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História da Peugeot na competição: a garra dos leões

Numa altura em que na Peugeot se prepara o seu próximo capítulo, com o regresso ao Mundial de Endurance em 2022, recordamos a eclética herança da Peugeot no desporto motorizado, que vai dos Ralis à Fórmula 1, passando pela Endurance, Indy 500, Dakar, Ralicross e até Pikes Peak. Portugal também tem um registo forte no que à marca do Leão diz respeito…

José Luís Abreu, Fábio Mendes e Pedro Mendes
[email protected]
FOTOS Peugeot e Arquivo AutoSport

A Peugeot já ultrapassou a mítica marca dos 125 anos na competição! Pelo meio, uma história muito rica, recheada de acontecimentos marcantes. Desde que em 1895, entre 11 e 14 de junho, um Peugeot Type 7 venceu a mítica Paris-Bordeaux-Paris não mais a Peugeot deixou de acrescentar capítulos ao seu livro de ouro. Hoje em dia, e a exemplo da maioria das marcas, estas passam por uma enorme transição para o futuro, transformando as suas gamas, eletrificando-a, e por isso pode pensar-se menos em performance ou corridas, mas a verdade é que a competição continua bem vincada na marca de Sochaux, que se prepara para regressar ao endurance, disciplina onde já deixou bem vincada a sua ‘griffe’ com três vitórias em Le Mans.
Mas a história da Peugeot na competição é ilustre. Remonta a 1985, como já percebemos, mas tem muitos marcos no seu caminho até hoje. Curiosamente, tem um código genético extremamente variado, que vai desde as pistas de La Sarthe ou Indianapolis aos caminhos mais tortuosos possíveis e imaginários do Dakar, passando pelas corridas às nuvens de Pikes Peak ou Sintra, Arganil ou Fafe. Há mais de 125 anos que a Peugeot usa o desporto motorizado como tubo de ensaio dos seus produtos de estrada, triunfando em várias disciplinas díspares. Os mais notórios, em Le Mans, no Dakar e no WRC, que tornaram a Peugeot Sport numa das marcas mais respeitadas no desporto motorizado. Como se pode perceber, as numerosas vitórias da marca desempenham um papel crucial no sucesso comercial de seus veículos.

1913 – Peugeot Indianapolis, vencedor Jules_Goux

Tudo começou em 1895
O espírito de competição da Peugeot começou bem cedo, logo em 1895, na primeira prova cronometrada do mundo, o Paris-Bordéus-Paris, com o Type 7 da Peugeot a triunfar, com a marca do leão a colocar três carros nos quatro primeiros lugares. Numa altura em que o desporto motorizado se desenvolvia, não foi preciso esperar muito para novo triunfo de monta, com o Peugeot L76 a vencer o Grande Prémio de França de 1912/1913, as Indy 500 e o Grande Prémio dos EUA em 1913, 1916 e 1919. As Indy 500 sempre foram um dos mais prestigiados eventos do desporto motorizado e a Peugeot deixou a sua marca bem cedo na competição, ao tornar-se no primeiro construtor não-americano a vencer, em 1913. Seguiram-se anos conturbados no mundo, mas pelo meio, os Darl’mat 302 e 402 destacaram-se nas 24 Horas de Le Mans. Em 1938, a equipa De Cortanze-Contet terminou em quinto da geral e em primeiro na categoria 2L.
O período pós-guerra foi duro, e foi em África, um quarto de século depois que a Peugeot voltaria aos triunfos sonantes, com o Peugeot 404 a vencer o East African Safari Rally quatro vezes, em 1963, 1966, 1967 e 1968. O seu sucessor, o 504, triunfou no Rali Safari em 1975 e 1978. África tornou-se num porto seguro para a Peugeot que venceu ainda com o Coupé 504 V6 o Rali Bandama e o Rali de Marrocos, duas vezes (1975 e 1976), assim como o Rali Safari e o Rali da Costa do Marfim em 1978. Fruto dos triunfos em África, os ralis sempre foram bem vistos pelos responsáveis da Peugeot e no início da década de 80, a equipa Talbot, que pertencia à Peugeot, retirou-se dos ralis, e um dos seus elementos, Jean Todt, decidiu propor à casa mãe o desenvolvimento de um carro ganhador, com as novas especificações do Grupo B, baseado no pequeno 205. A marca de Sochaux aceitou, e nascia assim a Peugeot Talbot Sport. Todt liderou uma equipa que integrava engenheiros vindos da Fórmula 1, cuja experiência permitiu dotar a ‘bomba’ francesa das mais recentes evoluções tecnológicas.
Nos dois anos que se seguiram, a Peugeot venceu todos os títulos que estavam ao seu alcance. A escalada da performance dos carros de rali, “obrigou” a marca a lançar na Córsega, em 1985, a segunda evolução do 205, com novos apêndices aerodinâmicos, menor peso e uma potência que chegava aos 500 cv. Com a abolição
do Grupo B, a Peugeot abandonou o Campeonato do Mundo e partiu para África com o objectivo de vencer o Dakar.
Este período da marca teve mão portuguesa, com Carlos Barros a integrar a equipa técnica que assistia os 205 Turbo 16. Barros conquistou a amizade e confiança de pilotos como Vatanen e no Rali de Portugal de 85, foi mesmo convidado a subir ao capot do 205 com Salonen e Harjanne, para celebrar uma vitória que, afinal, também era sua. Depois veio o Dakar, competição que a Peugeot venceu entre 1987 e 1990 dois triunfos com o 205, outras duas com o Peugeot 405. Os sucessos do 205 Turbo 16 ajudaram muito a marca a enfrentar o período conturbado que se vivia, e depois do bom período nos ralis a Peugeot fez o mesmo nas areias africanas do Dakar. 25 anos depois a Peugeot haveria de voltar, já no Dakar da América do Sul.
Aproveitando a base que tão boas provas dava, a Peugeot Sport rumou a nova aventura, desta feita à Pikes Peak Hill Climb em 1988 com a sua corrida das nuvens, onde o 405 Turbo 16 pilotado por Ari Vatanen escreveu mais um capítulo fantástico da história da marca, com o triunfo de Ari Vatanen em 1988 a servir de inspiração
para o filme ‘Climb Dance’, provavelmente o vídeo de desporto motorizado mais visto de sempre.
O 405 venceu Pikes Peak em 1988 e 1989 no ‘Devil’s Playground’, com as suas 156 curvas.

1990 – Vatanen Peugeot 405 T16 Dakar

Dos ralis e do TT, para as pistas
Era chegada a hora para nova mudança de paradigma. Depois de várias décadas no pó, chegou a vez das pistas, com a Peugeot a lançar em 1988 o projeto 905 para participar na Endurance, os Sportscar, e claro está, Le Mans. O carro fez a sua estreia na competição em 1990, foi segundo no campeonato de 1991, com Yannick Dalmas, Keke Rosberg e Philippe Alliot, Mauro Baldi. Em 1992, o 905 ganhou o mundial, com Yannick Dalmas e Derek Warwick, e Le Mans, com Mark Blundell. Em 1993, a Peugeot triunfou em Le Mans, colocando três carros no pódio. O terceiro triunfo em La Sarthe só surgiria em 2009 com o 908 HDi FAP diesel.
Logo a seguir, a experiência na Fórmula 1, com a Peugeot a tornar-se fornecedor de motores para a McLaren, em 1994, com uma versão modificada do 3.5L V10 do Peugeot 905. A equipa realizou 115 participações, 16 com a McLaren com que foi oito vezes ao pódio naquela que seria a sua época mais forte na F1. Seguiram a
Jordan, com 50 Grande Prémios, e cinco pódios e finalmente, a ‘dupla’ francesa Prost Grand Prix/Peugeot, com 49 corridas e um pódio. No final de 2000, a Peugeot deixou a F1 vendendo o seu departamento de F1 à Asiatech.
Os ralis sempre foram um porto seguro da Peugeot no desporto motorizado, e um dos melhores carros saídos de Sochaux foi o fantástico Peugeot 306 Maxi, um carro de tração à frente, que deu imenso que fazer aos tração total que dominavam o campeonato no asfalto. Com o seu motor 2.0-litros naturalmente aspirado, que
‘gritava’ às 10.000rpm, o 306 depressa se tornou num caso sério de sucesso. Mais tarde, a história definiu-o como o melhor carro de ralis de sempre em asfalto. Um carimbo que lhe assenta perfeitamente.
Mais vitórias da Peugeot no WRC viriam com o Peugeot 206 WRC, carro com que venceram três títulos de Construtores, em 2000, 2001 e 2002 e dois de pilotos com Marcus Gronholm, em 2000 e 2002. A Peugeot tinha dominado o WRC em 1985 e 1986, e o tão esperado regresso da Peugeot ao Mundial de Ralis veio em 1999 com o 206 WRC a manifestar-se como uma máquina quase imbatível, recuperando muitas das qualidades do 205. Era mais pequeno que os rivais, mas mais potente.
O tempo passou, em 2007 a Peugeot Sport regressou ao endurance com o 908 HDi FAP, vencendo Le Mans em 2009. Numa altura em que Le Mans era dominado pelas marcas alemãs, a Peugeot veio dar-lhes luta, e o objetivo concretizou-se em 2009 com uma dobradinha Peugeot, com Alex Wurz, Marc Gene e David Brabham a vencer isto depois de dois segundos lugares em 2007 e 2008.
Mas a história da Peugeot na competição continuou a ter páginas muito importantes, por exemplo quando em 2013 a Peugeot arrasou o recorde de Pikes Peak com o 208 T16 Pikes Peak pilotado por Sébastien Loeb. O francês registou uns, na altura, soberbos 8m13.878s que ainda hoje se mantém como o recorde de um carro com motor de combustão. Em 2019, a VW com o I.D. R elétrico baixou a fasquia dos oito minutos, com Romain Dumas a registar 7m57.148.
Nova mudança de página, depois dos sucessos dos anos 80, a Peugeot regressou aos ralis Cross Country (TT) e ao Dakar, em 2015, e com o Peugeot 2008 DKR, um ano após o regresso, em 2016, a vencer o Rali Dakar com Stéphane Peterhansel. No ano seguinte, em 2017, um autêntico passeio no deserto com a Peugeot a colocar os seus três carros no pódio, agora renomeados 3008 DKR com Peterhansel novamente a vencer.
Em 2018, a Peugeot terminou da melhor forma a sua campanha no Dakar, graças a mais uma vitória, desta feita de Carlos Sainz, totalizando três vitórias consecutivas. O foco mudou, depois, para Campeonato do Mundo de Rallycross (WorldRX), com o Peugeot 208 WRX, e em parceria com a Hansen sagra-se Campeã do Mundo de equipas em 2019, com Timmy Hansen a assegurar o título de pilotos com o 208 WRX.
O futuro na competição já está garantido com os Leões a partir de novo à busca de Le Mans com um dos regressos mais esperados no endurance. A Peugeot estará de volta ao mundial de resistência em 2022, com um carro que contará com um motor 2.6L V6, bi-turbo (670 cv) e com uma unidade elétrica de regeneração no
eixo dianteiro (268 cv). Mais capítulos prestes a serem escritos…

1986 – Peugeot 205 Turbo 16 evo2, Rali Sanremo

Mundial de Ralis: O melhor dos Grupos B
A Peugeot deixou uma marca forte no Dakar, venceu Le Mans, mas nos ralis teve igualmente uma presença muito forte, em eras diferentes da história dos ralis. Primeiro brilhou em África, nos anos 60 e 70, depois arrasou no Mundial de Ralis, nos Grupos B, e esteve igualmente muito forte no início do Séc. X XI, já na era WRC, numa altura em que os ralis tinham imensas marcas a competir ao mais alto nível.
Tudo começou com o Peugeot 404, que venceu várias vezes o predecessor do Safari, o East African Safari Rally, quatro vezes, em 1963, 1966, 1967 e 1968. Alguns anos depois, o Peugeot 504, triunfaria no Safari (1975 e 1978). Já na década de 80, depois do brilho da Talbot, que pertencia à Peugeot, a casa-mãe decidiu construir um carro para o novo Grupo B, baseado no 205. Foi aí que nasceu a Peugeot Talbot Sport. Os franceses foram quem melhor soube interpretar as regras, e com a segunda evolução do 205, com aerodinâmica refinada, menor peso e um motor bem mais potente, que debitava cerca de 500 cv, venceram os títulos de pilotos e construtores de 1985 (Timo Salonen) e 1986 (Juha Kankkunen). Depois do Grupo B, foram para o Dakar aproveitando carros ganhadores, que tiveram mão portuguesa, com Carlos Barros a integrar a equipa técnica que assistia os Peugeot 205 Turbo 16.
Em 1994 a Peugeot apresentou o 306 Maxi, que desde 1995 até ao final do Século teve grandes sucessos nas duas rodas motrizes, tornando-se no melhor carro de ralis de sempre em asfalto, mas ao mais alto nível nos ralis, os triunfos da Peugeot regressaram já no fim do Séc. XX com o Peugeot 206 WRC. O Mundial de Ralis tinha atingido patamares muito elevados, e vários construtores automóveis marcavam presença, entre eles a Peugeot.
O 206 WRC rapidamente impôs a sua competitividade, com Marcus Gronholm a obter o seu primeiro título mundial com o carro francês em 2000, feito repetido em 2002, com a Peugeot a garantir também o título de marcas três anos consecutivos, de 2000 a 2002.
A Peugeot, apesar de ter saído do WRC em 2005, continua a ser a quinta marca mais vitoriosa da história da competição, com 48 triunfos no WRC, divididos entre o Peugeot 504 (5), 205 Turbo 16 (16), 206 WRC (24) e 307 WRC (3). A história da Peugeot nos ralis em Portugal é igualmente fantástica, mas disso falaremos noutro
lado…

1998 – Peugeot 306 Maxi, Rali-Portugal, Adruzilo-Lopes

Peugeot Portugal nos ralis: 16 anos fantásticos
O percurso da Peugeot nos ralis em Portugal é exemplar. Em 16 anos, a marca que a Peugeot deixou em Portugal foi muito forte. Hoje em dia, o trabalho é diferente, mas não menos importante. Com a Peugeot Rally Cup Ibérica, uma competição organizada em parceria entre a Peugeot Portugal e a Peugeot Espanha, com apoio logístico e técnico da [email protected], desde 2018 que forma jovens pilotos, e com o prémio final, um época com um R5, dá-lhes oportunidade de dar o salto rumo ao (seu) futuro. Revisitando os melhores momentos da equipa Peugeot Portugal, a história começou a escrever-se em 1996 com a dupla Adruzilo Lopes e Luís Lisboa
e com o Peugeot 306 Maxi. O carro francês conquistou 12 vitórias ao longo de três anos e dois títulos de Pilotos e um de Marcas.
O carro desenvolvido em Portugal também brilhou no plano internacional com um 12º lugar no Monte Carlo e 14º posto na Catalunha de 1998. O ano 2000 marca a primeira viragem da equipa de Carlos Barros que estreia no ‘Nacional’ o 206 WRC. Um carro que esteve nas fileiras da equipa portuguesa durante quatro anos e que ofereceu à Peugoet dois títulos de Pilotos e dois de Marcas, sem esquecer a conquista do Vice campeonato Europeu (2003) onde Miguel Campos só não derrotou o 206 da Kronos guiado por Bruno Thiry por ter feito menos uma prova.
A proibição dos WRC em Portugal motivou o ‘downsizing’ da equipa para o 206 S1600 que foi o ‘cavalo de batalha’ entre 2004 e 2006 com Miguel Campos e Bruno Magalhães a defender as cores da marca de Sochaux, nos anos em que a guerra dos Super 1600 esteve ao rubro e chegou a ter três marcas oficiais envolvidas. Seguiu-se o 207 S2000 que só Bruno Magalhães guiou, somando dois dos três títulos conquistados a nível nacional. E foi precisamente com esse carro que a Peugeot Sport Portugal encerrou a nobre aventura de 16 anos no IRC.

Ralicross: aliança de peso
A Peugeot primou sempre por assumir desafios em competições com graus de exigência diferentes, sempre com o intuito de chegar ao topo. No ralicross não foi diferente, mantendo a tradição e aproveitando a vasta experiência conquistada ao longo dos anos, nos ralis. A Peugeot esteve presente no WRX desde a formação do
Campeonato do Mundo FIA em 2014. Apoiando inicialmente a equipa de Kenneth Hansen, figura mítica do ralicross, 14 vezes campeão europeu, o envolvimento da Peugeot foi parcial nos primeiros quatro anos, aumentado até que em 2018 passou a ser equipa de fábrica oficial. A aposta consistia em cimentar a equipa e preparar a entrada dos carros 100% elétricos, aposta que estava agendada para 2020. Sébastien Loeb juntou-se ao projeto, fazendo companhia a Timmy Hansen, com o outro Hansen (Kevin) a competir na segunda equipa. Mas logo no final de 2018 a marca anunciou a saída da competição, com o projeto para a eletrificação do ralicross a ser adiado, o que não agradou as chefias da marca francesa.
No entanto o 208 WRX continuou a ser usado pela equipa Hansen, com Timmy a ser o segundo pilo to com mais presenças no pódio (32) e com o Peugeot 208 a vencer por 15 vezes no WRX, sendo que Timmy contribuiu com 10 vitórias e Loeb com duas. Timmy Hansen conquistou o título mundial em 2019, sempre ao volante do 208 WRX, que permitiu dois títulos por equipas (2015 e 2019). O bem sucedido 208 WRX ir á manter-se em pista este ano com a Team Hansen a manter a aposta na máquina francesa para voltar a lutar pelo título.

2018, Carlos-Sainz, Peugeot 3008 DKR

Peugeot no Dakar: Estreia e despedida a vencer
A Peugeot participou oficialmente em oito edições do Dakar, alcançando sete vitórias absolutas. Estreou-se a vencer em 1987 e despediu-se novamente a vencer, em 2018. Só uma marca continua a ter mais triunfos no Dakar que a Peugeot, a Mitsubishi, com 12, fruto da sua longa presença na competição, mas nos dois períodos que a Peugeot rumou ao Dakar, fê-lo de forma arrasadora, triunfando sete vezes, entre 1987 e 1990, um ‘tetra’ depois um ‘tri’, 2016 a 2018. Um rácio de triunfos bem maior! Os Peugeot 205 Turbo 16, Peugeot 405 Turbo 16 e Peugeot 2008/3008 DKR, em épocas distintas, deixaram uma marca muito forte no Dakar, graças às suas façanhas nesta prova. Pela equipa, passaram nomes lendários, desde Jean Todt a Carlos Sainz, passando por Ari Vatanen, Jacky Ickx, Juha Kankkunen, Stéphane Peterhansel e Sébastien Loeb, entre outros.
O primeiro feito do Leão no Dakar deu-se logo na estreia, em 1987, no então Paris-Argel-Dakar, com o estreante Ari Vatanen acidentado no Prólogo a cair para o 274º lugar da geral, recuperando depois até à vitória. Em 1988, a inesquecível história do carro roubado a Ari Vatanen, com Juha Kankkunen a aproveitar para vencer. Em 1989, outra história fantástica com o triunfo a ser decidido por moeda ao ar. Depois de um grande duelo entre Jacky Ickx e Ari Vatanen, Todt, receoso que ambos tivessem problemas, decidiu a corrida por moeda ao ar. A sorte saiu a Ari Vatanen.
Foi a primeira vitória do Peugeot 405. Em 1990, a Peugeot assegurou todos os lugares do pódio, com Vatanen a vencer de novo.
Volvidos 25 anos, o regresso em 2015. Outra era, outro tipo de carros. Agora um buggy, o Peugeot DKR 2008, mas com pilotos de exceção: Carlos Sainz, Stéphane Peterhansel e Cyril Despres. Após um ano de aprendizagem, três vitórias consecutivas de 2016 a 2018, ano da despedida. Em 2016, Peterhansel fez história, com a 12ª vitória, seis de moto e seis de auto. Loeb impressionava na estreia. Em 2017, novo triunfo de Peterhansel com a Peugeot a reservar todo o pódio. No ano da despedida, a Peugeot completa um ciclo, vencendo três de quatro participações, desta vez com Carlos Sainz. No final, juntando a era de Vatanen e Kankkunen, 74 vitórias em etapas e sete triunfos no Dakar.

1989, Ari Vatanen Peugeot 405 T16 Pikes-Peak

Pikes Peak: O leão da montanha
Pikes Peak é um dos maiores desafios que pilotos e máquinas podem enfrentar. As 156 curvas do traçado com quase 20 quilómetros (subida de 1440 metros), exigem concentração máxima e muita potência, pois cada quilómetro a “caminho das nuvens” vai tirando potência aos motores, por falta de oxigênio. Mas foi esse desafio que a Peugeot assumiu em 1988 entregando nas mãos de Ari Vatanen, que garantiu a vitória nesse ano, o mítico Peugeot 405 T16. Com 600 cv de potência para um carro com apenas 900 quilos, os 0 aos 200km/h aconteciam em menos de 10 segundos. Uma máquina única para um desafio único, numa aposta forte por parte da Peugeot que não poupou meios para conseguir o desejado sucesso, numa altura em que a subida ainda era feita em piso de terra.
Em 2013, um ano depois de todo o percurso ter sido completamente asfaltado, a marca do leão voltou a assumir o desafio de ser mais rápida em Pikes Peak. Um projeto que levou o nove vezes campeão de ralis Sébastien Loeb a bater o recorde vigente, sendo o primeiro a baixar dos nove minutos. Os números da máquina feita com o único propósito de ser a mais rápida da subida, contava com um motor V6 3,2 L, biturbo, com 875 cv e 0-100 km/h em apenas 1,8s. O recorde anterior de 9:46.164 foi quebrado, e foi estabelecido um novo recorde de 8:13.878. Mais uma vez a Peugeot assumiu o desafio e cumpriu o que se propôs.

SportsCar: O rugido maior no endurance
Se há disciplina onde a Peugeot tem tradição e um currículo invejável, é nos Sportscar, e muito os portugueses vibraram com a Pedro Lamy a representar as cores da marca francesa. A história começou em 1988 quando a marca apostou pela primeira vez na construção de um Sportscar, com o projeto 905, pensado para participar no Campeonato do Mundo, na época em que os Grupo C faziam as delícias dos fãs. Em novembro desse ano, a Peugeot Talbot Sport, com um ‘tal’ de Jean Todt ao leme, anunciou o lançamento do projeto 905 para competir na época de 1991, utilizando as novas regras que seriam então introduzidas. A máquina equipada com o estridente motor 3.5L V10 de mais de 640 cv correu de 1991 a 1993 com evoluções de ano para ano e venceu Le Mans por duas vezes: em 1992 com Derek Warwick, Yannick Dalmas e Mark Blundell e em 1993 com Éric Hélary, Christophe Bouchut e Geoff Brabham no degrau mais alto de um pódio 100% Peugeo t. Também ganharam o Campeonato do mundo de 1992, graças a Warwick, Dalmas, Philippe Alliot e Mauro Baldi.
A mudança para a F1 implicou o fim da participação nos campeonatos de Sportscar, mas o apelo das corridas de longa duração falou mais alto e em 2007 a Peugeot voltou à categoria, com o 908 HDi FAP, com motor 5.5L V12 biturbo, a primeira máquina LMP a ter um cockpit completamente fechado. Em 2009 o carro foi atualizado com um sistema híbrido de 80 cv, com baterias carregadas por travagem regenerativa. A Peugeot tornou-se referência batendo o pé à Audi. Em 30 corridas o 908 venceu 20 e conquistou 23 poles, ao que se somam três títulos por equipas (2007 Le Mans Series, 2010 Le Mans Series, 2010 Intercontinental Le Mans Cup), três títulos de construtores (Le Mans Series 2007, 2010 Le Mans Series, 2010 Intercontinental Le Mans Cup) e dois títulos por pilotos 2 (Le Mans Series 2007, 2010 Le Mans Series).
Dos muitos pilotos de renome que passaram pelo projeto destaca-se Pedro Lamy. Em 2007, Lamy tornou-se piloto de fábrica da Peugeot na Le Mans Series. que venceu na primeira temporada. Foi também segundo classificado em Le Mans nesse ano e em 2011, data que marcou o fim do projeto francês no endurance. O Leão regressa em 2022 com o Hypercar, iniciando a nova e entusiasmante era no WEC. Depois de vários anos de rumores não confirmados sobre o regresso, a Peugeot volta finalmente para atacar Le Mans com um híbrido (2.6l V6 de 670 cv).

Nas pistas nacionais, desde o PTCC até aos Legends
Em 2007 o piloto João Figueiredo, na altura a competir no P TCC (Portuguese Touring Car Championship) estreou nas pistas nacionais o Peugeot 407 S2000. Uma máquina construída dois anos ant es com o chassis número 3 e que competiu no FIA European Touring Car Cup, no campeonato italiano de superturismos, no campeonato dinamarquês de turismos e em duas rondas do FIA World Touring Car Championship de 2006 pelas mãos de Jens Edman. No PTCC, Figueiredo alcançou o segundo posto da geral no ano de 2008. Mais recentemente, em 2018, chegou a Portugal o Peugeot 308 TCR. A máquina concebida pela área de Competição
Cliente da Peugeot Sport contaria, em solo luso, com a preparação da Sports & You. O 308 TCR seria a viatura a usar no TCR Portugal,pilotado por dois jovens cheios de qualidade. Francisco Abreu e Rafael Lobato seriam terceiros no final do campeonato.
Em 2012, dois Peugeot RCZ 1.6 THP 200cv reforçaram o parque automóvel da Racing School do Autódromo Internacional do Algarve, reconhecida como uma das melhores do mundo. O Campeonato de Portugal de Velocidade Legends é a competição onde podemos ver mais Peugeot em competição nas pistas nacionais. É usual a utilização do Peugeot 306 GTI, mas já passaram os 309 GTI e alguns 106 GTI preparados para competir nos traçados portugueses.

Sonho da Fórmula 1 começou com a McLaren
A marca francesa esteve presente no Campeonato do Mundo de F1 de 1994 até ao ano 2000, como fornecedor de motores para 3 construtores: McLaren, Jordan e Prost Grand Prix. A McLaren foi a primeira e equipa com melhores resultados com os motores dos franceses, atingindo o quarto lugar final no campeonato, com 42 pontos. Os carros de Woking utilizavam um motor V10 de 3.5 Litros similar ao do Peugeot 905 do World Sportscar Championship. No entanto, esta relação terminou no final de 1994 após 8 pódios, zero vitórias e 17 abandonos.
Durante os próximos 3 anos, a Peugeot forneceu a Jordan, equipa de Eddie Jordan, tendo levado os britânicos a 5 pódios. Em 1998 a Peugeot forneceu a Prost até ao ano 2000, mas nessa época, com a equipa do antigo piloto a não ser capaz de construir um chassis competitivo, o fornecedor decidiu colocar um ponto final na história da F1. Durante os anos na F1, foram vários e históricos os pilotos que conduziram carros com os motores franceses. Mika Hakkinen, Martin Brundle, Eddie Irvine, Olivier Panis, Rubens Barrichello e Jean Alesi são alguns dos pilotos que marcaram a história da Peugeot.
Os motores Peugeot lideraram 20 voltas o pelotão da F1, 128 pontos conquistados, 14 pódios, 1 volta mais rápida, tudo em 125 Grandes Prémio e durante 6 anos. Em 5 desses GP atingiram o segundo posto final. Um desses lugares foi no mítico traçado do Mónaco em 1994. Martin Brundle chegou em 2º no final das 78 voltas da corrida e o seu colega de equipa, Mika Hakkinen que tinha largado de 2º, abandonou na primeira volta devido a acidente. Brundle só foi batido por Michael Schumacher em Benetton.
A última corrida dos franceses na F1 foi na Malásia em 2000. Nick Heidfeld e Jean Alesi eram os pilotos da Prost. Heidfeld não terminou a corrida por acidente e Alesi foi 11º, terminando assim a relação da Peugeot com o Grande Circo. Os motores Peugeot foram comprados por um consórcio asiático chamado Asiatech e utilizados durante mais dois anos na F1. Em 2001 pela equipa Arrows e em 2002 pela Minardi. Os motores Asiatech eram ambos fiáveis e potentes tendo sido fornecidos a custo zero.

Touring Car: Vitórias do Brasil à Ásia
A aposta da Peugeot nos carros de Turismo é uma aposta mais local, dependendo da regulamentação de cada país. No Brasil a aposta no Peugeot 307 V8 para os Stock Car foi uma aposta ganha. Em 2008 Ricardo Maurício venceu a Stock Car Brasil Copa Nextel com esse carro e no ano seguinte, Cacá Bueno venceu a mesma competição, mas em formato campeonato, tendo como parceira a Red Bull Racing. Em 2011, o mesmo piloto brasileiro venceu de novo o campeonato de Stock Car, mas em vez do 307 foi a vez do Peugeot 408.
Anos antes, em 1992 a Peugeot preparou o 405 para competir no British Touring Car Championship. A partir da sua fábrica em Coventry, o carro foi preparado para o antigo campeão Robb Gravett pela Peugeot UK. O 405 não ganhou nenhuma corrida nos anos em que esteve em competição, pese embora alguns resultados promissores. Em 1996, o carro foi substituído pela nova geração, o 406, até o projeto ser entregue à MotorSport Developments para as épocas de 1997 e 1998. Com o aumento dos custos no campeonato, a marca desistiu desse projeto. Em 2011, a marca regressou ao BTCC com 3 Peugeot 406 Coupé, mas não chegaram a ser tão competitivos quanto a concorrência e foram substituídos pelos 307 até 2003.
A Peugeot tem em França desde 2017, uma das competições monomarca mais conhecida do Mundo, a Peugeot 308 Racing Cup. Utilizando esse modelo, vários pilotos de várias nacionalidades, onde já houve portugueses em ação, competem pela vitória que costuma ser alcançada a ferros, já que as lutas são sempre muito aguerridas. A Peugeot Sport reforçou-se em 2018 com o 308 TCR, carro com chassis, motor, caixa de velocidades e aerodinâmica específicos da versão TCR. Este carro passou pela Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR), pelo TCR Europa (com Francisco Abreu em 2018, por exemplo) onde ainda compete e mesmo pelo TCR Ibérico e TCR Portugal, com Francisco Abreu e Rafael Lobato aos comandos da máquina preparada pela Sports&You. No TCR Europa, o 308 TCR tem alcançado ainda vitórias recentes. A Peugeot teve passagens vitoriosas por competições de Turismos na Ásia, Dinamarca, entre outros países e saiu vencedora das 24h de Nurburgring (Peugeot 208GTi) e das 24h de Spa (Peugeot 306 GTi).