Oliver Solberg voltou a estar no centro das atenções do WRC, e de novo pelas razões erradas, após sofrer um novo acidente, durante a última classificativa de hoje do Rali da Acrópole, na Grécia. Ao volante do Toyota GR Yaris Rally1, Solberg perdeu o controlo numa esquerda, deixando o carro plantado fora da estrada. Este erro marcou o quarto abandono por despiste em apenas cinco ralis, prolongando uma sequência negativa iniciada nas provas de asfalto da Croácia, Ilhas Canárias e Japão.
O dia de Solberg começou condicionado por um furo logo na especial de abertura, que lhe custou cerca de 1m30s e o afundou no nono lugar da geral. A partir desse momento, o piloto tentou adotar uma postura defensiva para recuperar o ritmo, mas no final do dia, a ‘vontade’ de andar foi mais forte que ele. Acabou novamente fora de estrada. “Perdi a traseira e o carro ficou ali plantado”, explicou Solberg à DirtFish. Quando questionado sobre a razão de não ter conseguido curvar, o jovem de 24 anos foi pragmático: “Acho que ia depressa demais”.
Gestão de risco e o alerta de Ogier
A repetição de incidentes tem colocado em evidência a falta de maturidade competitiva do piloto na sua primeira época a tempo inteiro na categoria máxima. Embora a rapidez natural de Solberg seja inegável — como comprovou com a vitória no Rali de Monte Carlo —, o seu instinto de ataque tem superado a capacidade de gerir o risco.
Anteriormente, no Rali do Japão, o sueco já tinha destruído a suspensão traseira ao bater num poste quando pressionava o líder Elfyn Evans. Na altura, o veterano Sébastien Ogier deixou um aviso público, sublinhando que Solberg corria o risco de “queimar as asas” por querer o sucesso demasiado cedo.
Ogier alertou que, ao fim de várias rondas com falhas consecutivas, o problema do piloto sueco deixou de ser episódico para passar a ser estrutural.
A urgência de uma mudança de atitude
O próprio Oliver Solberg reconhece o impasse mental em que se encontra, admitindo que o seu andamento habitual ultrapassa os limites do carro. Com este novo revés em solo grego, o piloto assume que a situação se tornou insustentável. “São sempre pequenas coisas com grandes consequências. Tenho de conseguir eliminar estes pequenos erros, mas aparentemente ainda não descobri como. Preciso de mudar alguma coisa”, confessou o piloto ao Dirtfish agora na Grécia.
Sem conseguir traduzir a velocidade em consistência, Solberg enfrenta agora o desafio de reestruturar a sua abordagem psicológica e a parceria com a equipa de batedores antes que a tolerância da equipa oficial esgote.
No Rali de Portugal, o AutoSport perguntou-lhe: Sentes que, por vezes, a tua condução leva o carro para além dos seus limites e se abrandasses um pouco, ainda terias o ritmo para lutar por vitórias? “Provavelmente. É provavelmente uma boa análise, sim”, respondeu-nos. Mais uma vez se conclui que não aprendeu ainda a lição.
O problema está identificado, não é falta de talento, mas de gestão de risco, maturidade competitiva e adaptação ao contexto. Rodando atrasado na classificação, que necessidade tinha de “Acho que ia depressa demais”. Que necessidade havia? A verdade é que no dia a sua gestão emocional acompanhar a capacidade técnica, será quase imbatível. Até lá…









