Charles Leclerc recuou nas críticas iniciais aos monolugares de Fórmula 1 de 2026, depois de um trabalho mais aprofundado com os engenheiros da Ferrari no simulador de Maranello. O monegasco passou de um registo de ceticismo – admitindo que “não era grande fã” do novo conceito – para uma postura de curiosidade e motivação perante o desafio técnico e estratégico que aí vem.
As novas regras, com uma repartição de potência próxima de 50/50 entre motor de combustão e componente elétrica, implicam uma forma bastante diferente de extrair performance, o que surpreendeu Leclerc na primeira sessão de simulador, que descreveu como “muito estranha” e geradora de muitas dúvidas dentro da fábrica. Esse choque inicial transformou‑se num processo coletivo de reflexão em Maranello, com piloto e engenheiros a procurarem soluções inteligentes para contornar as limitações e definir as melhores ferramentas de que Leclerc precisa para gerir diferentes cenários em pista, sobretudo em luta direta durante as corridas. As primeiras voltas reais estão previstas para um teste à porta fechada em Barcelona, no final deste mês de janeiro, altura em que as equipas começarão a validar no asfalto o trabalho feito no simulador.

Mais para pensar em pista
“Gosto do desafio de pensar de forma diferente”, explicou Leclerc, sublinhando a mudança de perspetiva em relação ao projeto de 2026. “Aquilo que foi uma primeira sessão muito estranha no simulador fez nascer muitas perguntas na cabeça de toda a gente na fábrica. O processo de pensarmos em formas inteligentes de enfrentar alguns dos problemas que teremos com o carro do próximo ano tem sido muito interessante.”
“Como piloto, também tem sido muito interessante, porque passa muito pelas nossas sensações e por perceber quais são as ferramentas de que precisamos para gerir diferentes tipos de situações. Mas a luta em pista com outros carros durante a corrida será igualmente crítica e tudo isto tem sido um exercício de pensamento muito interessante.”
“Quanto à parte de prazer de condução em si, vou ter de esperar e guiar o carro real antes de dizer seja o que for. No simulador, é difícil captar verdadeiramente essas sensações. Mas é certo que haverá muito mais para pensar ao volante, especialmente em corrida, para gerir a energia que teremos no próximo ano.”













