Poucos terão sido os fãs de ralis, e de corridas em geral, que não sorriram ao ver a vitória de Oliver Solberg na Estónia. Numa altura em que tanto se fala do que é necessário para revitalizar o WRC, a resposta não podia ter sido dada de forma mais simples e clara. É preciso mais disto!
Depois das lágrimas da primeira vitória numa especial a “doer”, Solberg embalou para uma vitória há muito sonhada e desejada. O jovem piloto, que entre azares e momentos menos felizes parecia caminhar para o lote de promessas por cumprir, na Estónia conseguiu vencer, enfrentando uma prova exigente e, acima de tudo, as inseguranças, o nervosismo e a pressão. No final, mais lágrimas de alegria pelo feito impressionante.
Em 2022, correu pela Hyundai na categoria principal, mas acabou por regressar ao WRC2 após sair da equipa principal. Em 2025, aos 23 anos, foi chamado pela Toyota como “wild card” para disputar o Rali da Estónia e surpreendeu ao conquistar a sua primeira vitória à geral no WRC, tornando-se o terceiro piloto mais jovem da história a vencer uma etapa do Mundial. Este triunfo aconteceu no seu 13.º rali na categoria Rally1, demonstrando grande talento e resiliência após um período afastado da elite. A vitória de Solberg revisita o sucesso da família na modalidade, acontecendo exatamente 20 anos depois de o seu pai, Peter Solberg, se sagrar campeão do mundo. Coincidências felizes.
Uma história que pode atrair mais fãs
Por muito que sejamos atraídos pelas máquinas, pelo som, pela potência, pela engenharia, o interesse central das corridas são os pilotos. O fator humano é fulcral para nos prender aos ecrãs. Podemos ficar impressionados ao ver as máquinas a passar, mas a admiração pelos homens e mulheres do volante é sempre superior à admiração pela máquina. E o WRC, que passa por uma fase de redefinição e de procura de um rumo que traga de volta os “velhos tempos”, tem nas suas fileiras alguns dos melhores do mundo. Os ralis são uma das modalidades mais espetaculares do motorsport, mas atravessa uma fase de menor fulgor. Este triunfo do carismático Solberg tem de ser aproveitado e transformado numa porta de entrada de novos fãs.
Fator humano fundamental
A F1 não saiu do marasmo criado pelos últimos anos da era Ecclestone graças aos carros ou à tecnologia. A componente humana foi realçada, aproveitada ao máximo com a Liberty Media. Os fãs “Drive to Survive” trouxeram um público que parecia inatingível. São já inúmeras as vezes que ouvimos alguém dizer que começou a seguir a F1 porque viu a série e gostou deste ou daquele piloto.
É este ingrediente que os ralis devem aproveitar e este triunfo de Solberg é uma pedrada no charco. Para os fãs que conhecem a fundo a modalidade pode parecer exagerado fazer deste triunfo um momento de mudança. Mas para quem não segue os ralis, ver um jovem em lágrimas por ter vencido, provoca curiosidade.
E a curiosos encontrarão a história de superação de um jovem piloto, filho de um campeão que também teve de se superar para vencer. Este é apenas um aperitivo para as centenas de histórias fantásticas dos ralis. Mas é preciso apelar ao interesse e a emoção é fundamental para atrair novos “clientes”. Mais do que mais uma bela história dos ralis, este pode ser um momento que deve ser aproveitado ao máximo para reavivar a chama do WRC, pois a paixão do jovem Solberg pode acender o interesse de novos fãs.










