O Campeonato do Mundo de Ralis prepara-se para uma revolução regulamentar em 2027, e o primeiro carro privado construído de raiz sob as novas diretrizes continua a ganhar forma. O “Project Rally 1”, liderado por Yves Matton, antigo diretor de ralis da FIA e ex-responsável da Citroën Racing, e pelo engenheiro belga Lionel Hansen, avançou significativamente no desenvolvimento de um protótipo independente focado no mercado de clientes.
O projeto surge como um balão de oxigénio para a modalidade, numa altura em que marcas oficiais como a Hyundai hesitam em comprometer-se com o novo ciclo, e a M-Sport Ford pondera apenas focar-se em pacotes de atualização para a categoria Rally2.
Testes agendados e mecânica baseada nos Rally2
De acordo com informações reveladas pelo Dirtfish, a produção dos componentes principais já está em marcha, prevendo-se a conclusão do primeiro veículo no próximo mês. O programa de desenvolvimento prevê o arranque dos testes dinâmicos em agosto, com um mínimo de seis sessões de ensaios planeadas até ao final de 2026.
“Os próximos seis meses serão decisivos para o sucesso do Project Rally One. Será essencial respeitar um calendário de desenvolvimento exigente para garantir que o carro esteja pronto para competir ao mais alto nível”, afirmou Lionel Hansen, em declarações à AutoHebdo. O responsável técnico sublinhou ainda em discurso direto que o programa visa também “ajudar a dar um novo passo ao obter o apoio de um construtor ou de um parceiro estratégico” para assegurar a continuidade do projeto no topo do rali mundial.
Visualmente, os primeiros esboços digitais apontam para uma silhueta estilo crossover compacto com aerodinâmica simplificada, alinhada com a filosofia de redução de custos da FIA. Para viabilizar financeiramente o projeto, o protótipo inicial deverá recorrer a componentes mecânicos comprovados, nomeadamente o motor 1.6 turbo do Skoda Fabia RS Rally2. As regras de 2027 estipulam um preço-alvo de construção de 345 mil euros — uma redução drástica face ao atual milhão de euros estimado para os Rally1 híbridos —, além da obrigatoriedade de produzir pelo menos dez unidades em dois anos e alinhar com dois carros em metade do calendário na época de estreia.
O desenvolvimento técnico avançou de forma significativa com a construção do primeiro chassis tubular direcionado para a homologação de 2027. De acordo com Lionel Hansen, esta estrutura encontra-se na sua fase final de fabricação, antecedendo a validação técnica obrigatória por parte da FIA. A montagem do veículo inaugural arranca no próximo mês.
Mudança de paradigma face aos construtores oficiais
O aparecimento desta iniciativa e a confirmação de um segundo projeto pela RMC Motorsport alteram o xadrez do campeonato, demonstrando que os preparadores privados estão a reagir mais depressa às regras de 2027 do que as próprias equipas de fábrica. Resta aguardar pelos desenvolvimentos e o mais positivo desta questão é mesmo o aparecimento de estruturas privadas a desenvolver carros. Para já duas, o Project Rally One e a espanhola RMC Motorsport.








