Vettel ‘despede-se’ no final de 2022: o adeus de um dos ‘grandes’

Por a 28 Julho 2022 12:24

Chegou a hora! O tetracampeão mundial de Fórmula 1, Sebastian Vettel vai retirar-se no final da temporada. O alemão, que fez a sua estreia com a BMW Sauber no Grande Prémio dos Estados Unidos de 2007, revelou a notícia através da sua conta Instagram recentemente criada, ironicamente naquela que é a sua primeira incursão nas redes sociais.

Vettel venceu os seus quatro campeonatos com a Red Bull, entre 2010 e 2013 e neste momento, e vai ser durante mais uns anos, o terceiro pilotos na lista dos vencedores de Grandes Prémios, com 53 vitórias.

No seu período de seis anos com a Ferrari, não conseguiu obter o tão cobiçado quinto título e até aqui assegurou apenas um pódio durante um ano e meio com Aston Martin, num contrato que expira no final de 2022. Agora, antes do Grande Prémio da Hungria, Vettel anunciou que esta será a sua 15ª e última temporada completa na Fórmula 1.

Só faltou o título na passagem pela Ferrari

Sebastian Vettel chegou à Ferrari em 2015, e nesse período de tempo tornou-se no terceiro piloto com mais vitórias na Ferrari, com 14 triunfos, atrás de Michael Schumacher e Niki Lauda. Vettel foi vice-campeão por duas vezes (2017 e 2018), tendo sido a maior ameaça a Lewis Hamilton nesse período, sem ser uma ameaça verdadeira ao domínio do britânico. Nunca pudemos ver uma luta entre Vettel e Hamilton com as proporções que vimos com Nico Rosberg e sempre que se encontraram em pista, a balança pendeu quase sempre para Hamilton.

O único número que faltou a Vettel foi o tão desejado título pela Ferrari, que não aconteceu e isso será certamente o maior lamento do alemão.

E pelos vistos o último capítulo da história de Sebastian Vettel na F1 está agora a escrever-se, com a Aston Martin.

A passagem pela Ferrari

A Ferrari vinha de um 2014 muito mau, com um carro feio e fraco, que levou Fernando Alonso a procurar outras paragens. O F14T estava longe de ser um candidato a pódios, quanto mais candidato ao título. Mas Vettel, sentindo que o seu caminho na Red Bull tinha chegado ao fim, assumiu o desafio. Encontrou uma Ferrari algo desorientada, a meio de uma mudança profunda na liderança da equipa, com a saída de Stefano Domenicali que deu o lugar a Marco Mattiacci, que poucos meses depois cedeu o cargo de líder a Maurizio Arrivabene. O cenário não era particularmente animador, mas a chegada do tetra campeão animou a equipa, que em 2015 produziu um carro muito melhor, capaz de vencer (o SF15-T), que permitiu ao alemão conquistar três vitórias e 10 pódios, logo na sua primeira época na Scuderia. Um começo prometedor.

2016 não trouxe evolução e a Ferrari apresentou-se abaixo do que tinha mostrado em 2015. O carro menos performante afastou a Ferrari do top3 e Vettel não conseguiu vencer qualquer corrida. Mas o ânimo do piloto não esmoreceu, afirmando que o passo atrás era necessário para o desenvolvimento da equipa.

A promessa foi cumprida e em 2017 o SF70H relançou a equipa na luta pelo título. Vettel foi vice-campeão, com cinco vitórias e oito pódios. Alguns erros e limitações impediram uma candidatura mais forte, mas o primeiro aviso estava lançado. 2018 foi um ano semelhante a 2017, com um carro capaz de assustar a Mercedes e uma candidatura ao título que foi por água abaixo na segunda metade da época. Foi a partir desta altura que Vettel começou a ser contestado de forma mais séria.

Uma sucessão de erros que culminaram com o abandono em Hockenheim, que significou a perda da liderança do campeonato naquela altura, trouxeram desconfiança e o alemão sentiu o golpe. O SF71H era uma máquina capaz e o título pareceu tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Em 2019 o SF90 trouxe uma mudança na filosofia da equipa, que apostou numa configuração de menor arrasto, cujos resultados não foram os pretendidos, com a Ferrari a ficar mais longe da Mercedes.

Em seis épocas Vettel teve apenas dois que lhe deram alguma hipótese de lutar pelo título, pelo que não se pode dizer que a Ferrari tenha facilitado a tarefa ao alemão.

Além da Ferrari não ter ajudado com os carros, também não ajudou na parte desportiva.

As constantes mudanças de liderança não beneficiaram a estabilidade da equipa.

Mesmo a forma como a liderança era imposta não era a melhor.

A Ferrari nos primeiros anos de Vettel pareceu presa de movimentos, sem capacidade para encontrar soluções eficazes. Em 2017 e 2018 (graças a Mattia Binotto que se tornou responsável técnico da equipa) o cenário mudou. A Ferrari cresceu a nível técnico.

Mas faltou a parte desportiva e foram cometidos erros. A gestão desportiva deixou a desejar com erros estratégicos que comprometeram a possibilidade de obtenção de bons resultados. E em 2019 essa gestão mostrou outra fragilidade… a gestão de pilotos. A entrada de Charles Leclerc trouxe um desafio completamente novo. Pela primeira vez desde que entrou na Ferrari, Vettel tinha alguém capaz de questionar o Status Quo e a posição do alemão. De tal forma que o jovem obrigou a equipa a repensar o futuro. Se no início do ano Vettel era o nº1, a meio da época tal não era claro. Algumas decisões em pista pioraram a situação, decisões que podiam ter sido evitadas a bem da harmonia da equipa. Foi a primeira vez que Vettel sentiu que a sua posição estava fragilizada, tendo com Kimi Raikkonen uma convivência pacifica dentro e fora de pista.

Tudo isto serve para mostrar que quem quiser apontar o dedo a Vettel nesta sua estadia na Ferrari teve de pesar os prós e os contras. É verdade que Vettel errou muitas vezes e que se colocou numa posição fragilizada. Mas também é verdade que a Ferrari demorou a dar-lhe as ferramentas e o ambiente certo para ter sucesso.

Vettel teve sorte (e mérito) de poder representar a Ferrari e a Scuderia teve sorte de poder ter um piloto deste calibre, que navegou os altos e baixos da equipa, sempre colocando os interesses coletivos em primeiro lugar. Foi graças ao seu trabalho, profissionalismo e paciência que a Ferrari se reergueu depois do desastre de 2014.

Por tudo isto, Vettel estava longe de ser um piloto acabado. Foi para a Aston Martin, mas ironicamente a sucessora de uma equipa que fazia tanto com tão pouco (Force India/Racing Point), redundou noutra em que é quase incompreensível como não está muito melhor posicionada. Só se explica se o que era uma família, tenha passado a ser algo completamente diferente face à mudança de dono.

Um dia saber-se-á porque o projeto a 5 anos de Lawrence Stroll ‘patinou’ (pelo menos) nos primeiros dois anos. Mas já não será com Vettel, muito menos por causa de Vettel…

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