Nem a neve faltou aos espetáculo em Montalegre, numa final disputada sob condições extremas. Com o piso tão escorregadio, só podia ser um nórdico a vencer. E foi mesmo, Johan Kristoffersson, que repetiu o triunfo de Barcelona.
Montalegre voltou a receber pelo quinto ano consecutivo uma prova do Mundial de Ralicross. No ano passado o sol brilhou como num fim-de-semana de verão, mas também é certo que já se tinham visto em edições passadas chuva, vento, nevoeiro e até a caída momentânea de alguns flocos de neve. No entanto nunca tínhamos assistido à queda permanente de neve durante largos minutos, cerca de meia hora neste caso, o que tornou as condições das Finais dificílimas, tanto para os pilotos, como para os cerca de 15.000 espectadores, que movidos por uma imensa paixão e cheios de uma fibra de verdadeiros adeptos desta prova, não arredaram pé das bancadas até à bandeirada de xadrez.
A prova tinha no entanto começado sob sol e com piso seco no sábado. Aí quem começou por marcar o ritmo foram os Peugeot, que venceram as duas primeiras qualificações com Loeb e Timmy Hansen respetivamente. No domingo tudo se transformou e a chuva e o gelo apareceram, alternando com períodos sem chuva, obrigando as equipas a trabalharem intensivamente nas afinações dos carros, o que fez sobressair Andreas Bakkerud. O norueguês do Audi S1 quattro conseguiu um ótimo acerto que lhe permitiu mostrar-se como o mais rápido em pista, o que aliado a uma condução muito agressiva o fazia vencer as Q3 e Q4 e alcançar assim a pole-position para a Meia-final 1.
Na grelha de partida desta, estava alinhado a seu lado o seu colega de equipa Mattias Ekstrom, com Kristoffersson e Kevin Hansen na segunda linha e Niclas Gronholm a partir da terceira linha juntamente com Guerlain Chicherit. No arranque os dois Audi foram muito fortes no arranque mas Ekstrom hesitou na escolha pela ida ou não à Joker-lap, acabando por decidir curvar pelo traçado normal, o que surpreendeu Kevin Hansen que seguia no seu encalce, não conseguindo evitar o toque na traseira do Audi. Com esta confusão Kristoffersson atacou a posição de Bakkerud e acabou por conseguir passar para a frente.
O sueco do VW Polo venceria esta Meia-final 1, na frente do norueguês do Audi e de um surpreendente Chicherit, que ao optar por efetuar a Joker-lap logo no início, saiu beneficiado e conseguia assim qualificar pela primeira vez o novo Renault Mégane RS RX para uma Final. Quanto a Ekstrom, acabou por saber a pouco o fim-de-semana do sueco, que indiretamente provocou uma distração do seu colega da EKS e ficaria de fora da Final. Esperava-se uma melhor resposta do sueco face ao sucedido em Barcelona. Na segunda Meia-final os dois Peugeot 208 WRX de Loeb e Timmy Hansen partiam da frente, Petter Solberg e Kevin Eriksson da segunda linha e Janis Baumanis saía da última linha com Timur Timerzyanov a seu lado. Com a chuva a aparecer, Hansen mostrou-se mais à vontade que o francês e passou para a frente e venceu a corrida. Solberg acabou por chegar a terceiro depois de um mau arranque, que o obrigou a fazer uma prova de ataque para chegar à Final.
Loeb resistiu a Solberg
Chegados à última corrida do dia, a neve caía intensamente o que tornava imprevisível o que poderia acontecer no arranque. Timmy Hansen partia da pole, Kristoffersson estava a seu lado e no sinal verde o sueco da VW foi logo para a frente. Na saída da curva 1, Kristoffersson liderava na frente de Hansen e Bakkerud, surgindo um segundo grupo ordenado por Loeb, Solberg e Chicherit, todos a optarem por efetuar a Joker-lap na volta inicial. Com as condições da pista extremamente complicadas, Kristoffersson foi aumentando a vantagem sobre Timmy Hansen, que acabaria por fazer dois inesperados piões e cair para sexto. Quem aproveitou foi Loeb, que subiu ao segundo lugar, aguentando a pressão de Solberg até ao fim. O norueguês fechou o pódio e bateu o seu conterrâneo Bakkerud, sem ritmo para os mais rápidos. Chicherit acabou por ser o quinto classificado, numa prova de mérito do francês, que se estreava em Montalegre. Com esta vitória Kristoffersson passa a ser o piloto com mais vitórias na história do Mundial, onze.
Baumanis vence S1600 no braço
Artis Baumanis já tinha vencido em Barcelona e voltou agora a fazer o mesmo. Os pilotos dos pequenos atmosféricos voltaram a proporcionar corridas muito interessantes e a mostrarem que esta é uma boa escola de entrada no Ralicross internacional. Na Final o norueguês Espen Isaksaetre parecia ter a vantagem controlada sobre o segundo classificado mas quando efetuou a sua Joker-lap na última volta acabou por não resistir a Artis Baumanis, que tinha acabado de ultrapassar o Ford Fiesta de Ondrej Smetana de forma inteligente. Com dois vencedores repetentes nas duas primeiras provas, é com grande expetativa que se aguarda agora pela prova da Bélgica para saber se há duas sem três.
Classificação
FINAL SUPERCARS
Cl Piloto Carro Tempo
1º Johan Kristoffersson VW Polo R 6 voltas em 4m16,859s
2º Sébastien Loeb Peugeot 208 WRX a 2,253s
3º Petter Solberg VW Polo R a 3,938s
4º Andreas Bakkerud Audi S1 quattro a 6,642s
5º Guerlain Chicherit Renault Mégane RS a 9,566s
6º Timmy Hansen Peugeot 208 WRX a 21,244s
Volta mais rápida: J. Kristoffersson (Volkswagen), 41,276s
MUNDIAL
1º Johan Kristoffersson, 53, 2º Andreas Bakkerud, 44, 3º Petter Solberg, 43, 4º Sébastien Loeb, 39, 5º Timmy Hansen, 36, 6º Mattias Ekstrom 36
FINAL S1600
Cl Piloto Carro Tempo
1º Artis Baumanis Skoda Fabia 6 voltas em 4m40,844s
2º Espen Isaksaetre Peugeot 208 a 0,605s
3º Ondrej Smetana Ford Fiesta a 1,360s
4º Max Eveno Citroen C2 a 2,167s
5º Rokas Baciuska Skoda Fabia a 2,976s
6º Vaclav Veverka Peugeot 208 a 5,189s
Duarte Mesquita











