A McLaren lançou uma nova divisão focada em superar os desafios colocados pelas unidades motrizes Mercedes na Fórmula 1. A equipa de Woking é cliente da Mercedes, uma das quatro equipas na atual grelha fornecidas pelo departamento de motores dos Flechas de Prata, e enfrentou já uma série de problemas de fiabilidade esta temporada, muitos deles atribuídos à unidade Mercedes, que também tem enfrentado dificuldades próprias de fiabilidade.
Depois de terem introduzido múltiplas atualizações no chassis ao longo da temporada, a McLaren acredita também existir potencial ainda não explorado na sua unidade motriz, o que motivou a criação deste novo departamento interno. Segundo o diretor técnico de desempenho da McLaren, Mark Temple, o objetivo desta nova unidade dentro da equipa é extrair cada resquício de desempenho possível da motorização.
Temple confirmou, no site oficial da equipa, a criação de novas funções: “Há novas funções. Temos agora uma equipa de desempenho da unidade motriz, que não tínhamos antes. Estão focados em compreender como conseguimos extrair o máximo. Vão estudar dados de pista e trabalhar com a engenharia de corrida, mas também usar o nosso simulador e ferramentas offline para maximizar o nosso desempenho. É definitivamente um novo conjunto de competências, e uma nova forma de trabalhar — porque estas são coisas com as quais antes não precisávamos realmente de nos preocupar”
Temple revelou ainda que esta equipa trabalha em estreita ligação com o departamento de motorização da Mercedes: “É um grupo de pessoas na McLaren que trabalha muito de perto com a HPP (High Performance Powertrains). Como atividade normal, a HPP faz simulações e apresenta uma configuração para um determinado evento e uma sessão específica, apresentando uma multiplicidade de opções diferentes sobre a melhor forma de usar a energia ao longo da volta. Depois queremos verificar isso com as nossas próprias ferramentas, e os requisitos específicos do MCL40, além de variáveis como a direção do vento, o nível de aderência, a quantidade de combustível no depósito, e assim por diante.”
Temple concluiu descrevendo o resultado final desse processo colaborativo: “Assim, exploramos todos esses fatores e comparamo-los com o que consideramos ótimo, e depois fazemos recomendações aos nossos engenheiros de corrida junto com os engenheiros da HPP. É um processo muito colaborativo — mas usamos algumas das nossas ferramentas de forma diferente, e temos mesmo ferramentas ligeiramente diferentes, das da HPP, por isso é uma combinação das duas abordagens.”
Este é mais um exemplo que evidencia a complexidade das unidades motrizes atuais, exigindo de uma equipa cliente, uma divisão dedicada a entender os motores, considerando que o que vem apenas do fornecedor é insuficiente.
Foto: Philippe Nanchino / MPSA










