Andam aí algumas vozes nas redes sociais a dizer que este Rali Safari é uma “brincadeira de meninos” face ao que eram os Rali Safari do passado. É verdade que os tempos eram outros, as provas eram outras, mas quem cai no erro de comparar o que acontecia no passado, com o facto de hoje vários concorrentes terem tido problemas de vária índole, no primeiro dia deste Rali Safari – já li para aí escrito “pouca resistência” – está a cometer um grande erro. E há uma coisa que tenho a certeza: ninguém que lá está no Quénia diz que este Rali Safari é para “meninos” e que “antes é que era bom”.
Este Rali Safari está a mostrar-se bem duro, e há alguns dados que deve ter em mente quando se compara com o “antigamente”.
Ponto prévio: Os carros de antigamente não eram mais fiáveis. Muito longe disso, mesmo a antítese disso.
Antigamente as equipas traziam levavam 20 a 25 sets de amortecedores por carro. Hoje em dia, no WRC, as equipas tem dois sets por carro. É verdade que parte disto se explica pela quilometragem, mas dizer que os carros do passado “é que eram fiáveis” é um erro tremendo e completamente errado.
No passado, mudavam mangas de eixo em todas as assistências, e essas eram basicamente à vontade do freguês. No Safari, era só o carro precisar.
Hoje em dia no WRC, cada carro tem dois jogos de mangas de eixo para o rali todo.
No passado, mudavam transmissões todos os dias. Mais uma vez, hoje só há dois jogos.
É tudo selado hoje em dia, antigamente não havia limites. Entre muitas outras coisas.
Quem está agora no Rali Safari a ouvir as histórias das gentes locais que estiveram ligados aos ralis Safari, só se pode rir quando ouve alguém dizer que “os carros antigos eram mais fiáveis”. E tanto mais que se podia dizer.
Os Ralis Safari do passado foram magníficos, este está a ser excelente, emotivo, há incerteza. Nem quem veio correr sozinho na sua classe se pode dizer ao luxo que ganhou…
FOTOS @World/André Lavadinho











