A Cadillac chega à pausa de verão depois de 11 corridas onde a falta de experiência e a juventude da equipa se fizeram notar de forma inequívoca. Foram muitas as dificuldades enfrentadas, os contratempos e as corridas em que o MAC-26 sentiu dificuldades até para chegar ao fim. Mas trata-se de um percurso normal tendo em conta a história recente da estrutura.
A história até agora
A história da equipa começa em janeiro de 2023, quando a FIA, sob Mohammed Ben Sulayem, abriu um processo de candidaturas para uma 11ª equipa na grelha. A Andretti Global, liderada por Michael Andretti, associou-se à General Motors e à marca Cadillac, e em outubro de 2023 essa candidatura foi a única aprovada pela FIA para avançar à fase comercial.
Em janeiro de 2024, porém, a Formula One Management (FOM) rejeitou o projeto “Andretti-Cadillac”, alegando que a equipa não traria benefício suficiente ao campeonato, apesar da aprovação técnica da FIA. Face ao impasse, o projeto foi remodelado: Michael Andretti saiu de cena, Dan Towriss (da TWG Motorsports) assumiu a liderança comercial, e a General Motors comprometeu-se a criar uma equipa de fábrica sob a marca Cadillac, com motores Ferrari a título transitório e planos de motor próprio a partir de 2029. Em novembro de 2024, a F1 anunciou um acordo de princípio com a GM, e a aprovação final surgiu em março de 2025, consagrando a Cadillac Formula 1 Team como a 11ª equipa para 2026.
A estrutura completa está sedeada em quatro locais: Fishers (Indiana), Charlotte (Carolina do Norte) e Warren (Michigan), nos EUA, além de uma base em Silverstone, no Reino Unido. A liderança técnica reúne nomes experientes da F1: Graeme Lowdon (ex-Marussia) como Team Principal, Nick Chester (ex-Renault) como Diretor Técnico, e Pat Symonds como consultor executivo de engenharia.

Dores de crescimento
Dado o pequeno intervalo de tempo entre a confirmação da entrada na F1 e a entrada efetiva em cena, a Cadillac teve de condensar o seu programa e trabalhar contra o relógio para estar pronta no arranque da temporada, o que conseguiu. No entanto, as dificuldades são óbvias. A competitividade está ainda longe do desejável e a fiabilidade também não está no nível exigido. A equipa conta com um total de nove desistências entre os dois pilotos, com as suspensões e os travões a serem os principais componentes afetados. São quatro desistências por problemas nos travões e três por falhas na suspensão (as três do lado de Sergio Pérez). A unidade motriz Ferrari que equipa o monolugar tem permitido menos problemas nessa área específica, o que permite à equipa focar-se nos problemas que tem nos componentes próprios.
Experiência importante, mas incapaz de disfarçar dificuldades
A escolha de pilotos para esta temporada recaiu sobre Sergio Pérez e Valtteri Bottas, uma opção sensata e até lógica, sendo que a equipa precisa da experiência acumulada dos dois em equipas de topo para catalisar o crescimento. Valtteri Bottas é o homem que detém o melhor resultado até à data da equipa, com um 13.º lugar na China logo na segunda corrida do ano. Desde então apenas conseguiu subir ao 16º posto e tem estado um furo abaixo do colega de equipa no que diz respeito a andamento puro. Com ainda zero pontos conquistados, espera-se uma segunda metade de temporada igualmente desafiante.

Já Sergio Pérez ia dando a primeira alegria à equipa. O décimo posto conquistado no Mónaco quase que permitia à Cadillac festejar o primeiro ponto na sua época de estreia, mas uma penalização pós-corrida terminou com a festa. Pérez tem sido o piloto em melhor forma na estrutura, com dois 14º lugares conquistados. Este regresso do mexicano à F1 depois de um ano afastado tem-se revelado muito positivo. Ao contrário de Bottas, que se foi mantendo ligado à Mercedes como piloto de reserva, Pérez tirou um ano sabático que lhe permitiu recarregar baterias e chegar, aparentemente, mais competitivo do que o colega de equipa, quando a expetativa era contrária.
Do lado dos pilotos, nada a apontar. Não será certamente fácil ter confiança num monolugar que tem tido tantas questões de travões e com os problemas de andamento e equilíbrio que são inerentes a um projeto novo. Mas Bottas e Pérez têm cumprido com a sua parte neste ano que é de aprendizagem. A Cadillac não tem deslumbrado, longe disso, mas não é também motivo de chacota. Cumpre o seu plano de evolução sabendo das limitações e dos objetivos que quer cumprir a curto e médio prazo.

Notas
- Cadillac: Nota 4
- Valtteri Bottas: Nota 5
- Sérgio Pérez: Nota 6
Fotos: Philippe Nanchino /MPSA










