‘Silly Season’ do WRC pode ser bem animada…

Por a 31 Julho 2017 12:30

Já se sabe que Malcolm Wilson tudo vai fazer para manter Sébastien Ogier na M-Sport, mas não vai ter tarefa fácil, e a pressão que o francês fez há algum tempo, quando disse que a Ford devia envolver-se novamente a nível oficial é um claro sinal que lhe falta alguma coisa, que teve nos quatro anos anteriores.

É muito fácil perceber que uma estrutura como a de Malcolm Wilson não tem um orçamento sequer, perto do que dispõem a Hyundai, Toyota e Citroën (mais as duas primeiras) e a este nível isso reflete-se muito.

A boa prestação de um piloto num troço de ralis depende de inúmeros fatores, e um bom exemplo que pode ser dado é o facto de Kris Meeke ter vencido o Rali da Finlândia o ano passado e nesta edição foi oitavo, “sem saber ler nem escrever”. Há muitos pequenos pormenores que afetam as prestações das equipas, e claramente o problema de Ogier na M-Sport não é só o facto de não ter sido ele a desenvolver o carro a seu gosto. São muitos outros pormenores que fazem diferença, e quando a M-Sport tem muito menos gente na equipa que ‘uma’ Toyota ou Hyundai isso tem que se refletir.

Que equipas têm os melhores mecânicos? Que equipas têm os melhores engenheiros? Na VW, era o melhor piloto com o melhor carro, e se aqui a diferença para os outros não era significativa, em tudo o resto sim, a VW era muito mais equipa que as ‘outras’ e isso refletiu-se ao longo de quatro anos e é isso que Ogier sente falta agora.

Entre o que vale Ogier como piloto e o conjunto onde está agora inserido, esse ‘conjunto’ já não sobressai como acontecia até o ano passado e por isso há o equilíbrio que se está a assistir. Ver o que ‘andam’ Ott Tanak, Elfyn Evans e agora Teemu Suninen, ‘diz’ que o Ford Fiesta WRC não é pior carro que o Hyundai, por exemplo, mas só Neuville está a tirar o melhor partido dele e a lutar pelo título.

Por isso, vamos ver o que decide Ogier, e já em setembro, que é o timing que traçou para decidir. Malcolm Wilson abriu o jogo com o francês e revelou-lhe o que está em cima da mesma para 2018 e agora resta esperar pela decisão. Já se fala numa possível oferta da Citroën a Ogier, na Toyota, Hänninen não deve durar muito apesar deste pódio, e no meio disto tudo ainda há Andreas Mikkelsen…

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15 comentários

  1. João Pereira

    31 Julho, 2017 at 15:35

    Estou convencido que Monsieur Matton e a Citröen vão faz€r d€ tudo para conv€nc€r€m Ogier a €squ€c€r o passado da era de Monsieur De Quesnel e mais recente quando foram os únicos a não o deixarem experimentar o carro de 2017 (a Hyundai não mostrou interesse em contratá-lo, e por isso não o fez), e ele irá mesmo para a equipa francesa, até porque a Red Bull deverá continuar interessada em pagar o ordenado do francês, e até já esteve associada à Citröen na altura de Raikkonen, e continua associada á Peugeot.
    Quanto à Toyota, está em alta já tendo ultrapassado os objectivos para 2017, e não acredito que considere necessário contratar a estrela a peso de ouro, mesmo que a Red Bull pague, porque isso significaria mudar a cor do(s) carro(s), e todos sabemos que a Toyota sempre gostou de manter o vermelho e branco.
    A Hyundai poderá estar algo farta da inconsistência de resultados de Neuville, principalmente porque no inicio da época, o belga tornou a andar algo “distraído com as paisagens”, o que lhe poderá ter custado o título. Para além disso, Paddon até agora só mostrou potencial para igualar o belga, ou seja, atirar o carro para a paisagem em grande velocidade. Quanto a Sordo está cada vez mais mediano, e agora já nem no asfalto faz a diferença. Por isso não me admiro se a Hyundai fizer uma proposta a Ogier, embora talvez se coloque aqui também a questão das cores, que talvez implique que a equipa suporte o salário do piloto para não tirar o azul tradicional da Coreia do Sul.
    No fundo, a silly season do WRC não deverá ser assim tão agitada, uma vez que praticamente só é preciso saber para onde vai Ogier e Mikkelsen. Quanto a mim, vão acabar os dois na Citröen para grande tristeza de Lefebvre ou Breen e Meeke, com este último a talvez conseguir fugir à reforma ao ocupar o lugar de Ogier na M-Sport, até porque já lá foi engenheiro e continua a relacionar-se bem com Malcom Wilson, para além de ser um dos pilotos mais baratos, experiente, bastante rápido e com excelentes conhecimentos técnicos. Se Ogier for para a Hyundai, isso poderá significar a reforma de Sordo, já que Paddon poderá continuar em estado de graça por ser jovem e um dia deverá amadurecer.
    Todos os outros pilotos jovens na esfera da M-Sport deverão continuar como até aqui, porque Wilson vai querer conservar Evans por ser britânico, Suninen porque está a mostrar enorme potencial e Tanak por estar a mostrar que merece estar onde está e não deverá ter melhor proposta.
    Há que considerar, que se Ogier for para a Toyota (Reitero que considero uma hipótese remota), Hanninen deveráficar em maus lençóis e Latvalla voltará a ficar nervoso.
    Também não podemos excluir a hipótese de a insatisfação de Ogier com o regulamento que tanto o penaliza, o faça bater a porta dos ralis e surpreendentemente dê um rumo diferente à sua carreira no desporto, coisa que a FIA até gostaria, porque as coisas ficariam equilibradas e não teriam de gramar a atitude refilona do enorme piloto que todos temos que reconhecer em Ogier, infelizmente, ele até é mais que um piloto, porque se tornou um factor, o factor Ogier.
    Por tudo o que expus, Sr. Abreu, acho que não vai haver assim tanta animação, porque tudo se vai centrar na escolha de Ogier e na colocação de Mikkelsen, afectando muito pouco as formações em relação a 2017, a não ser a M-sport que certamente vai perder a sua maior valia.

    • Mcrae

      31 Julho, 2017 at 16:41

      Se o Neuville for campeão o Ogier para o ano já não tem que se queixar por ser mais prejudicado.
      Vamos ver os próximos desenvolvimentos, parece-me que o Ogier se não ficar na M-Sport, regresse à Citroen. Não me parece que para uma das outras equipas.

      • miguelgaspar

        31 Julho, 2017 at 17:44

        Este ano o Ogier não se pode queixar, mudaram as regras das ordens de saida a pedido dele… e ainda lhe deram bonus nas power stage… agora são 5 pontos para o vencedor.

    • Ze

      31 Julho, 2017 at 18:39

      Que comentário sem lógica, o Neuville tem contrato com a Hyundai assim como o Paddon, nunca o Ogier irá para a Hyundai.
      Para mim tudo ficará praticamente na mesma.
      Até porque penso que o Neuville será o campeão do mundo este ano, é bom ver o WRC com esta juventude toda a Mostrar serviço e qualidade.

      Vai a minha aposta:

      Hyundai: Thierry, Haydon e Dani
      M-Sport: Ogier, Tanak e Suninen
      Toyota: Latvala, Esapeka e Lefebre
      Citroen: Andreas, Kris e Breen
      D-MACK: Elfyn Evans
      Jipocar/One : Mads e Martin P.
      FWRT: Lorenzo Bertelli

      • João Pereira

        31 Julho, 2017 at 19:24

        E onde no meu comentário sugeri que Neuville ou Paddon deixariam a Hyundai? Limitei-me a dizer que a Hyundai deve estar farta da inconsistência de Neuville e poderia tentar levar Ogier para a equipa ás custas de Sordo, no entanto deixei bem claro que o mais provavel é o regresso deste à Citröen ás custas de Meeke, e a entrada de Mikkelsen ás custas de Lefebvre ou Breen, mas eu até acho que Breen fica e Lefebvre sai se entrar Ogier, por deixar de ser necessário manter o francês pela nacionalidade. Até deixei claro que seria lógica a entrada de Meeke na M-Sport por “troca” com Ogier. Ora leia lá com atenção (se quiser claro).
        No entanto, o meu comentário é apenas uma opinião, que não tem que ser lógica para si. O que de facto não tem lógica é o Sr. Abreu pretender que a silly season vai ser bem animada, quando não é previsível mais que uma transferência entre os pilotos principais.

    • G-rod_dj

      31 Julho, 2017 at 21:19

      Não me parece nada lógico que o Ogier queira sair do melhor carro (como o Tanak, Elfin e Brinldsen, têm provado) para se ir enfiar no maior charuto (citroën). Acho mais fácil a Ford reforçar o apoio e manter o Ogier, que iria ter mais tempo para desenvolver o carro a seu jeito.
      A entrar na Hyundai iria colocar-se numa posição muito ingrata e expor-se à comparação com o Neuville que, para mim, é o piloto mais competente (do momento).
      Quanto à Toyota talvez fosse a melhor hipótese… mas continuo a achar que, para isso, mais valia ficar na M-Sport.

      • João Pereira

        1 Agosto, 2017 at 23:10

        Caro g-rod, o que não me parece nada lógico, é a Ford investir a sério num programa desporivo, porque seria a primeira vez.
        Vamos ficar pelos ralis, e sabemos que a Ford foi campeã do mundo, quando entregou a sua representação a David Suton, que garantiu o patrocínio da Rothmans, com motores do Terry Hoyle, que já era o fornecedor de motores para a Ford, quando era Boreham que fazia correr os carros de fábrica.
        A Ford nunca vai investir, como todos sabemos, mas a Citröen vai. A Citröen vai investir, porque como todos sabemos, a Citröen desde que foi ao Dakar com os restos da Peugeot, e depois entrou no WRC, tem que ganhar e não olha a meios.
        A M-Sport tem feito excelentes carros de rally, e até de GT3, como ficou provado este fim de semana em Spa, mas nos ralis, vive do seu negócio de Rent-a-Rallycar, e para manter o seu negócio precisa de uma carroceria, e até está em estado de graça (e a Ford também)no WRC, por os outros construtores permitirem que eles sejam construtor, quando são uma mera equipa, que tem a Ford como um pequeno patrocinador.
        O carro é bom, mas o Hyundai é melhor (Neuville é que bateu nas primeiras 3 provas). A equipa não tem o apoio de um construtor, nem vai ter, porque o construtor que devia apoiar, não vai fazê-lo apenas porque a coisa funciona assim: Os carros conseguem bons resultados como privados e isso é melhor que perder o campeonato oficialmente.
        Ogier vai para a Citröen, porque a Citröen quer ganhar, e a Red Bull até lhe paga o ordenado para ele ir para onde quiser, e nem a Hyundai, nem a Toyota estâo a precisar dele, e a M-Sport não tem a estrutura que ele quer. Se Ogier ficar na M-Sport, vai ser apenas porque não perdoou a Citröen por Mr De Qusenel, e por não lhe terem deixado testar o C3 no final de 2016.
        Sinceramente, não descarto a possibilidade de um ano sabático, ou uma reviravolta na carreira de Ogier.
        Um conselho: Deixe-se lá de Ford como marca no desporto automóvel, porque dificilmente foram mais que um mero patrocinador, desde os tempos dos Cobra de Shelby, até aos nossos dias com os GT de Ganassi em GTE ou Imsa, ou na Nascar com os motores de Rousch.
        Sou grande fan dos Escort MkI e II, carros fantásticos, mas cuja preparação sempre foi subcontratada.
        Cumprimentos.

        • G-rod_dj

          2 Agosto, 2017 at 4:43

          Isso é uma visão demasiado pessimista. Acredito que é bom conhecer a história, que acaba por ser cíclica. Precisamente por isso é que acho que a Ford não vai cometer os mesmos erros, até porque já houve altos dirigentes a dizer que tinham que repensar a estratégia (em Monte Carlo), quem sabe se não seria uma primeira vez. Aliás, diz-se que até é o Malcom Wilson que coloca mais entraves, porque não quer perder autonomia.

          Contudo, é precisamente por causa dessa atitude da Citroën (quero, posso e compro) que espero bem que tenham muitos mais anos como este. Não gosto da sobranceria e chauvinismo deles, muito menos a atitude de investirem até afogar os outros concorrentes. (também é por isso que não gosto do grupo VAG)

          Tal como o WEC está a mostrar: a contenção de custos e ajudar garagistas, como o Mr. Wilson, TEM que ser prioridades para o futuro.

          PS. Quanto ao melhor carro, apesar de estarem muito equilibrados, acho que o Neuville está a colocar o i20 acima das suas potencialidades (por isso é que o Sordo só tem resultados medianos, e o KiWi se farta de bater). Já o Fiesta, qualquer um dos pilotos (menos o Bertelli) já conseguiu fazer brilharetes. E apesar de achar que o Evans e o Brinildsen têm muito potencial, ainda não me parece que consigam estar tão perto do Ogier (que está a andar menos do que pode, porque não desenvolveu o carro) e Tanak. é por isso que acho o fiesta o melhor WRC actual (por pequena margem) ou, pelo menos, o mais fácil de explorar bem.

          • João Pereira

            2 Agosto, 2017 at 11:10

            Escort MkI, II, RS1700T (nado morto), RS200, Sierra Cosworth, Sierra Cosworth 4×4, Escort Cosworth, Focus MkI e II e por último os Fiestas, todos eles excelentes automóveis de ralis, e todos padeceram do mesmo mal: falta de investimento por parte da Ford.
            Quer exemplos fora dos ralis?
            – F1: Motor V6 1.5 turbo, Stewart, Jaguar, bem como os V8 Cosworth 3.5 da era pós turbo. Não incluo aqui o Cosworth V8 2.4, porque esse foi uma negociata entre Max Mosley e a Cosworth sem envolver a marca Ford.
            – Sport Protótipos: Ford C100 (recentemente falado aqui no AS)
            Sucessos?
            – Shelby Cobra foi ideia de Carrol Shelby que apenas contou com o apoio da Ford no fornecimento das “bigornas” V8 427ci para instalar nos pequenos AC ingleses.
            – GT40 resultou de uma birra entre Henry Ford e Enzo Ferrari, por isso houve investimento por parte da Ford, que encomendou os carros à Lola de Eric Broadley, para voltar a instalar as suas “bigornas”.
            – Cosworth DFV F1 e Sport Prótotipos, vendiam-se tantos motores a clientes, que até pareciam pãezinhos quentes, por isso em vez de ser um custo, rapidamente passou a ser um negócio sustentável para a Cosworth e publicidade sem custos para a Ford, um pouco como a M-sport nos ralis, que é perfeitamente sustentável com mo seu negócio de vendas e Rent-a-Rallycar e a Ford beneficia da publicidade praticamente gratuita.
            Por tudo isto, é que eu digo que quem espera um grande envolvimento nos ralis por parte da Ford, pode tirar o cavalinho da chuva. No entanto, se acontecer, ficarei muito surpreso (e não serei o único) se esse apoio for substancial, mas nunca comerei o meu chapéu ou algo parecido.
            Mas é claro que esta é apenas a minha opinião, e se valesse alguma coisa, eu cobrava por ela como fazem os advogados e os médicos, não a dava aqui gratuitamente.
            É preciso é boas corridas, ganhe quem ganhar.
            Cumprimentos.

          • G-rod_dj

            2 Agosto, 2017 at 11:15

            Exacto… todas as opiniões são validas e contribuem para uma discussão salutar. No que diz acerca da Ford, ao contrário do Ernie, eu prefiro ver o copo meio cheio…

          • João Pereira

            2 Agosto, 2017 at 14:52

            E venham mais boas corridas. E boas conversas também. Cumps.

  2. fjdnt123

    31 Julho, 2017 at 17:35

    A todos os responsáveis pelas 4 actuais marcas do WRC, eu daqui lanço o meu apelo, para que contratem o alexey lukyanuk, garantindo assim para todos, uma época de 2018 verdadeiramente silly.

    ps. E depois do acidente ainda deve vir melhor !!!

    • fjdnt123

      1 Agosto, 2017 at 13:27

      Os “likes” no Autosport são verdadeiramente interessantes principalmente quando são dados por quem provávelmente não percebe uma ironia. “Postando” agora sériamente para que serve o ERC
      senão para promover pilotos para o escalão principal ?
      Lembram-se do Evgeny Novikov que foi piloto oficial M-SPORT nos anos de 2012 e 2013 e que era extremamente rápido (a bater incluido)?. A escola Russa de rallyes está cheia de “lukyanuks” que nos dias em que conseguem colocar todo o virtuosismo dentro dos limites da estrada ninguém os agarra. Gostava francamente de o ver disputar o WRC2 no escalão principal. E os chapeiros decerto também…

    • [email protected]

      4 Agosto, 2017 at 12:54

      Claro que vem bem melhor e a prova disso é que hoje dia 4 mandou mais um Fiesta para o lixo. O Alexey é um piloto rapidissimo, mas ainda vai ter que continuar o “estágio” por mais um ano ou dois para ganhar consistência.

  3. [email protected]

    31 Julho, 2017 at 22:21

    O Ogier, certamente vai ficar onde está, a Ford vai acordar para a realidade (nº de vendas), quer em competição e em viaturas de série.
    Não existe outro Malcom wilson para dar á Ford tanta visibilidade em competição e fora dela.
    Quanto ao Sr. Ogier, só tem que fazer mais com menos.

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