Depois de muitos dias de acusação e incerteza, foi conhecido o desfecho final da polémica do limite orçamental ultrapassado pela Red Bull. Uma multa e uma redução do tempo no túnel de vento em 10% foi o que a Red Bull e a FIA acordaram para colocar termo a toda esta situação.
Qualquer que fosse a pena aplicada, o resultado iria ser sempre alvo de críticas. A FIA entendeu os argumentos da Red Bull, mas não podia deixar passar em claro esta falha, correndo o risco de colocar toda a filosofia do limite orçamental em risco. Assim, foi atribuída uma pena, que aos olhos da Red Bull é severa demais e aos olhos dos adversários é demasiado branda. A verdade, como em situações deste género, poderá estar no meio.
A multa, para uma estrutura como a Red Bull não deverá ser problemática e poderá ser resolvida de forma mais ou menos simples, apesar de ser significativa. Mas os 10% de redução do tempo de túnel de vento serão um handicap considerável. A Red Bull começa o ano 2023 já com menos 30% do tempo disponível a menos, como estipulado pelas regras, que dizem que o primeiro classificado terá 70% do tempo de túnel de vento. No total, 63% do tempo de Túnel de vento nominal, o que não pode ser menosprezado. Num jogo de margens pequenas como a F1, tudo isto deve ser tido em conta. No entanto, podemos (e devemos) questionar se não é uma pena leve para uma equipa que começa 2023 com vantagem e que foi a única a ultrapassar o limite e a cometer os erros explicados, sendo que sete equipas estão sediadas no mesmo país e enfrentam os mesmo problemas ao nível da fiscalidade e do ambiente económico.
O Dr. Helmut Marko disse à Sky Deutschland: “Infelizmente, muitos dos nossos argumentos não foram tidos em conta. Houve alterações de regras a muito curto prazo e os créditos fiscais não foram devidamente tidos em conta. Talvez a FIA quisesse fazer de nós um exemplo, porque as regras ainda são muito novas. A penalização desportiva é dura, mas está quase no limite em que ainda acreditamos que podemos ser competitivos nos próximos anos”.
O Toto Wolff, da Mercedes, referiu em tom irónico a questão do gasto excessivo da Red Bull em serviços de catering e em baixas médicas: “Temos também uma cantina e baixas médicas. O raciocínio não é correto e, no final do dia, as explicações são supérfluas. Nove equipas estavam abaixo do limite, uma estava em cima e a outra está agora a contar histórias sobre o assunto”. Contudo, o chefe da Mercedes não consegue avaliar os efeitos da penalização. “É muito dinheiro e mesmo os 10 por cento são muito na Fórmula 1. E a outra coisa é que eles sofreram danos de reputação”.
O vice-diretor da Ferrari, Laurent Mekies, concorda: “Não podemos estar satisfeitos com a penalização, uma vez que não há redução orçamental para 2023. Por isso, podem gastá-lo noutro lugar e melhorar o carro. Mesmo assim, temos agora de virar a página e esperamos não ter de esperar tanto tempo pelo limite orçamental para 2022.”
Quisemos saber a opinião dos nossos leitores e ela não podia ser mais clara. 73.9% dos leitores que votaram acreditam que a pena foi demasiado branda. 15.7% afirmam que a pena foi ajustada e apenas 10.4% concordam que a pena foi exagerada.

VOX POP
#99
Esperava coisa mais concreta, mas gastar tanto assim no catering nem que fizessem 100 vezes a Concreta! Terá chegado a hora de mais transparência na FIA e deixar de negociar penalidades.
pintinha
Faça-se como no ciclismo (caso doping) anulem os títulos obtidos fraudulentamente, ponto.
Parece me ajustada. Eu teria acescentado algo mais sob forma de pena suspensa (no caso de nova infração).
jpais
Enquanto as regras da F1 não mudarem por forma a tornar os regulamentos mais rígidos, continuará ao folhetim. Eu gostaria de ver menos apêndices aerodinâmicos, menos pneus, menos ailerons móveis em suma mais competição nas pistas baseadas nos carros e pilotos…












