Josh McErlean (M-Sport Ford) admitiu que o desempenho no Rali da Acrópole representou uma importante injeção de confiança após um arranque de temporada difícil. O piloto norte-irlandês e o copiloto Eoin Treacy asseguraram o sexto lugar absoluto na exigente prova helénica, naquele que se fixou como o melhor resultado da dupla no Campeonato do Mundo de Ralis da FIA (WRC).
A tripulação da M-Sport Ford chegou a celebrar a quarta posição na estrada, mas uma penalização de um minuto imposta pelos comissários desportivos após o rali relegou-os para o sexto posto, atrás de Sami Pajari e Elfyn Evans. O castigo deveu-se ao facto de o cinto de segurança de Treacy não estar devidamente apertado com o carro em movimento, na sequência de uma saída de estrada na penúltima especial (PE16).
O susto de domingo e a reviravolta na terra
Apesar do contratempo na secretaria, a prestação robusta ao longo dos três dias de prova mereceu o aplauso da estrutura. O momento mais dramático ocorreu na segunda passagem por Aghii Theodori, quando o Ford Puma Rally1 falhou uma travagem e ficou temporariamente imobilizado num talude: “Para ser sincero, pensei que estava tudo acabado”, confessou Josh McErlean, explicando as manobras efetuadas. “Falhei um pouco a travagem. Obviamente, os pneus estavam bastante quentes naquele ponto e simplesmente deslizamos. As rodas dianteiras ficaram presas. Coloquei em marcha-atrás e as rodas patinaram. Fui para a frente, voltei a tentar a marcha-atrás e não saía, por isso mudei para o modo de especial (stage mode). Avancei mais um pouco, voltei a ativar o modo de especial e o carro saiu.”
Foi precisamente durante este incidente mecânico que o navegador soltou os cintos, gerando a infração que motivou a penalização posterior. “Pensei que o rali tinha terminado, por isso o Eoin tirou os cintos. Quando regressamos à estrada, ele teve de os recolocar. Foi uma questão de ‘espera, espera, espera'”, relatou o piloto.
Ponto de viragem e o foco no futuro no WRC
Após um início de ano conturbado, McErlean sublinhou o esforço coletivo para inverter a tendência de resultados, destacando o apoio da equipa e da Motorsport Ireland Rally Academy. O piloto apontou a recente participação no Rali Internacional de Donegal, na Irlanda, como o ponto de viragem psicológico que lhe permitiu medir forças com Kris Meeke e recuperar o ritmo competitivo.
Este resultado assume também uma relevância estratégica na consolidação do piloto na categoria rainha do mundial. Confrontado sobre se este sexto lugar reforça a sua posição na grelha com vista à próxima temporada, o jovem norte-irlandês foi pragmático na resposta: “Pode dizer-se que sim. Não há dúvidas sobre isso. Acho que este é um desporto determinado por resultados e nunca me escondi disso. Portanto, vamos ver, e espero que venha mais do mesmo.”











