Sébastien Ogier e a Hankook: “Espero que isto seja uma piada…”

Por a 14 Maio 2026 19:47

O Conflito: Sébastien Ogier vs. Hankook! A faísca da discórdia, um comentário irónico: Ogier reagiu publicamente a um post da Hankook no X (Twitter), onde a marca exaltava a “durabilidade e controle” de seus pneus após o Rally de Portugal. A resposta do piloto foi curta e grossa: “Espero que isto seja uma piada…”.

O motivo da fúria é lógico: O piloto francês, nove vezes campeão mundial, perdeu a liderança e a chance de vitória no rali justamente devido a um pneu furado na especial de Vieira do Minho.

A insatisfação com a Hankook não é exclusiva de Ogier. Desde o início da temporada, os pilotos do WRC têm criticado a fragilidade das borrachas, alegando que os pneus são excessivamente propensos a furos, o que tem alterado artificialmente os resultados das provas.

Além de Ogier, o jovem Sami Pajari também perdeu o pódio provisório por um furo no exato mesmo local que o francês. Com o incidente, Ogier caiu para a 6ª posição na prova, o que dificulta sua tentativa de chegar ao décimo título mundial. Thierry Neuville soube navegar pelas dificuldades e furos dos rivais para herdar a vitória.

O Paradoxo da Performance

A física é implacável. Para um pneu ter aderência (especialmente em ralis como o de Portugal), precisa de ser flexível o suficiente para se moldar às irregularidades do terreno.

Se a marca fizesse um pneu indestrutível (com paredes laterais de kevlar grossas e borracha rígida), seria pesado, não dissiparia o calor e teria a aderência de um bloco de madeira. Para um leigo perceber.

Os pilotos querem o ‘grip’ de um pneu de qualificação com a resistência de um pneu de trator.

É uma contradição biológica…

A Lei da Compensação

Imagine-se o cenário: a marca de pneus X, ‘faz’ um pneu (não interessa agora se é ralis, TT, F1, o que for) e indica que essa versão nova aguenta impactos 20% maiores. Acha mesmo que o piloto vai ficar descansado? Não, o piloto não vai passar no mesmo sítio com a mesma calma, ele vai ser 20% mais agressivo ou atacar uma pedra que antes evitava. O resultado? O pneu acaba por furar na mesma, porque o “limite” foi deslocado para cima. O pneu é melhor, mas o risco assumido compensou os 20% de melhoria.

O Pneu como ‘Bode Expiatório’ perfeito

No WRC ou na F1, quando um motor parte, a culpa é da equipa. Quando o piloto bate, a culpa é dele. Mas o pneu é o único componente fornecido por uma entidade externa comum a todos: “É muito mais fácil para um piloto ou diretor de equipa culpar o fornecedor de pneus do que admitir que a sua escolha de trajetória ou a afinação da suspensão foi demasiado otimista para aquele terreno.”

Há também um fator político: Quando há guerra de pneus entre marcas, estas arriscam tudo na performance e os furos são aceites como “baixas de guerra”.

Quando há um fornecedor único (como a Hankook ou Pirelli no WRc nos últimos anos), qualquer falha é vista como incompetência da marca, e não como uma consequência da procura do limite, porque não há outra marca para comparar no mesmo carro.

O que se pode dizer desta questão é que o furo é, na verdade, a prova de que o desporto está a ser levado ao limite.

Se parassem de existir furos, significaria que os pneus eram excessivamente lentos e pesados, ou os pilotos não estavam a tentar o suficiente.

Resumindo, as marcas precisam dos pilotos para evoluir a tecnologia de carcaças e compostos, e os pilotos precisam de alguém para culpar quando a física decide que aquela pedra era afiada demais para a velocidade que eles escolheram levar.

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0 comentários

  1. [email protected]

    14 Maio, 2026 at 20:49

    Adorei a analogia “Para um leigo perceber”!
    Quanto ao artigo… p’lo menos os pneus são iguais p’ra todos.

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