos meus primeiros momentos ao volante. Foi uma experiência única e emocionante. Embora só tenha começado aos nove anos, o meu gosto pelo karting começou desde muito cedo. A sensação de estar ao comando do kart e a velocidade cativaram-me imediatamente. O meu pai sempre foi uma grande inspiração para mim, e poder partilhar esta paixão com ele desde tão jovem foi muito especial. Ele sempre me encorajou a seguir os meus sonhos e a continuar a aprender, o que foi crucial para o meu desenvolvimento como piloto”.

Balanço positivo do primeiro ano nos monolugares
Um ano após a sua transição para os fórmulas, a jovem germânica fez um balanço positivo da sua primeira época, em França:
“A transição para as corridas de Fórmula em 2024 foi um grande passo, mas também um desafio emocionante. O nível de competição aumentou e as exigências físicas e mentais também. No início, demorei algum tempo a adaptar-me ao carro e à dinâmica das corridas, mas com o tempo comecei a sentir-me mais confortável.
Ser a primeira mulher na F4 francesa foi sem dúvida uma motivação extra. Estar num ambiente predominantemente masculino exige uma maior concentração e determinação. Há muita pressão, mas eu adoro ser desafiada. Estou a trabalhar arduamente para provar que posso competir ao mais alto nível, independentemente de ser mulher, e espero que a minha presença possa inspirar outras jovens raparigas a seguir o mesmo caminho”.
Um mundo dominado por homens que precisa de mais iniciativas de inclusão
É inevitável falar das dificuldades e dos desafios que as pilotos enfrentam num mundo em que as mulheres ainda procuram as mesmas oportunidades que os homens. Mathilda enfrenta agora esses desafios e defende que é preciso fazer mais. A iniciativa Girls on Track é uma excelente plataforma para abrir as portas a mais mulheres, mas a jovem piloto defende que é preciso fazer mais:
“Embora se tenham registado progressos significativos nos últimos anos, o desporto automóvel continua a ser muito dominado pelos homens, especialmente nas categorias superiores. Estamos a dar um importante passo em frente, mas ainda há muito a fazer. Espero que, com o tempo, as mulheres tenham mais espaço e visibilidade.
A iniciativa “FIA Girls on Track” foi excelente porque proporcionou uma plataforma para as jovens experimentarem o mundo do desporto automóvel e verem que é uma opção de carreira viável. A FIA Girls on Track já não existe, mas a F1 Academy é uma excelente oportunidade para as mulheres no desporto. No entanto, creio que são necessárias mais iniciativas como esta para garantir que as raparigas têm apoio contínuo, desde a formação até à competição a níveis mais elevados. Gostaria de ver mais programas de orientação, apoio financeiro e mais visibilidade para as mulheres nas competições, bem como uma maior ênfase na inclusão em todas as fases da carreira”.

Objetivo? F1 ou Resistência
Qual o objetivo de Mathilda Paatz? Como qualquer piloto que se inicia nos Fórmulas, quer chegar ao topo. A vontade passa por fazer as categorias de iniciação e tentar chegar à F1, sem nunca fechar as portas a outras possibilidades, como a resistência, onde as mulheres já dão cartas:
“A médio prazo, o meu objetivo é continuar a progredir nas corridas de Fórmula, competindo em categorias superiores como a F3 ou a F2, e eventualmente chegar à Fórmula 1. Essa sempre foi a minha maior ambição. No entanto, estou aberta a novas oportunidades e, no futuro, posso considerar também as corridas de resistência, uma vez que gosto do desafio e da estratégia envolvidos. O mais importante para mim é continuar a aprender, a crescer e a competir ao mais alto nível possível”.
O conselho para as pilotos que querem singrar nas corridas
A jovem piloto, que considera Andrea Kimi Antonelli “uma grande inspiração” por já ter deixado a sua marca no desporto, sente que há mais meninas a tentarem os karts, deixando conselhos para quem quiser apostar neste exigente mundo:
“Tenho notado que há um número crescente de raparigas interessadas em karting e corridas. Há cada vez mais raparigas a quererem seguir essa paixão, o que é muito encorajador. Acredito que a visibilidade das mulheres no desporto automóvel, juntamente com as iniciativas de inclusão, está a inspirar a geração mais jovem a correr riscos e a procurar oportunidades. O futuro parece promissor!
O meu conselho é simples: nunca desistam dos vossos sonhos! O caminho no desporto automóvel pode ser desafiante, especialmente para as raparigas, mas com dedicação, trabalho árduo e paixão, é possível alcançar grandes feitos. Não deixes que os obstáculos ou os preconceitos te desencorajem. Se gostas do que fazes, continua e prova que és capaz. Acredite em si própria e aproveite todas as oportunidades para aprender e crescer”.










