WEC 2026: Nova temporada, novas oportunidades para destronar a Ferrari
Depois do adiamento da ronda de abertura do Campeonato do Mundo de Endurance da FIA (WEC), este fim de semana vê o regresso das máquinas e equipas das provas de resistência. E a pergunta que se coloca é simples: quem conseguirá destronar a Ferrari?
A 14.ª temporada do Campeonato do Mundo de Resistência da FIA (WEC) arranca este fim de semana com as 6 Horas de Imola, após um defeso longo, mais do que o inicialmente esperado. Com uma das grelhas mais competitivas da história da resistência, Imola acolhe a abertura de uma temporada que se desenha histórica — tanto dentro como fora de pista.
As novidades
É uma temporada com muitas mudanças, com a entrada ao serviço do túnel de vento Windshear. A mudança foi motivada pela indisponibilidade das instalações da Sauber e pela necessidade da FIA/ACO de centralizar a homologação, com vista a garantir a paridade entre os Hypercars LMH e LMDh. Esta transição, que motivou ajustes aerodinâmicos nas equipas, permitiu um “reset” nos dados de Balance of Performance (BoP) através de medições unificadas em escala real. Com novas homologações, as equipas aproveitaram para melhorar os seus bólides.

O BoP é um dos temas de conversa do arranque da temporada: a ACO e a FIA decidiram deixar de publicar as tabelas de Balance of Performance. Bruno Famin, novo Diretor Adjunto de Competição da ACO, defende que os dados são demasiado complexos para o público e que a confidencialidade ajuda a evitar o “sandbagging”, especialmente antes de Le Mans. A organização argumenta que publicar apenas os valores finais de peso e potência sem o contexto técnico gera mal-entendidos e narrativas incorretas sobre a paridade entre os carros. Contudo, esta falta de transparência agrada poucos, pois elimina o escrutínio público e alimenta teorias da conspiração sobre a manipulação de resultados e o favorecimento de certas marcas.
Também a Michelin trouxe novidades, introduzindo uma nova gama de pneus para os Hypercars, prometendo aquecimento mais rápido, maior consistência e maior sustentabilidade.
Ferrari ainda na frente?
A Ferrari AF Corse chega a Imola como campeã em título de pilotos e construtores e três vezes vencedora de Le Mans. Depois de ter parado o domínio da Toyota na competição de construtores, a Scuderia chega a esta temporada com a mesma formação de pilotos e um Ferrari 499P com pequenos ajustes aerodinâmicos após testes no túnel de vento Windshear. A Ferrari entrou no WEC com o pé direito e os triunfos em Le Mans confirmam a solidez do projeto (que levou alguns engenheiros da resistência a mudarem-se para a F1). 2025 trouxe o pleno com título de pilotos (James Calado, Antonio Giovinazzi, Alessandro Pier Guidi) e 2026 deverá dar-nos uma Ferrari igualmente forte, apesar das ameaças da concorrência. A principal concorrência para os campeões em título é interna, com Antonio Fuoco / Miguel Molina / Nicklas Nielsen (Ferrari n.º 50) e Yifei Ye / Robert Kubica / Philip Hanson (Ferrari n.º 83) a quererem provar o mesmo sucesso que os companheiros.

Toyota quer regressar ao topo
As principais rivais da Ferrari chegam com apostas técnicas diferentes. A Toyota renomeou o seu carro para TR010 Hybrid e com o novo nome chegaram melhorias no carro. Visualmente houve uma evolução clara e, do ponto de vista técnico, as principais metas foram o aumento da velocidade de ponta, identificada como uma fraqueza na temporada anterior, e a melhoria do comportamento em pista. O trabalho resultou num carro mais equilibrado e previsível, especialmente em curvas de alta velocidade, apresentando também um melhor desempenho na passagem sobre corretores. Adicionalmente, a marca acredita ter alcançado ganhos em termos de fiabilidade e consistência, tornando o veículo mais fácil de conduzir em todas as condições de corrida. Mike Conway / Kamui Kobayashi / Nyck de Vries (Toyota n.º 7) e Sébastien Buemi / Brendon Hartley / Ryō Hirakawa (Toyota n.º 8) continuam a ser as apostas.
Félix da Costa é trunfo da Alpine
A Alpine iniciou o ano com uma surpresa negativa. Quando o projeto começava a dar frutos e a ganhar consistência, a casa-mãe resolveu acabar com o esforço. Assim, 2026 será a última oportunidade da Alpine mostrar o que poderia ter sido a sua manutenção no mundo da resistência. Para a temporada de 2026, a Alpine introduziu uma atualização “Joker” no pacote aerodinâmico do A424. Esta evolução, embora visualmente subtil, tem como objetivo aumentar o downforce do carro. No que toca ao alinhamento de pilotos, a equipa conta com o regresso do piloto português António Félix da Costa ao WEC, integrando a tripulação do carro n.º 35, com Charles Milesi e Ferdinand Habsburg. Outra novidade relevante é a estreia de Victor Martins no mundo da resistência, após a sua passagem pela Fórmula 2, partilhando o carro n.º 36 com pilotos experientes como Frédéric Makowiecki e Jules Gounon.

Cadillac quer mais
A Cadillac Hertz Team JOTA apresenta um V-Series.R revisto. A máquina americana, que já foi dando sinais positivos ao longo de 2025, apresenta-se este ano com uma revisão completa que inclui reformulação de todos os painéis da carroçaria para otimizar o pacote aerodinâmico. O sistema de travagem foi também profundamente revisto, passando a utilizar um pacote completo da Brembo. Will Stevens e Norman Nato estarão de serviço nas duas primeiras corridas do ano, com Alex Lynn a regressar à tripulação depois de recuperar de uma cirurgia.

BMW com muitas novidades
A BMW M Team WRT também aproveitou a oportunidade para fazer mudanças no seu carro. O M Hybrid V8 apresenta um visual diferente e melhorias ao nível da aerodinâmica. O objetivo primordial destas alterações foi aumentar o downforce traseiro para melhorar a estabilidade nas fases de entrada em curva e garantir uma performance mais consistente durante os turnos de corrida, facilitando a condução no meio do tráfego, com o foco nas voltas de qualificação a dissipar-se ligeiramente. Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor são os pilotos do BMW n.º 15 (Vanthoor ausente por sobreposição com o IMSA) e no n.º 20 teremos Robin Frijns, René Rast e Sheldon van der Linde (também ausente por competir no IMSA).

Peugeot à espera de 2027
A Peugeot foi das poucas equipas a não fazer grandes alterações ao seu 9X8, praticamente inalterado, focando as energias em 2027, com um novo carro à vista. Foram feitos apenas alguns ajustes de pormenor, mas nada de relevante, num carro que apesar de entusiasmar muito no arranque, tem vivido abaixo das expectativas. As maiores novidades surgem do alinhamento de pilotos, com Paul Di Resta / Stoffel Vandoorne / Nick Cassidy no n.º 93 e Loïc Duval / Malthe Jakobsen / Théo Pourchaire no n.º 94. Cassidy e Pourchaire fazem a estreia pela marca do leão.

Aston Martin quer aprender com dados de 2025
A Aston Martin entra no segundo ano com o Valkyrie V12, com uma temporada completa de dados para otimizar a performance. Sem mudanças no seu carro, a equipa pretende cimentar o conhecimento adquirido na época de estreia. Harry Tincknell e Tom Gamble serão os homens do Aston n.º 007, com a ajuda de Ross Gunn nas provas de maior duração. No n.º 009 teremos Alex Riberas e Marco Sørensen, com Roman De Angelis a juntar-se a eles nas provas de maior duração.

Estreia da Genesis
A grande novidade da classe Hypercar é a estreia da Genesis Magma Racing, braço desportivo da marca de luxo da Hyundai, com dois protótipos LMDh equipados com motores V8 turbo e um alinhamento de pilotos de peso, que inclui André Lotterer / Luis Felipe Derani / Mathys Jaubert no carro n.º 17 e Mathieu Jaminet / Paul-Loup Chatin / Daniel Juncadella no carro n.º 19. A saída da Porsche Penske Motorsport e da Proton Competition da categoria abriu o caminho para esta entrada histórica da marca coreana.

LMGT3
A categoria LMGT3 inicia a sua terceira temporada de competição no FIA WEC com 18 carros, representando nove fabricantes diferentes. A grande novidade técnica para 2026 é a introdução de novos pacotes “Evo” por parte da Ferrari, Ford e Porsche, visando otimizar a performance dos modelos atuais. No plano desportivo, a alocação de pneus foi aumentada, o que permite às equipas, teoricamente, realizar turnos únicos (single-stints) durante toda a corrida, sem a necessidade de poupar borracha em turnos duplos. Adicionalmente, a Goodyear passará a utilizar exclusivamente o composto Eagle Medium nesta temporada, eliminando o pneu duro que foi usado em algumas provas no ano anterior.
Em termos de estruturas e alianças, a Garage 59 estreia-se como a equipa designada pela McLaren, substituindo a United Autosports, enquanto a Aston Martin centralizou a operação dos seus dois carros sob a gestão da equipa Heart of Racing. Para a ronda de abertura em Imola, ocorreram alterações forçadas nos alinhamentos: Blake McDonald substitui Ben Keating no Corvette n.º 33 devido a uma lesão deste último, e Kobe Pauwels ocupa o lugar de Eduardo Barrichello no Aston Martin n.º 23 devido a um conflito de calendário com o campeonato IMSA.

Do lado dos favoritos, a Manthey chega como o maior vencedor da era LMGT3, com dois títulos e duas vitórias em Le Mans, sendo o benchmark que todos os rivais procuram superar. A Vista AF Corse, por sua vez, apresenta-se determinada a ir mais longe após uma temporada de 2025 que terminou com o vice-campeonato no carro n.º 21 de Heriau / Mann / Rovera — uma equipa que liderou a classe em número de top-cinco, mas que foi penalizada por três abandonos que acabaram por custar o título.
Tudo pronto para mais um ano de grandes corridas no WEC.
Fotos: MPSA Laurent Cartalade
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