Com o aproximar do dia do WRC Fafe Rali Sprint, recordamos mais uma história passada nas estradas de Fafe, desta feita com Pedro Matos Chaves: “Não me lembro se era para o Rali de Portugal ou para o Rali do F.C. do Porto, mas andávamos a treinar em Fafe há dois dias e não víamos rigorosamente ninguém. O Renault Clio de treinos estava com um barulho estranho e pedi ao mecânico para vir comigo para tentar perceber o que se passava. O problema é que das duas vezes que ele já tinha andado comigo, tínhamos batido pelo que ele estava algo apreensivo! Lá fomos e íamos já lançadinhos quando chegamos a uma esquerda com um salto. Saltámos e eis senão quando, no ar, reparo que na direção contrária vem um daqueles micro-carros que eu gosto de chamar ‘papa-reformas’ e com dois septuagenários (marido e mulher) no seu interior. Eles vinham, tal como eu no meio da estrada, mas a principal diferença é que eles estavam na terra e nós… no ar! O condutor, o tal senhor de idade, em vez de se chegar para ao lado e se desviar, simplesmente travou e parou, ficando à espera que algo acontecesse! O embate foi inevitável e muito forte. Devemos ter batido para aí a 70 km/h e o ‘papa-reformas’ simplesmente desfez-se. Nós já tínhamos parado e o carro deles (ou o que restava dele) ainda continuava a rebolar para trás. Parecia uma bola de bilhar! Com o embate nós não tivemos nada, mas rapidamente corremos para o micro-carro acidentado. Quer dizer, corremos… não! Corri porque o mecânico ficou no carro, incrédulo, a dizer: “Isto não pode ser! Isto não pode ser!”. Virei-me para ele e disse: “Não pode ser, não pode ser, mas foi… portanto, é melhor ir ver como estão as pessoas!”… e apressei-me a correr para o carro. Quando lá cheguei, os velhotes só diziam: “Ai! Ai! O que é que foi isto?!” Claro que fiquei assustado, mas o pior ainda estava para vir. Meti a cabeça dentro do carro e vi que a senhora não tinha um pé! Fiquei atrapalhado e pensei: “isto foi mais grave do que eu pensava!”… Mas depois comecei à procura de vestígios de sangue e como não encontrei nada, rapidamente conclui que se a senhora quisesse ter o pé teria que ser equipamento opcional pois de origem já não o tinha! É caso para dizer, “eu sem mão para o carro e alguém sem pé!”.








