O Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno 2015 vai arrancar sem a presença do Campeão em título, Ricardo Porém, que só lá mais para a frente apresentará o seu projeto para este ano. Assim sendo, a competição inicia-se órfã do seu campeão, mas não menos competitiva que no ano anterior fruto de algumas novidades muito interessantes.
Ricardo Porém não é a única ausência de monta deste arranque da competição, já que também Rómulo Branco, terceiro classificado no último ano, entendeu optar por outras paragens para a prática da modalidade. São dois aspetos menos positivos, mas as novidades de sentido contrário são bem mais significativas, o que deixa antever que o CNTT vai manter a competitividade de 2014.
Em primeiro lugar, Miguel Barbosa, vice-campeão em 2014, renova a sua aposta no Mitsubishi Racing Lancer, este ano um pouco mais evoluído em termos de suspensões, já que trocou a BOS pela Reiger. Tendo em conta a competitividade que o vencedor de três dos últimos quatro campeonatos de TT sempre teve, acredita-se que volta a ter todas as condições, agora, de recuperar o título.
Ricardo Porém à parte – desconhece-se o que vai apresentar – um dos seus mais diretos adversários poderá ser João Ramos, que com uma Toyota Hilux Overdrive competitiva, tem andamento, como ficou provado em Portalegre, para andar nos lugares da frente.
Ainda que vá primar pela ausência na primeira prova, o regresso de Carlos Sousa com o Mitsubishi ASX Racing da Mitsubishi Brasil está agendado para a segunda prova, em Reguengos, e a partir daí, com grande dose de certeza, a competição passa a ter mais um piloto na luta pelos triunfos, já que apesar do principal objetivo passar pelo desenvolvimento do carro e a sua evolução tendo em vista o Dakar 2016, Carlos Sousa não deixará de lutar pela primazia nas provas, e consequentemente pelo título, até porque contam apenas cinco resultados das seis provas previstas realizar. Fica somente, um pouco mais pressionado.
Outsiders de luxo
Confirmada está também a participação de Nuno Matos e o seu Opel Mokka Proto, que o piloto de Portalegre espera não lhe dar as mesmas dores de cabeça de 2013 e da primeira metade de 2014. Se a bitola de competitividade for a que evidenciou em Portalegre, depois dos problemas de alternador que teve, vai lutar pelos lugares cimeiros, aliás onde já andava antes dos problemas de fiabilidade no novo Mokka.
Quarto classificado o ano passado – como muito bem gosta de dizer, o primeiro dos não protótipos – José Mendes vai este ano trocar a fiável Mitsubishi L200, por um Opel Astra Proto da categoria T8 de modo a lutar pelo título da categoria. O T1 perde uns, ganha outros!
Por exemplo o Campeão do T2 do ano passado, Alexandro Franco, que dá o ‘salto’ para a categoria principal e vai pilotar um BMW Serie 1 Proto, ao mesmo tempo que compete na Taça Ibérica de TT, cujas duas primeiras provas são em Espanha (a Baja TT de Lorca já se realizou). Com este carro, Alexandre Franco sobe a fasquia: “é sem dúvida um passo importante na nossa carreira.
A missão inicial passa por aprender o carro e evoluí-lo até termos a confiança que atingimos no T2. Quando o conseguirmos, acredito que terão que contar connosco, pelo que estamos otimistas”. André Amaral vai voltar a correr com o Mercedes Proto, que este ano conta com algumas alterações: “O carro é um ‘upgrade’. Evoluímos a suspensão, diferenciais e queremos tirar mais proveito da máquina. O objetivo passa por ser mais competitivo e tentar andar nos lugares cimeiros”.
Depois de em 2014 ter corrido com o DePieres de duas rodas motrizes, Hélder Oliveira regressa ao CNTT com uma competitiva Nissan Navara Offroad, pelo que irá ser possível vê-lo a rodar nos lugares cimeiros. Lino Carapeta também renova a sua participação, novamente com o Bowler.
Regressos e intermitências
O CNTT 2015 fica também marcado pelo regresso de nomes sonantes da modalidade, e também alguma intermitência de participações por parte de alguns pilotos que não têm intenções de disputar toda a competição.
Pedro Grancha, Campeão Nacional de Todo-o-Terreno de 2006, regressa à competição num BMW Serie 1 Proto, estando confirmada a presença em todas as provas do calendário: “Preciso de readquirir ritmo, mas depois disso espero lutar pelos lugares do pódio”, disse.
Outro carro competitivo será a Toyota Hilux de Alejandro Martins, que com José Marques a seu lado, não deverá realizar todas as provas. Paulo Rui Ferreira adquiriu a Toyota Hilux exChristian Lavieille, carro que terminou o Dakar 2015 na sexta posição, e também ele só realizará algumas provas.
Para além da presença além fronteiras, no Rali de Marrocos e Tunísia, o piloto assistido pela MRacing vai estrear o carro em Reguengos, prevendo também participar nas Baja de Idanha-a-Nova e Portalegre 500. Rui Sousa será outra das participações intermitentes no CNTT, e vai repartir as presenças entre Portugal e Espanha, sempre aos comandos da sua Isuzu D-Max.
Em Portugal, tem previsto correr em Reguengos, Portalegre 500, e uma das provas da Escuderia Castelo Branco. Em Espanha deverá realizar mais duas provas, sendo uma delas, Aragon.
Por fim, o T2 perde o Campeão, Alexandre Franco para o T1, mas a competição vai contar novamente com Eduardo Mota, o segundo classificado do ano passado. Francisco Gil deverá realizar algumas provas, Jorge Cardoso estará também no arranque de uma competição que conta para já ainda com Luís Ferreira, Pedro Ferreira e Filipe Carvalho, oriundo do T8.
Edgar Condenso também poderá regressar, mas não na primeira prova. No T8, o campeão, César Sequeira tentou a passagem para o T2 mas vai voltar a defender o seu título no T8. Alexandre Mota vai desafiá-lo, numa lista que pode crescer com o evoluir do campeonato.
Depois de um ano de 2014 que trouxe um novo Campeão Absoluto à competição, Ricardo Porém, espera-se mais um bom ano no TT nacional, e muita luta para ver quem sucede no T1/Absoluto ao piloto da Bomcar, Alexandre Franco (T2), César Sequeira (T8) e à Filipe Sport, nas equipas.









