O estudo “Mobilidade Elétrica em Portugal 2025”, do Observatório ACP, destaca mudanças no perfil dos condutores de carros elétricos, que agora são predominantemente mulheres entre 35 e 44 anos ou com mais de 75 anos, especialmente em regiões insulares. Há dois anos, os elétricos eram mais comuns entre homens mais velhos, da região Centro. Apesar do crescimento, os veículos 100% elétricos representam apenas 3,5% do parque automóvel, um aumento de 1,3% em relação a 2023.
Resistência à compra e principais barreiras
Embora 57% dos inquiridos reconheçam que é mais barato circular com um carro elétrico, apenas 30% consideram comprá-lo. A maioria dos entrevistados (51%) acredita que um carro elétrico pode custar entre 20.000€ e 40.000€, mas 49% fixam um teto máximo de 30.000€ para assumir a possibilidade de compra. Além do preço elevado, a autonomia limitada e o tempo de carregamento são os fatores que mais desmotivam os consumidores.
Hábitos dos proprietários de veículos elétricos
Entre os que já possuem um carro elétrico (3,5% dos inquiridos), a maioria:
- Realiza entre 1 e 3 carregamentos por semana (69%);
- Percorre mais de 400 km por mês (67%);
- Faz viagens médias ou curtas, até 60 km por deslocação (60%);
- 86% carregam o carro em casa, mas 44% recorrem a postos públicos pelo menos 1 vez por mês.
O estudo aponta um aumento dos custos com carregamento: 29% gastam mais de 7€ por carregamento em casa (subida de 6pp) e 54% gastam mais de 50€ por mês (subida de 12pp).
Infraestruturas de carregamento e dificuldades
Apesar de uma ligeira melhoria na rede de carregamento, 27% dos inquiridos ainda consideram difícil encontrar um posto disponível, especialmente em pequenas cidades (49%) e zonas rurais (46%). O Alentejo é a região mais problemática (28%), enquanto 16% dos participantes afirmam nunca ter tido dificuldades para carregar.
A escolha do posto de carregamento é baseada em fatores como:
- Preço (69%);
- Localização (65%);
- Potência dos carregadores rápidos (59%).
Tendências para o futuro
Houve uma redução de 6pp nos inquiridos que relatam dificuldades para carregar o veículo em casa (35%) e para encontrar postos de carregamento (37%). No entanto, a incerteza sobre a mobilidade elétrica aumentou em comparação com 2023, reflexo da conjuntura económica e política global. 45% admitem a possibilidade de comprar um elétrico no futuro, mas esse número caiu 10pp face a 2023.
Apesar da crescente adoção dos elétricos, o estudo mostra que ainda há barreiras significativas para a massificação destes veículos em Portugal.












