F1 GP da Austrália: O que aconteceu com as bandeiras vermelhas e a ordem final?
Não foi uma corrida fácil e parece que os comissários da FIA vão estar novamente sob forte escrutínio dos fãs que não gostaram do que viram. Uma corrida com duas bandeiras vermelhas, três largadas e um final confuso. Será que a FIA voltou a errar?
Começando pela primeira bandeira vermelha. Na nossa opinião aceita-se a interrupção da corrida uma vez que a gravilha e os detritos em pista exigiam uma pista sem carros a rodar para o trabalho ser bem-feito. Podia ter sido perfeitamente usado um Safety Car para resolver o problema, mas parece haver uma mudança de filosofia na foram como a direção de corrida usa as interrupções e isso é algo que deve ser debatido.
A segunda bandeira vermelha… é discutível. Sim, é verdade que faltavam apenas 3 voltas quando foram mostradas as vermelhas pelo incidente de Kevin Magnussen, numa altura em que a corrida parecia decidida. Uma “mentalidade europeia” ditaria a entrada do Safety Car e o consequente fim da corrida numa procissão lenta. Não o melhor desfecho para uma corrida, mas talvez o mais justo desportivamente. A aplicação destas bandeiras resulta de uma nova postura, mais americanizada, em que se aproveitam estas interrupções para fazer um reset à corrida. Deste lado do atlântico, esta abordagem causa alguma urticária, mas se olharmos apenas do ponto de vista do espetáculo, tivemos um final de corrida muito mais interessante. Não é a abordagem que gostamos mais, mas pode ser legítima se for claramente assumida. Tem de ser encontrado um equilíbrio entre a verdade desportiva e o espetáculo, o que nem sempre é fácil. Muito pode acontecer em duas voltas apenas, como se viu, mas neste caso a corrida parecia claramente decidida. Aplicar a bandeira vermelha tão perto do fim deu-nos a sensação que nos tínhamos mudado para os EUA.
Quanto à confusão que se seguiu… não parece haver nada de mal feito. A questão que se colocava era a seguinte: será que os carros chegaram ao setor 2 depois antes da bandeira vermelha ser mostrada? Que ordem é usada para recomeçar a corrida (neste caso seria a ordem final, pois só havia mais uma volta). Foram essas questões que foram analisadas.
O caso de Fernando Alonso mostra bem o que aconteceu. Alonso larga de terceiro, mas leva um toque, faz pião e acaba na cauda do pelotão. Se os carros tivessem passado já para o segundo setor (que começava antes da curva 6) quando as vermelhas foram mostradas, Alonso terminaria a corrida nos últimos lugares. Se os carros não tivessem passado para o segundo setor antes das vermelhas serem usadas, oficialmente, não haveria uma ordem de referência daquela altura. Os comissários são assim obrigados a reverter para a ordem oficial anterior. Foi por isso que, apesar de Alonso ter caído para o fim do pelotão, acabou em terceiro. É confuso, mas é o que ditam as regras.
Pode-se questionar a utilidade de recomeçar uma prova apenas para dar uma volta atrás do Safety Car. Mas era preciso completar as 58 voltas. E mais, a ordem, apesar de não se poder ultrapassar, não estava definida. Imaginemos que na última volta o motor de Verstappen claudica, a vitória passaria para Hamilton, de forma justa, olhando para a premissa que o carro tem de terminar a prova por meios próprios. Não aconteceu, mas, na prática, foi uma volta de corrida em ritmo lento que poderia ainda implicar mudanças.
A FIA tem estado sob fogo cruzado e tem cometido muito erros. Mas neste caso, não nos parece que tenham havido erros de palmatória. Foram seguidos regulamentos que existem e foram acordados por todos. No passado não se seguiram regulamentos e a polémica foi maior (sim, ainda Abu Dhabi 2021). O que nos parece mais discutível é a nova filosofia usada. Deve a F1 entrar por uma via mais americana e aproveitar todas as desculpas para interromper e relançar corridas? É isto que o público prefere? Mais verdade desportiva ou mais espetáculo? Isso, sim, deve ser debatido. A confusão resultante vem da aplicação dos regulamentos e da necessidade de o fazer de forma correta.
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Daniel Sousa
2 Abril, 2023 at 13:00
Se calhar ajudava começar por definir se a fórmula 1 é um espetáculo ou um desporto. Eu cá acho que é um desporto. Se houver espetáculo melhor mas não deve ser esse o objetivo.