Vitórias Improváveis na F1: Vittorio Brambilla, Áustria 1975


A competição não vive só do domínio e da luta entre as grandes equipas pela vitória e pelos campeonatos. As lutas por categorias intermédias ou no meio do pelotão apaixonam muita gente, e no meio dessas contendas, descobrem-se grandes talentos que poderão, um dia, ascender ao Olimpo do desporto motorizado. Isto é transversal a todas as disciplinas do desporto automóvel. No caso da Fórmula 1, nunca faltaram vencedores inesperados. Aqui fica uma dessas histórias.

Quando se fala em VittorioBrambilla, é impossível não lembrar uma série de anedotas, já que o “Gorila de Monza” era pródigo em envolver-se ou originar situações caricatas. E a sua vitória sob chuva torrencial na Áustria em 1975 ficou para a história, mas nunca deixou de ser algo atribuído ao acaso o que, vendo bem, não deixa de estar um pouco enviesado. Na verdade, depois de uma longa e bem-sucedida carreira nas motos, Brambilla cedo se mostrou promissor nas 4 rodas, mesmo se fosse conhecido por forçar demasiado a mecânica, fruto de uma condução extremamente agressiva. No entanto, à chuva, os travões não sofriam tanto e Vittorio tinha um especial dom para usar a sua pilotagem em constante derrapagem controlada no seu melhor quanto piores eram as condições do traçado. Estreando-se na F1 em 1974 com a March, Brambilla teve em 1975 a sua melhor temporada, com uma pole na Suécia e outras grandes prestações em qualificação, geralmente não se traduzindo em corrida pelas falhas mecânicas do March e por excessos do piloto. No entanto, naquele dia de Agosto, chovia copiosamente no Österreichring, e Brambilla usou em pleno a sua vantagem na chuva. Partindo da quarta linha da grelha, Vittorio fez um arranque-canhão que o levou ao terceiro lugar pela primeira curva, atrás de Lauda e Hunt. O austríaco, que vinha dominando a época, debatia-se com um Ferrari afinado para condições mais brandas e, á medida que a chuva se intensificava, via-se “às aranhas” para aguentar a pressão de Hunt, cedendo a liderança pouco depois. Brambilla não tardou a passar o Ferrari e a colar-se a Hunt, aproveitando a dobragem a BrettLunger para fazer uma excelente ultrapassagem e seguir na frente. As condições continuavam a piorar e a organização interrompeu a prova ainda antes do final desta, na volta 29, quando Brambilla liderava destacado. Ao ver a bandeira de xadrez, um esfuziante Brambilla ergueu os dois braços no ar para celebrar a vitória…. Resultado: perdeu o controlo do carro, derrapou e bateu nas barreiras na subida para a HellaLichtKurve, terminando a volta de consagração com a frente bastante amolgada. Sem carros competitivos, Brambilla nunca conseguiu evidenciar todo o seu talento até à sua retirada, no final de 1980 e, aparte esta vitória, caiu gradualmente no anonimato (aparte as inúmeras anedotas).