Kimi Antonelli fez história no México. O jovem piloto tornou-se campeão do mundo de F1 e tornou-se no mais jovem de sempre a conseguir isso. Mas este sucesso é também de uma vasta equipa que trabalhou com Antonelli ao longo destes dois anos, com Peter Bonnington a merecer especial destaque.
Peter Bonnington, conhecido como Bono, é um engenheiro britânico, nascido a 12 de fevereiro de 1975, que exerce funções de responsável pelo desempenho em pista na Mercedes AMG Petronas. Atualmente engenheiro de corrida de Kimi Antonelli, trabalhou anteriormente com Lewis Hamilton, Michael Schumacher e Jenson Button, num percurso iniciado na Jordan em 2004.
Bonnington entrou na Fórmula 1 como engenheiro de dados da Jordan. Seguiu depois para a Honda, onde acompanhou o trabalho de Andrew Shovlin e assumiu funções de engenheiro de desempenho de Jenson Button. Permaneceu na estrutura quando esta passou a competir como Brawn GP, contribuindo para o primeiro título mundial de Button, em 2009.

Na Mercedes, começou por trabalhar como engenheiro de desempenho de Michael Schumacher, passando para o lado de Lewis Hamilton em 2014, mantendo essa função até à saída do britânico da Mercedes, no final do campeonato de 2024. Com a saída de Hamilton para a Ferrari, Bono passou a trabalhar como Kimi Antonelli como engenheiro do italiano, e acumula essa atividade com a responsabilidade pelo desempenho em pista da Mercedes.
E provavelmente muito mais cedo do que esperaria, Bono voltou a festejar um título. É o oitavo título no seu currículo: 1 com Button, seis com Hamilton e agora um com Antonelli.
O que disse Bono no final da corrida
O engenheiro britânico destacou a maturidade, a capacidade de aprendizagem e a consistência de Kimi Antonelli após a conquista do título mundial de Fórmula 1. O engenheiro de corrida do italiano considerou que as dificuldades da temporada anterior foram fundamentais para a evolução do piloto da Mercedes.
Bonnington apontou as prestações no Mónaco, em Monza e em Austin como os grandes destaques da campanha do novo campeão. Explicou também como o ambiente descontraído entre ambos facilita conversas francas e recordou uma conversa particularmente firme que ajudou Antonelli a reagir a uma fase difícil no seu primeiro ano na categoria.
Sobre a temporada e a conquista do título, não poupou elogios:
“Acho que a palavra é ´avassalador´. Tem sido um percurso fantástico com ele. Amadureceu muito ao longo deste ano. E, de facto, cresceu e tornou-se no campeão do mundo que é. Foi um ano muito divertido, pela forma como trouxe esse lado para a equipa. Mas é um profissional exemplar e tem um talento enorme.”

Diversão e profissionalismo
Questionado sobre a relação com Antonelli e a importância da boa disposição para o sucesso, explicou:
“Acho que podemos pegar numa série de livros de gestão que nos dirão que qualquer organização bem-sucedida tem uma componente de diversão. Mas, nele, isso é natural. É assim que se sente mais confortável e é assim que faz com que todos os outros se sintam confortáveis. É com essa componente que trabalhamos. Isso acaba por derrubar barreiras e permite-nos ter conversas abertas e honestas, porque sabemos que, no fim de contas, continuamos a poder rir e brincar. Por isso, sim, é uma parte muito importante.”
Sobre o papel do engenheiro de corrida na gestão do piloto, afirmou:
“Já houve quem perguntasse, sobretudo antigamente: ´Porque não têm um psicólogo do desporto a trabalhar com os pilotos?´ E a nossa resposta é: ´Bem, isso é, de certa forma, o que o engenheiro de corrida tem de fazer.´ Metade do trabalho é tratar do carro. A outra metade é manter o piloto feliz. Ele é uma pessoa fácil de manter feliz, por isso é um prazer trabalhar com ele. Mas também faz parte do trabalho orientá-lo nos altos e baixos, sobretudo no ano passado. Uns são melhores nisso do que outros.”
Perante os elogios à sua tranquilidade nas comunicações por rádio e à forma como ajuda Antonelli a executar o trabalho em pista, Bonnington acrescentou:
«Ele é uma pessoa com quem é muito fácil manter a serenidade e a concentração no trabalho. É muito bom a recomeçar assim que alguma coisa lhe corre mal. Simplesmente recomeça, concentra-se e volta à luta.”

As corridas que mais se destacaram
Sobre as corridas que mais se destacaram ao longo da temporada, Bono apontou três:
“Acho que há três que se destacam. Para mim, o Mónaco foi muito especial. Ganhar no Mónaco… É uma daquelas corridas em que, se conseguirmos mostrar isso ao resto da grelha, acho que os nossos pares nos respeitam ainda mais. E a forma como ele o fez foi inacreditável.
E depois a corrida de Monza… Uau. Lembro-me de olhar à volta e pensar: ´Ah, então é este o aspeto do fundo da grelha.´ E depois lá fomos nós. Não havia quem o parasse.
E depois, no fim de semana passado, em Austin, foi uma exibição de campeão. Era uma paragem ou duas. Há aquela pressão mental dentro do carro, a pensar: ´Vão apanhar-me, vão ultrapassar-me´. Mas não. Manteve-se concentrado, continuou a fazer os tempos por volta e levou a melhor. Foram três exibições do ano que realmente confirmaram esse nível de desempenho.
Mas, para ser justo, houve outras, como Silverstone, onde, sem a avaria, teria conseguido um resultado muito bom. Em Barcelona também estávamos bem. É essa capacidade de repetir o desempenho, essa consistência. Consegue pilotar em vários tipos de circuitos, quer haja sobreaquecimento, dificuldades em aquecer os pneus ou qualquer outra coisa.”
Bono, with Kimi every lap on the way to the World Championship 💙 https://t.co/RtmtCjZDBQ
— Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team (@MercedesAMGF1) November 2, 2026
Questionado sobre a gestão da temporada anterior, marcada por nove corridas consecutivas sem pontos e por críticas à decisão de Toto Wolff de o promover à F1, respondeu:
“Essa foi uma das experiências extraordinárias de que acabámos por beneficiar. A verdade é que aprendemos com os dias maus, e ele é muito bom nisso: em aprender. Tivemos uma conversa muito firme no final da fase europeia da temporada. Depois voltámos às corridas fora da Europa e, de repente, ele disse: ´Porque é que não me deste um pontapé no rabo mais cedo?´ Foram tempos difíceis, mas aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes. E ele conseguiu mesmo recuperar desses momentos.»
Depois da parceria mais bem sucedida da F1 com Hamilton, Peter Bonnington inicia uma nova era de sucessos com um dos talentos mais entusiasmantes da grelha… que conquistou o primeiro título apenas com 20 anos.












