O Conselho Mundial da FIA que decorre em Paris já ratificou as linhas mestras das novas unidades motrizes que entrarão em cena em 2026. É a partir daqui que os detalhes técnicos das novas unidades motrizes vão ser desenhados e a vontade inicial mantém-se: motores mais simples, mais baratos e mais sustentáveis.
As premissas acima descritas poderão assustar os fãs mais “hardcore” mas a componente espetáculo não foi esquecida e os novos motores deverão dar mais arrepios que os atuais. Eis as principais ideias que irão definir a nova geração de motores:
- Mensagem Ambiental Poderosa: Combustível 100% sustentável, eficiência global, e mudança de foco para a energia elétrica
- Redução significativa dos custos: regulamentos técnicos, operacionais e financeiros
- Recém-chegados: tornar possível a sua participação no desporto a um nível competitivo
- Proteger o espetáculo: unidade motriz potente e de alta rotação, desempenho do carro, som, capacidade de corrida para os pilotos, evitando diferenciação excessiva
Para o conseguir, os regulamentos da unidade de potência de 2026 serão construídos sobre quatro dos chamados pilares.
- Para manter o motor V6 de 1,6 litros
- Para aumentar a energia eléctrica para 350 kW (470 cv)
- Para eliminar o MGU-H
- A introdução de um limite de custo da unidade de potência
Assim a arquitetura dos motores irá manter-se. Teremos na mesma os V6 em pista e era altamente improvável que se aumentasse os números de cilindros pois a tendência atual é fazer mais, com menos. Tem sido feito um trabalho notável com estes V6 e seria um desperdício de desenvolvimento e dinheiro pelo que os motores manterão a mesma base, mas simplificados. E para a simplificação contribui muito a saída de cena do MGU-H.
O MGU-H é um dos componentes mais fascinantes dos motores atuais, uma ideia brilhante e complexa que conseguiu ser colocada em prática pelos engenheiros das equipas. Recuperar a energia térmica que seria habitualmente perdida no turbo é algo difícil mas ao mesmo tempo inteligente. Mas todos os adjetivos acima usados são sinónimo de muito dinheiro gasto em F1. Sendo um dos componentes mais caros e complicados de desenvolver, e seguindo a nova filosofia de controlo de custos, irá ser abandonada.
O limite de custos, uma ideia cada vez mais vincada na F1, também será aplicado nos motores. Pretende-se que as equipas consigam ter motores eficientes mas ao mesmo tempo não tenham de gastar rios de dinheiro e como tal serão aplicados limites para que o preço final não dispare.
Tudo isto enquanto temos motores que provavelmente irão ter um som mais agressivo, com mais potência mas com um combustível 100% sustentável. A busca por um combustível 100% sintético continua e para 2026 os novos motores deverão usar um combustível amigo do ambiente, algo que começa a ser encarado com cada vez mais interesse por muitas marcas em todo o mundo.
A ajudar à sustentabilidade, maior foco na componente elétrica, com o aumento da energia elétrica usada. Atualmente o MGU-K está limitado a 120 Kw (160 cv) com o MGU-H a não estar limitado. Mas para 2026 a parte elétrica irá sofrer um aumento e o MGU-K irá passar a debitar 350kW… tanto quanto um Formula E de terceira geração.
São estas as linhas mestras para os motores do futuro.










