Eduardo Santos, Garagem Aurora: “A culpa nem sempre é dos preparadores”
O rescaldo do fim de semana da ANPAC no Estoril foi marcado pelo comunicado da Garagem Aurora, que quis deitar alguma luz sobre o que aconteceu ao Porsche de João Macedo Silva no treino cronometrado. Tinha ficado a sensação que o piloto não participara por falha mecânica do carro, mas Eduardo Santos fez questão de esclarecer o que aconteceu.
A Garagem Aurora, fundada em 1946, especializou-se na manutenção, preparação e restauração de automóveis da marca Porsche, com forte ligação ao universo das corridas de automóveis. Reconhecida como referência no mundo do automobilismo, a Garagem Aurora é conhecida pelo seu trabalho minucioso em carros de competição. A empresa tem uma longa tradição e forte reputação nacional e internacional, sendo frequentemente associada à preparação de veículos para garantir desempenho e durabilidade em corridas. O grande “Mestre” Eduardo foi durante muitos anos o coração da Garagem Aurora, agora responsabilidade de Eduardo Santos, filho do “Mestre” Eduardo.

Falamos com Eduardo Santos para entender melhor o motivo da comunicação e o seu intuito é muito claro: mostrar que os preparadores nem sempre têm culpa das falhas mecânicas.
“Já não é primeira, nem segunda, nem terceira vez que acontece, pois já estamos aqui há muitos anos. E quando estas coisas acontecem, é sempre uma falha técnica, uma avaria mecânica, sempre uma coisa do género. E as coisas não são assim. Nós como preparadores, e pelo menos eu, sinto-me um pouco agastado e lesado, porque acho que as coisas têm que ser um bocadinho mais filtradas. É como do futebol. Dizem que a culpa é sempre do treinador. Eu não acho que seja sempre a culpa do treinador.
Ainda na corrida 2, aconteceu algo semelhante. Por pouco não ficávamos com o primeiro, segundo e terceiro. Mas numa infelicidade, uma terceira mal metida estragou a caixa. O próprio piloto chegou da corrida e reconheceu o erro. Mas o que se diz é que foi uma avaria técnica. Ninguém sabe se foi o piloto ou se não foi. Foi uma avaria.”

No caso em questão, Eduardo Santos explicou o que aconteceu: “No caso do Macedo Silva, o piloto não pôde estar presente por motivos pessoais. E por isso não foi para a pista nos cronometrados. O carro estava pronto e foi colocado em parque fechado a trabalhar. Foi entregue uma carta ao diretor de prova para permitir a participação nas corridas, explicando que, por motivos pessoais, o piloto não pôde comparecer.”
É conhecida a falta de meios humanos das organizações para conseguirem fazer frente a todas as solicitações. No caso da ANPAC, o meritório trabalho feito com poucas pessoas deve ser enaltecido. Confrontado com esta situação, Eduardo Santos pede mais algum cuidado com a comunicação: “Se não há certezas do que se passou, é preferível não dizer nada. É preferível dizer o que se passa apenas nas corridas”.

Questionado sobre o porquê da Garagem Aurora não ter, por iniciativa própria, lançado um comunicado de explicação ao que aconteceu, Eduardo Santos explicou que a exigência do dia de competição impediu que tal acontecesse: “Os dias de competição são muito preenchidos. Num programa em que às 9 da manhã temos o treino cronometrado, as 11 temos a primeira corrida e às 3 da tarde temos a corrida 2, não há tempo para pensar na comunicação. E mesmo no final do dia, é preciso desmontar tudo e regressar a casa, o que acontece só às 11 da noite”.
Eduardo Santos reconhece a falta de meios de ANPAC e garante que a Garagem Aurora está disponível para ajudar, afirmando que a estrutura “continua a fazer tudo para que o desporto motorizado ande para a frente”, mas pede mais cuidado na comunicação: “É necessário cuidado na comunicação social. Às vezes até pode ser realmente a culpa do preparador, mas se calhar até 60 ou 70% das vezes, foi o piloto que, com um erro, comprometeu o carro e nem foi a culpa do preparador.”

O desagrado de Eduardo Santos é tão grande que não coloca de parte que a Garagem Aurora se afaste mais da competição: “Não ponho de lado esse cenário. Esta é uma situação cada vez mais complicada, cada vez é mais difícil encontrar pessoas para trabalhar. É uma vida muito complicada e para quem é sério e correto, não é economicamente compensador. Não quer dizer que não fique sempre com um ou dois carros para me entreter. Mas estarmos com muitos carros, com tudo o que isso implica, não é compensador”.
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