O Rali de Castelo Branco estabeleceu-se como uma das placas giratórias mais importantes do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), marcando tradicionalmente a transição dos pisos de terra para as exigentes e velozes classificativas de asfalto da Beira Baixa.
Ao longo das últimas cinco edições, a prova organizada pela Escuderia Castelo Branco desenhou um panorama de enorme maturidade desportiva, vincado por uma rivalidade acesa entre consagrados campeões nacionais e a forte intromissão de estrelas internacionais.
O evento tem sido palco de dramas mecânicos de última hora, escolhas de pneus ditadas por condições meteorológicas extremas – para o lado do calor – e exibições de pilotagem ao milésimo, consolidando o seu estatuto de ponto de viragem crucial nas contas do título
Resumo histórico das últimas 5 edições
2021: a consistência de Araújo e a rasteira do asfalto húmido
A edição de 2021 ficou marcada por condições meteorológicas altamente instáveis e por uma reviravolta dramática no segundo dia de prova. No sábado, uma forte trovoada e chuva intensa inundaram o asfalto, provocando múltiplos atrasos e incidentes que forçaram o cancelamento de especiais para o campeonato regional.
No domingo, sob um calor abrasador, José Pedro Fontes (Citroën C3 Rally2) desferiu um ataque fortíssimo, assumindo a liderança e perfilando-se como a grande figura da prova.
Contudo, o momento chave deu-se na sexta classificativa. Sendo o primeiro na estrada, Fontes foi surpreendido por uma zona húmida — herança da chuva da madrugada —, fez um pião e perdeu 19,6 segundos.
Armindo Araújo, em Skoda Fabia R5 evo, apanhou o mesmo susto no local, mas conseguiu segurar o carro e herdou um comando que geriu com pinças até ao final, carimbando a sua terceira vitória consecutiva em Castelo Branco. Ricardo Teodósio reagiu tarde aos problemas de telemetria sofridos no sábado e fechou no segundo posto, à frente do azarado Fontes. Nos duas rodas motrizes (2WD), Carlos Fernandes venceu com autoridade.
2022: Sobrevivência a 40 Graus e o Azar de Magalhães
O termómetro a rondar os 40 °C à sombra — e mais de 60 °C no interior dos habitáculos — transformou a edição de 2022 numa autêntica prova de sobrevivência física e mecânica.
Armindo Araújo assumiu a liderança logo no segundo troço de sábado, mas viu-se sob o ataque feroz de Bruno Magalhães (Hyundai i20 N Rally2), que recorreu a uma escolha bem-sucedida de pneus de composto macio ao final do dia para reduzir a desvantagem para escassos 2,2 segundos.
A expectativa de um duelo épico para domingo desvaneceu-se logo na primeira especial da manhã, quando Magalhães sofreu um furo lento, perdeu 40 segundos e entregou o caminho livre a Araújo para embalar rumo ao título. José Pedro Fontes garantiu nova segunda posição, demonstrando a sua rapidez natural no asfalto, enquanto Miguel Correia fechou o pódio absoluto.
O rali foi também marcado pelo violento acidente de Ricardo Teodósio na última classificativa e pelos problemas de suspensão que ditaram o abandono precoce de Paulo Neto.
2023: Estreia de Kris Meeke e a reviravolta de Bernardo Sousa
Em 2023, o Rali de Castelo Branco assistiu à primeira vitória do experiente piloto britânico Kris Meeke (Hyundai i20 N Rally2) na Beira Baixa. Integrado na Team Hyundai Portugal, Meeke liderou de fio a pavio e venceu 10 das 12 classificativas, gerindo com mestria alguns problemas crónicos com o pedal de travão do seu carro.
Atrás do britânico, gerou-se uma das batalhas mais empolgantes da história recente do CPR.
Ricardo Teodósio segurou a segunda posição durante grande parte do rali, mas uma penalização por falsa partida e uma quebra na bomba de gasolina atiraram-no para quarto na última especial.
Quem capitalizou foi Bernardo Sousa (Citroën C3 Rally2), que executou uma Power Stage irrepreensível, galgando duas posições de uma assentada para garantir o segundo lugar do pódio, relegando José Pedro Fontes para terceiro por escassos 0,9 segundos
2024: Problema mecânico de Meeke entrega triunfo a Araújo
A edição de 2024 parecia firmemente destinada a Kris Meeke. O piloto da Hyundai entrou ao ataque no domingo e construiu um avanço confortável de 22,4 segundos sobre a concorrência. No entanto, a mecânica traiu o irlandês na nona especial (Chão da Vã – Sarzedas 2), com uma avaria no cabo do acelerador a ditar uma enorme perda de tempo e a deitar por terra as suas hipóteses de vitória.
Atento aos acontecimentos e envolvido numa luta ao décimo de segundo com José Pedro Fontes, Armindo Araújo (Skoda Fabia RS Rally2) assumiu o comando da prova.
Na Power Stage decisiva, Araújo defendeu com unhas e dentes a magra vantagem, perdendo apenas 0,2 segundos para Fontes para arrecadar a sua primeira vitória do ano por uma diferença final de 11,9 segundos.
O espanhol Roberto Blach fechou o pódio, enquanto o regressado João Barros averbou um sólido quarto lugar.
Nas duas rodas motrizes, Gonçalo Henriques herdou o triunfo após o aparatoso acidente dos líderes Hugo Lopes e Magda Oliveira.
2025: Meeke responde com triunfo de luxo frente a Dani Sordo
O Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão de 2025 ficou na história pela luta de luxo de Dani Sordo e Kris Meeke. Após uma fase inicial envolta em alguma polémica fora dos troços, os pilotos proporcionaram um espetáculo inesquecível e renhido no asfalto da Beira Baixa.
Kris Meeke, agora navegado por Stuart Loudon aos comandos do estreante Toyota GR Yaris Rally2, travou um duelo titânico com Sordo. O piloto britânico da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal impôs um ritmo fortíssimo durante o segundo dia e confirmou a vitória na Power Stage com 14,5 segundos de margem sobre o espanhol da Hyundai.
Armindo Araújo levou a melhor sobre José Pedro Fontes nos troços finais para assegurar o terceiro posto à geral. Ricardo Teodósio, também em Toyota, demonstrou sinais de franca adaptação ao novo carro ao assinar o segundo tempo na Power Stage, terminando no sexto lugar absoluto.
Nos duas rodas motrizes, Ricardo Sousa impôs a sua lei após uma intensa batalha decidida à décima de segundo frente a Henrique Moniz.










