A Toyota deverá colocar um ponto final à infindável lista de rumores que circularam nos últimos dois anos e que davam como certo o regresso da marca nipónica ao WRC, e vai mesmo anunciar o seu regresso ao WRC em 2017. Está agendada para a próxima sexta-feita a habitual conferência de imprensa de apresentação do programa desportivo da marca no Mundial de Endurance para 2015, e deverá ser aí que será feito o tão esperado anúncio…
O protótipo do Yaris WRC há muito anda em testes, que têm servido só para aprender e ganhar experiência a todos os envolvidos no projeto. Já estão assegurados dois pilotos jovens, Eric Camilli e o finlandês vencer do WRC3 no Rali da Finlândia, Teemu Suninen, vencedor do WRC, ainda que nenhum esteja confirmado oficialmente, aliás, como nada o está neste projeto. Kevin Abbring também esteve com um pé na Toyota mas como a equipa japonesa não tinha o seu regresso ao WRC completamente assegurado, o holandês preferiu optar por um papel secundário na Hyundai, na esperança de vir a ser promovido nos próximos anos. De qualquer forma no futuro a Toyota deverá fazer valer-se de pilotos mais experientes, não fazendo é sentido que contrate pilotos experientes a esta distância do regresso.
De acordo com a revista alemã Rallye Magazin, a Toyota vai fazer uma parceria com a Oreca, que já trabalha com a TMG no Mundial de Endurance. Fica por saber se depois de tanto tempo a testar com um protótipo Yaris WRC, qual será o carro escolhido para o regresso: “As coisas estão a mexer-se dentro da Toyota. O presidente [Akio] nunca escondeu a sua paixão pelos ralis e o seu desejo de fazer a Toyota voltar.” Para já, o que de facto se sabe é que a Toyota Motorsport GmbH confirmou a sua intenção de intensificar os testes do Yaris WRC, que já foi visto em ação durante este ano, disse um porta-voz da marca há algumas semanas.
Tudo partiu de uma experiência
A especulação relativamente ao envolvimento da Toyota nos ralis esteve mais relacionado com a iniciativa da Toyota Motorsports GmbH (TMG) do que com ordens diretas da casa-mãe no Japão, mas a verdade é que parece ter resultado. Sediada em Colónia, a TMG é a estrutura europeia da marca para a competição e ganhou mediatismo quando se tornou uma das maiores equipas a operar na Fórmula 1. Como se sabe, o projeto na disciplina máxima do automobilismo terminou em 2009 sem o sucesso que o investimento milionário da Toyota faria supor. As instalações na Alemanha também são a base da equipa que compete em Le Mans e no WEC mas recentemente o espaço de 30.000 m2 recebeu alguns ‘visitantes’ mais vocacionados para os troços de ralis, onde a Toyota gozou os seus principais êxitos desportivos.
Tudo começou quando a TMG quis perceber se o Yaris seria demasiado pequeno para ser convertido num S2000, numa altura em que as filiais da Toyota na África do Sul e Austrália já tinham adaptado modelos Corolla e Auris aos ralis. O projeto acabou por perder força à medida que os S2000 também se tornaram menos relevantes para a FIA, mas a ideia do motor global 1.6 turbo de injeção direta reavivou o interesse da TMG. Os engenheiros da marca construíram um motor experimental e, na prática, o verdadeiro ‘burburinho’ mediático começou quando se soube que a TMG acoplou esse motor a um chassis Yaris de tração integral, dando origem a um WRC para testes.
O objetivo era apenas recolher informação de um carro-laboratório mas com o pedigree da Toyota nos ralis, os adeptos suspiraram por mais um nome ‘grande’ de volta ao WRC. A realidade quanto ao carro parece, no entanto, bem menos ‘romântica’, como nos confirmou Alastair Moffitt, diretor de Marketing e Comunicação da TMG: “Não temos qualquer indicação do Japão de que este modelo venha a ser usado em competição. O Yaris WRC não será homologado”, referiu. De qualquer forma, para que um modelo seja homologado, há que registar um construtor na FIA e para isso não basta desenvolver um novo carro – é preciso montar toda uma equipa do zero (à semelhança do que fez a Hyundai)…
Um momento significativo na reaproximação da Toyota ao WRC foi a presença do presidente executivo do gigante nipónico no Rali da Finlândia. Akio Toyoda, neto do fundador da Toyota Motors, pediu a Tommi Mäkinen para construir um GT86 de quatro rodas motrizes e o tetracampeão do Mundo pilotou o carro – na prática, um Subaru Impreza de Grupo N com carroçaria Toyota – nas especiais finlandesas com Toyoda na bacquet do lado direito. Mas a versão que passou mesmo à fase de produção foi o GT86 CS-R3, o primeiro R3 de tração traseira do mundo, e que foi um dos carros de segurança no último Rali da Alemanha, com Isolde Holderied ao volante. O GT86 CS-R3 foi homologado no início de 2015 e já tem um troféu confirmado em solo alemão. Contudo, Alastair Moffitt, da TMG, confirmou que o carro será comercializado em formato de kit e não como produto acabado: “Este é um projeto que oferece uma excelente relação qualidade-preço para o cliente. O conceito de o fornecermos em kit é a nossa proposta de compromisso (ndr, para baixar os custos)”, explicou Moffitt.
Curiosamente, cumprem-se agora 41 anos desde que um piloto privado ganhou um rali do Mundial com um Toyota, assistido por um pequeno grupo de amigos, e há quase 40 anos a Toyota Team Europe vencia a sua primeira prova do WRC com um Corolla inscrito à última hora como favor pessoal a Hannu Mikkola, depois do Grupo FIAT ter subitamente cancelado os seus planos para participar no Rali dos 1000 Lagos.








