Reportagem José Caetano, em Londres
António Félix da Costa foi a peça central da conquista do título de equipas pela Jaguar em Londres, ao travar Pascal Wehrlein durante largos períodos da última corrida da temporada de Fórmula E. O piloto português, que passou grande parte da segunda metade da corrida em luta com o antigo colega de equipa da Porsche, não escondeu que a tática foi uma resposta direta a comportamentos que já tinha visto da Porsche no dia anterior.
Uma resposta ao “jogo” da Porsche
O trabalho de Félix da Costa foi determinante: durante cerca de 15 voltas, o piloto da Jaguar geriu o ritmo para segurar Wehrlein atrás de si, ajudando Mitch Evans a aproximar-se do alemão e chegando a empurrar o líder do campeonato para fora dos pontos, numa fase em que a luta pelo título de pilotos chegou a inverter-se por completo. A tática valeu duras críticas de Wehrlein, que classificou o comportamento do português como o “mais antidesportivo” que já viu na carreira, mas também garantiu à Jaguar o segundo título de construtores da era GEN3.
Segundo o próprio português, a decisão de “entrar no jogo” da Porsche nasceu de uma reação às manobras que testemunhou na véspera, quando os carros da marca alemã geriram a corrida para proteger os interesses de Wehrlein. Ao ver comportamento semelhante já na primeira volta da corrida decisiva, a Jaguar optou por responder na mesma moeda, mas com maior eficácia. Para Félix da Costa, o objetivo justificava os meios: garantir o título de equipas à Jaguar.

“Cá se faz e cá se pagam. Obviamente temos muita história, um passado muito vincado com aquela marca, com aquele piloto. Mas mesmo ignorando isso tudo, os jogos que eles jogaram ontem, não gostei de ver. Quando vi começaram a fazer o mesmo na primeira volta da corrida de hoje, decidimos entrar no jogo deles, só que mais e melhor. O objetivo era claro, ser campeões do mundo por equipas, tínhamos que acabar à frente dos Porsche. Consegui posicionar-me da melhor maneira e não tenho nenhum arrependimento. Fizemos isso da melhor forma possível e conseguimos ser campeões do mundo por equipas.”
Félix da Costa ainda reconheceu o mérito do título de Wehrlein, que, segundo o AFC é um “ótimo piloto.”
O piloto de Cascais fez ainda um balanço da sua primeira temporada na Jaguar, destacando o orgulho de ter sido competitivo num ano de adaptação a carros, engenheiros e estrutura totalmente novos, apesar de reconhecer que uma série de contratempos fora do seu controlo na primeira metade do campeonato custaram pontos preciosos na luta pelo título de pilotos.
“Muito orgulhoso do que conseguimos fazer. Mudar de equipa é sempre muito trabalhoso, é muito difícil. Fizemos isso tanto aqui na Fórmula E como no WEC como uma equipa nova, conhecer muita gente nova, carros novos, engenheiros novos. Mas estar competitivo nos dois, principalmente aqui na Fórmula E, deixa-me orgulhoso. Estivemos na luta pelo campeonato até à penúltima corrida do ano, aqui em Londres. Obviamente aconteceram uma série de coisas fora do nosso controlo naquela primeira metade do ano que nos roubaram muitos pontos, mas isto é o mundo do desporto. Agora 15 dias a descansar e agarrar com tudo já o próximo ano.”

Olhando já para a nova geração de monolugares que a Fórmula E vai estrear, Félix da Costa admite que as primeiras impressões do novo carro não foram as melhores, mas confia na equipa técnica da Jaguar para resolver os problemas nos próximos três meses de trabalho antes do arranque da nova era.
“Expetativas para a GEN4? Boas! Obviamente, quando se trabalha com uma equipa tão ganhadora como a Jaguar, as expetativas são boas. As primeiras impressões do carro por acaso não são as melhores, mas tenho a certeza que temos os melhores engenheiros, a melhor equipa técnica para dar a volta a isso e temos agora uma um três meses pela frente bem trabalhosos para melhorar o carro.”
Fotos: Sam Bagnall








