Carlos Sainz foi votado pelos adeptos do WRC como o melhor piloto da história da modalidade. Numa votação online em que participaram mais de 300.000 pessoas, o espanhol levou a melhor sobre Sébastien Loeb, na ‘final’ da ‘competição.
Há precisamente um mês, o WRC.com lançou uma votação online em que os adeptos poderiam escolher quem foi, quanto a si, o Melhor Piloto da História do Mundial de Ralis, e para isso abriu votações ao público em geral, e a um painel de jornalistas especializados que também votaram numa série de ‘confrontos’, por eliminação, até se chegar ao vencedor final.
O voto dos adeptos contou 40% do resultado em cada confronto e os votos dos seis jornalistas especializados, contaram 10% cada um e dessa ponderação, saiu o resultado final. O painel de jornalistas especializados da WRC era composto por Julian Porter (comentador e radialista da WRC, Reino Unido), Marco Giordo (revista Autosprint, Itália), Reiner Kuhn (Motorsport aktuell, Alemanha) David Evans (DirtFish, EUA), Loic Rocci (AUTOhebdo, França) e José-Manuel Gonzàlez (WRC+ All Live, Espanha).

Foram inicialmente escolhidos os 18 pilotos Campeões do Mundo de Ralis, desde que foi introduzido o título mundial de pilotos FIA em 1979, e a eles juntaram-se uma espécie de ‘wildcard’, pilotos que foram considerados pelos seus feitos na história do WRC, mesmo que não tenham sido campeões. No total, foram nomeados os 20 melhores pilotos do desporto e a premissa era simples: Todos são ou foram grandes pilotos do WRC, mas quem era o melhor de todos?
Aqui, já sabíamos que não são só os números – como vamos perceber mais à frente – que constroem o mito. Há muitas outras variantes que alteram ou reforçam a perceção dos adeptos e a vitória de Carlos Sainz, bicampeão do Mundo de Ralis, face a Sébastian Loeb, nove vezes Campeão do Mundo de Ralis, diz bem do que foi esta ‘democracia’.
A perceção dos adeptos votantes levou a que um piloto nove vezes Campeão do Mundo de Ralis perdesse uma votação face a outro que foi duas vezes campeão, e à frente deles, com números bem melhores tinha nomes como Tommi Makkinen e Juha Kannkunen (4 títulos mundiais cada), Sébastien Ogier (6 títulos mundiais) e Sébastien Loeb (9 títulos mundiais).
Aqui, podemos questionar. O define o melhor piloto de todos os tempos? Os títulos mundiais, as vitórias em ralis? Ou outros fatores, como a velocidade pura velocidade, bravura, bom senso tático, simpatia, aptidão mecânica ou técnica. Ou todos estes items juntos?
Um sorteio ao estilo de torneio, levou os 20 pilotos a uma competição frente a frente, uns contra os outros, por eliminação direta.
Os 20 pilotos foram escolhidos com base nos seus títulos, vitórias em ralis e pódios. Os oito mais com números mais ‘baixos’ participaram numa ronda de qualificação, com os quatro vencedores desses duelos a juntarem-se aos 12 primeiros, na primeira ronda. Aqui, quatro, ficaram de imediato pelo caminho. Os oito vencedores da primeira ronda avançaram para os quartos-de-final, seguidos das meias-finais. A final revelarou “O Melhor Piloto de Sempre do WRC”
Os pilotos eram: 1. Sébastien Loeb; 2. Sébastien Ogier; 3. Tommi Mäkinen; 4. Juha Kankkunen; 5. Marcus Grönholm; 6. Carlos Sainz; 7. Miki Biasion; 8. Walter Röhrl; 9. Colin McRae; 10. Didier Auriol; 11. Hannu Mikkola; 12. Björn Waldegård; 13. Petter Solberg; 14. Ott Tänak; 15. Stig Blomqvist; 16. Timo Salonen; 17. Ari Vatanen; 18. Richard Burns; 19. Markku Alén; 20. Jari-Matti Latvala.
Os primeiros duelos colocaram frente da frente Petter Solberg vs Jari-Matti Latvala; Ott Tänak vs Markku Alén; Stig Blomqvist vs Ari Vatanen e
Timo Salonen vs Richard Burns.
Na ‘fase final’, nos oitavos, Sébastien Loeb bateu consecutivamente Richard Burns, Walter Rohrl e nas meias finais, Juha Kankkunen.
Carlos Sainz eliminou Hannu Mikkola, Tommi Makinen e Sébastien Ogier.
Na final, equilibrada, como se esperava, o bicampeão do Mundo espanhol, derrotou Sébastien Loeb com 57,28% dos votos, num grande clímax da competição.
A competição capturou o interesse dos adeptos em todo o mundo com mais de 80.000 votos expressos na final. No total, mais de 300.000 votos foram obtidos durante o torneio, organizado pelo Promotor do WRC: “Não posso estar mais feliz e orgulhoso com este reconhecimento”, disse Carlos Sainz, de 58 anos, aos adeptos: “Muito obrigado por me trazerem primeiro à final e, claro, em segundo lugar por me permitirem ganhar este reconhecimento contra Sébastien Loeb. Não preciso de vos dizer o quanto avalio Sébastien Loeb e o quanto ele merece ser o maior. Mas não só ele, todos os campeões do mundo merecem este reconhecimento. Mas alguém tem de ganhar e, neste caso, fui eu.
Dei tudo de mim para me mobilizar durante todos estes anos. Os ralis foram a minha vida, os ralis têm sido o meu sonho e hoje os ralis e toda a família dos ralis deu-me um grande sorriso e este grande reconhecimento”, acrescentou Sainz.
El Matador…
Carlos Sainz, apelidado de El Matador, conquistou o título mundial de pilotos em 1990 e 1992 com a Toyota e registou 26 vitórias no WRC depois de disputar 196 provas, a primeira delas em Portugal, 1987. Foi um dos mais consistentes ‘players’ do WRC e não teve mais títulos por mero acaso, como por exemplo em 1998, quando viu o motor do seu Toyota Corolla WRC calar-se a 300 metros do final do rali. Terminou em segundo ou terceiro no campeonato em nove ocasiões e boa parte do reconhecimento vem daí, de ter andado anos e anos a fio na luta contra autênticos ‘monstros’ dos ralis. Carlos Sainz subiu ao pódio em quase metade dos ralis que iniciou e foi sempre conhecido pela sua atenção aos detalhes e preparação prévia dos eventos.
A inteligência global dos adeptos votantes entendeu valorizar muito mais o facto de Carlos Sainz ter tido a carreira que teve frente a outros grandes pilotos, não um ou dois, mas meia dúzia ou mais, todos capazes de vencer ralis ou ser campeões e isso terá feito toda a diferença.
Quem olhar puramente para os números, nove títulos são muito diferentes de dois, mas o valor da ‘democracia’ vale sempre mais.
No entanto, convém aqui não esquecer que os seis jornalistas escolhidos valeram 60% dos votos, e por muito experientes e conhecedores que sejam, parece-nos demais que seis cabeças valham mais que 80.000 votantes, o número de adeptos que votou na final. Não sabemos, porque não foi divulgado publicamente, como ficou a votação em cada uma das ‘partes’, mas era interessante saber.
Respeitamos a votação, Carlos Sainz é um piloto enorme, mas teríamos mais facilmente aceitado a vitória de Carlos Sainz com uma percentagem muito maior atribuída aos adeptos para as contas finais. Não dizemos, porque não sabemos, se a votação fosse totalmente dos adeptos, se o resultado seria o mesmo, se calhar sim, mas nunca o sabermos. Seja como for, as palavras de Sainz dizem tudo…
O diretor-geral do Promotor do WRC, Oliver Ciesla ficou surpreendido pela enorme resposta à competição: “Em primeiro lugar, as minhas felicitações ao Carlos Sainz por acrescentar o título de O Melhor Piloto de Sempre da História do WRC” às suas inúmeras conquistas. Ele já era uma lenda do WRC graças à sua incrível capacidade de pilotagem nos terrenos mais brutalmente duros e implacáveis do planeta. Este elogio confirma a estima em que ele é tido tanto por adeptos como por jornalistas”. Ele é conhecido como o Rei Carlos – agora ele é oficialmente o Rei do WRC!
Sébastien Loeb é estatisticamente o piloto de maior sucesso na história do WRC, mas nós queríamos que os fãs pensassem além dos números na escolha dos seus maiores. A popularidade desta competição excedeu em muito as nossas esperanças. Queríamos que ela proporcionasse alguma diversão para os nossos adeptos quando não houvesse ação no WRC, mas a sua popularidade cresceu e cresceu em toda a imprensa. Receber mais de 300.000 votos ao longo de um mês é notável, por isso um grande obrigado a todos os que participaram”, acrescentou Ciesla.









