Após dois meses de interrupção, o WRC prossegue na Croácia para aquela que é a primeira prova do ano somente em asfalto (não com gelo e neve como o Rali de Monte Carlo)
onde os pilotos têm pela frente uma prova com diversos tipos de asfalto, quase sempre com diferentes condições de aderência, pelo que o desafio é interessante.
Depois do bom começo de alguns pilotos e equipas e outros titubeantes, importa antever o que pode suceder neste evento, sendo certo que a competitividade de Monte Carlo dá uma boa ideia quanto à Ford e Toyota sendo certo que a Hyundai teve tempo para resolver os seus problemas, resta saber se o conseguiu.
Curiosamente, o líder do campeonato, Kalle Rovanperä, despistou-se na PE1 deste rali o ano passado. As suas prestações até aqui no asfalto têm sido de altos e baixos, pelo que é difícil prever o que pode fazer. Sem pressão de ter que atacar, deve esperar para ver o que dá a prova e ver onde se encontra, adequando a sua prova a partir daí, mas é certo que vai andar pelo menos no top 5. Se fizer muito melhor que isso, faz de novo o que tem feito muitas vezes: surpreender-nos cada vez mais até ao momento que passamos a esperar tudo dele. Ainda não, mas os números são cada vez mais convincentes.
Thierry Neuville foi terceiro no ano passado, mas com um carro competitivo e comprovado. Este ano a dúvida é essa. Terá carro para fazer melhor? Se o Hyundai i20 N Rally1 estiver ao nível ou muito perto do Toyota e do Ford, o belga é favorito a vencer na Croácia.
Gus Greensmith chega à terceira prova do ano no terceiro lugar, foi sétimo na Croácia o ano passado e até aqui este ano tem estado na sua melhor forma de sempre, que ainda está muito longe para lutar sistematicamente no top 5. Parece-nos ser o piloto mais fraco no asfalto, do plantel dos Rally1.
Takamoto Katsuta foi sexto na Croácia o ano passado, tem melhorado todos os anos, é cada vez mais consistente mas ainda, de vez em quando, comete erros infantis. Este ano tem ficado longe dos erros, pelo menos os mais graves, mas em condições normais não fica acima de sexto.
Craig Breen foi oitavo o ano passado na Croácia e este ano é um dos favoritos a vencer. Talvez o mais, a par de Neuville, Evans e Tanak, isto se os carros tiverem andamentos similares. A sua presença no recente Rally Sanremo deu-lhe ritmo, mas na memória, terá a rotunda onde furou e se atrasou no ano passado.
Tem tudo o que precisa para vencer este ano, é um especialista de asfalto e tem um bom carro. Vamos ver o que faz.
Para Esapekka Lappi, a Croácia é uma novidade em termos de ralis. Já sabemos que o asfalto não é a sua praia, mas está muito motivado, é experiente e aprende depressa. Não nos parece que possa vencer, mas pode fazer uma boa prova.
Oliver Solberg não tem experiência nenhuma na Croácia, e ainda está longe de acompanhar os homens da frente no asfalto, mas será curioso ver como lhe sai a prova.
Elfyn Evans foi segundo o ano passado, batido apenas por Ogier, e por muito pouco, é este ano um dos favoritos a vencer, mas depois de duas más provas, está muito pressionado para vencer, ou no mínimo repetir 2021.
No Monte Carlo estava a lutar pelo triunfo antes de sair de estrada, pelo que deverá repetir isso na Croácia, de preferência sem o mesmo desfecho.
Ott Tänak foi quarto o ano passado, precisa desesperadamente de bons resultados e não temos dúvida que, se o carro estiver bem melhor, vai lutar pelo triunfo. Em condições normais julgamos que é o piloto mais rápido do plantel, mas não é isso que os seus resultados mostram há dois anos.
Depois do despiste de Monte Carlo, o Rali da Croácia do ano passado marcou a sua estreia com um WRC, foi quinto, portanto esta é a prova ideal para se reconciliar com os bons resultados. Se não estivesse com essa ‘nuvem negra’ que foi o acidente de Monte Carlo, talvez pudesse lutar pelo pódio.
Andamento, parece ter, mas um bom piloto de rali não se vê só pela rapidez que tem, mas também pela ‘cabeça’. No Monte Carlo achou que podia seguir de perto os big-boys, foi o que se viu…
Pierre-Louis Loubet disputou o Rali da Croácia o ano passado com um WRC, mas o resultado foi mau. Depois da Hyundai, tem nova oportunidade com a M-Sport. Vamos ver se as coisas mudam muito. Se não mudarem, o mal não é certamente do carro…











