O título nacional de ralis decide-se no Rallye Vidreiro Centro de Portugal, que se disputa a 20 e 21 de novembro e encerra o campeonato. A prova foi apresentada no sábado, na Praça Rodrigues Lobo, em Leiria. Tem onze especiais de asfalto e 112,20 quilómetros cronometrados, em Leiria, Marinha Grande e Pombal. A organização apresenta a edição como um símbolo da recuperação da região depois da tempestade Kristin.
Três pilotos na luta pelo título
Pedro Almeida chega à última jornada na liderança, com 139 pontos. Como tem de descartar o pior resultado, fica com 127. Rúben Rodrigues é segundo, com 125, a dois pontos do líder. Armindo Araújo é terceiro, com 112.
Se vencer o rali, Pedro Almeida é campeão, independentemente do que aconteça aos adversários. Rúben Rodrigues tem de terminar à frente do líder e, se este for segundo, só a vitória lhe serve. Armindo Araújo precisa de ganhar a prova e de ficar entre os dois primeiros da Power Stage. Além disso, depende de Pedro Almeida terminar fora dos quatro primeiros e de Rúben Rodrigues ficar longe da frente.
Programa da primeira etapa
A ação começa na sexta-feira, 20 de novembro, com o shakedown na Caranguejeira (2,91 km), entre as 08h00 e as 11h00. A cerimónia de partida realiza-se às 14h00, no Estádio Municipal de Leiria.
A primeira especial é Igreja dos Milagres (9,41 km), às 14h35, com segunda passagem às 16h20. É um troço novo para todos, muito técnico, com um sobe e desce constante e mudanças de piso e de estrada. A experiência deverá ser decisiva para encontrar o ritmo certo. Há várias armadilhas, entre cortes, não cortes, bermas e passeios, e a passagem pelas povoações aproxima o rali do público.
Às 15h35 disputa-se Santa (8,15 km), conhecida de muitos, mas que há alguns anos não fazia parte da prova. A primeira secção é muito técnica, com curva e contracurva e topos cegos. Ao km 3,5 a especial segue pela estrada nacional, de bom piso e mais rápida. Aí atingem-se velocidades elevadas e a coragem dos pilotos será determinante. A secção favorece quem tem experiência de pista.
Depois do reagrupamento e da assistência em Leiria, a Super-Especial TEKEVER (1,66 km), às 19h30, encerra a etapa. Regressa ao centro da Marinha Grande, como os concorrentes pediam há vários anos. O traçado deverá ser rápido e fluido, sem zonas estreitas e apertadas.
Pombal e Pinhal do Rei no segundo dia
No sábado, 21 de novembro, os concorrentes saem do parque fechado de Leiria às 08h00 rumo a Pombal. Aí fazem duas passagens por Mata Mourisca (10,21 km), às 09h00 e às 11h00, e por Pombal – Carnide (14,71 km), às 09h30 e às 11h30.
Mata Mourisca é usada há vários anos, mas arranca este ano num local diferente. A primeira parte faz-se numa estrada estreita e de bom piso, com zonas de alcatrão polido que podem ficar escorregadias. Na primeira passagem, os primeiros a partir podem ter vantagem por encontrarem a estrada mais limpa. Como a maioria dos pilotos conhece bem a especial, não se esperam grandes diferenças de tempo.
Pombal – Carnide é o único troço sem alterações. Alterna zonas rápidas e de bom piso com zonas estreitas, a subir e a descer, de piso mais rugoso.
Depois da assistência em Leiria, a tarde é passada no Pinhal do Rei (16,87 km), a especial mais longa da prova. A primeira passagem é às 14h00 e a segunda, que é também a Power Stage, às 16h00. É aqui que se decide o rali e o campeonato. O nome do troço é uma homenagem ao pinhal, devastado pela tempestade Kristin. As zonas junto ao ribeiro ficam este ano de fora, porque as estradas estão intransitáveis.
O troço começa no mesmo local do ano passado, com uma parte inicial muito rápida, seguida de uma zona mais técnica dentro das matas. Costuma ficar pouco sujo, por isso todos partem em igualdade. A Zona Espetáculo fica na estrada nacional entre a Marinha Grande e São Pedro, onde Ricardo Teodósio costuma dar espetáculo.
Já sem tempos a contar, a City-Stage Arena CIMRL (1,26 km) realiza-se às 17h05 em Leiria, na pista do Leiria Sobre Rodas, evento que decorre em paralelo com o rali. A chegada final está marcada para as 17h15.
Site renovado e Fan Zone
O rali pode ser acompanhado no site oficial, vidreiro.pt, que foi renovado. Tem o guia do espectador, com a lista de inscritos, a descrição de cada especial e os acessos às Zonas Espetáculo. Tem também um mapa interativo com as especiais em 3D, os tempos online a partir do shakedown e a emissão em direto, para a qual o público pode enviar mensagens.
Na Fan Zone, os adeptos podem jogar na Liga Vidreiro, com prognósticos por especial e por classificação, e colecionar a caderneta digital de cromos dos pilotos. Podem ainda criar um autógrafo digital, fazer check-in nas Zonas Espetáculo para somar pontos e enviar fotos. Os mais novos podem pintar carros de rali.
Reações da organização e das autarquias
Ferdinando Barros, presidente do Clube Automóvel da Marinha Grande, recordou que a tempestade obrigou a adiar a prova que deveria ter aberto o campeonato em março. «Nunca pensámos desistir e o Vidreiro regressa agora como símbolo da capacidade de a Região Centro se reerguer», afirmou. Agradeceu aos mais de 200 voluntários, às forças de segurança, à FPAK, aos patrocinadores e aos bombeiros. Ao público pediu que viva o rali com paixão, mas nas zonas indicadas e respeitando as orientações da organização.
Gonçalo Lopes, presidente da Câmara Municipal de Leiria, destacou a decisão de juntar o rali ao Leiria Sobre Rodas, algo que já estava pensado há muitos anos. Segundo disse, torna os dois eventos mais fortes e mostra a região unida em torno do desporto automóvel. Num ano em que grande parte da paisagem urbana e florestal foi destruída, defendeu que o rali será «um ânimo para os adeptos voltarem à rua». Acrescentou que a responsabilidade da organização é maior por ser a última prova do campeonato.
O vereador Armando Constâncio, da Câmara Municipal da Marinha Grande, lembrou que a iniciativa tem cinquenta e quatro anos de história no concelho. Considerou que chegou a altura de dar um salto, através de parcerias estratégicas. Referiu ainda que o rali cresceu numa mata «que infelizmente já não existe».
Carolina Jesus, vereadora da Câmara Municipal de Pombal, sublinhou que a prova une três territórios que enfrentaram este ano desafios muito particulares. Para a autarca, manter estas iniciativas é «uma mostra de resiliência». Disse que o nome da prova reflete a junção de vários parceiros, do Turismo Centro de Portugal à Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria.
Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo Centro de Portugal, explicou que o apoio se enquadra na estratégia de afirmar a região como uma «sport region». Segundo afirmou, eventos como este são bons para a economia local, porque dinamizam a indústria e o território e atraem visitantes. Garantiu que o Turismo Centro de Portugal continuará a apoiar a prova.










