Renault F1, Marcin Budkowski: “Corridas mais interessantes? Vamos ver…”

Por a 7 Novembro 2018 13:59

Marcin Budkowski era o homem que há pouco mais de um ano estava ainda na FIA, onde acompanhava a evolução técnica das equipas de Fórmula 1. Todas! E conhecia os seus segredos. Despediu-se, praticou ‘jardinagem’ durante alguns meses, como dizem os ingleses relativamente ao período sabático que é normalmente imposto nestes casos. Foi depois contratado pela Renault Formula 1 Team. Tudo legal, são as regras do jogo. Agora, está na equipa de Enstone, como diretor Executivo e contribuiu para ajudar a levar a equipa ao topo. Entrevistámo-lo em Enstone, onde falou sobre a reestruturação que está a ser feita na Renault, do projeto de teto orçamental na F1, a possibilidade de chegarem novas equipas à F1, e do que a nova aerodinâmica de 2019 vai ter como consequência nos carros.

Falou recentemente que não seria possível para o ano reduzir a distância para a Mercedes e Ferrari, o que falta até lá chegar?

A F1 de hoje nunca é somente uma coisa. Claro que há coisas mais importantes, a aerodinâmica, motor, como se gerem os pneus, pilotos, estes são os fatores importantes, mas nós precisamos de progredir do lado do chassis, do motor, no entendimento dos pneus, no caminho que devemos seguir para desenvolver o carro. Estamos numa fase em que progredimos em todas as áreas, mas como disse, não se trata duma só coisa e se a melhorássemos, seria diferente. Não, temos é que continuar a melhorar em diversas áreas e com isso encurtar a margem…

Têm vindo a recrutar muita gente, onde estão face ao vosso plano inicial?

Estamos em linha com o que programámos. Teremos no final deste ano, só em Enstone, cerca de 700 pessoas. Para o ano vamos continuar a recrutar, mas abrandaremos o ritmo um pouco. Há um número objetivado, é mais um compromisso, mas penso que finalizaremos com cerca de 750 em Enstone, e temos mais 450 em Paris, só na F1. No total, são cerca de 1200 pessoas.

Cerca de menos 200 que a Mercedes…

Não conheço os números deles, mas somos mais pequenos, a filosofia da Renault não é olhar para o número que a Mercedes gasta, e gastar mais, estamos mais focados na eficiência, portanto não queremos gastar mais, mas sim melhor, e dessa forma competir com eles…

O que pensa do teto orçamental que tanto se fala na F1?

Não sabemos ainda exatamente qual poderá ser, está ainda em discussão, estamos envolvidos, somos a favor da sua existência, por duas razões. É preciso parar a escalada de custos, não penso que seja bom para a F1 simplesmente gastar sempre mais, as equipas mais pequenas estão com dificuldades, queremos uma F1 mais sustentável, que as equipas possam ter saúde financeira e dessa forma possam ser mais competitivas, seria bom para a competição que mais do que três equipas pudessem lutar. Vamos ver. Para nós é importante estar no topo, mas também é importante que muita gente goste e veja a F1.

Você passou pela FIA, antes de vir para a Renault, pouco se fala sobre ter novas equipas, mais equipas, não seria bom para a F1 ter 12, 13 equipas?

O que eu sei, devido à minha vida anterior na FIA, é que a competição está aberta para haver mais equipas, mas o problema é que hoje em dia isso é muito caro. Por isso, primeiro temos que tornar a F1 mais sustentável financeiramente, limitar os custos e tornar a divisão mais equitativa entre as equipas. Quem recebe uma fatia maior, passa depois a ter condições para gastar mais. Depois de se conseguir isto, poderemos ter mais equipas. O problema de hoje é que há equipas nos limites, que podem desaparecer, e não há quem esteja à porta para poder ocupar o seu lugar.

No futuro, com a questão financeira mais equilibrada, de acordo com a minha ideia, uma equipa falir não devia ser um problema, pois os negócios em todo o mundo são assim mesmo, quando são mal geridos, desaparecem e isso não seria um problema caso existissem três ou quatro novas equipas prontas para subir à F1. Hoje em dia não nos podemos dar ao luxo de desaparecerem equipas, pois seria mau para a F1.

Acha que equipas B podem ser um solução?

Não me parece, porque seria a resposta errada para o público. O problema com as equipas B, é que criam um conjunto de interesses comuns. Por exemplo, quatro carros em pista com os mesmos interesses tornaria difícil aos adversários elaborar uma estratégia. Seria errado de um ponto de vista desportivo, e por outro lado, poderia ser complicado, por exemplo, se dividissem o trabalho no túnel de vento, na prática duplicariam o trabalho. E com um teto orçamental, ainda mais. Somos favoráveis a equipas totalmente independentes, sustentáveis, com bons negócios para gerir, para o desporto, seria bem melhor…

A Ferrari e a Haas têm mostrado que na prática há equipas B…

Penso que esse modelo, não é o correto para a F1. Aceitamo-lo de momento, porque não há equipas suficientes para correr, mas acreditamos que no futuro, se houver dinheiro suficiente para distribuir melhor pelas equipas, e exista um teto orçamental que torne a operação de uma equipa de F1 sustentável, isso não seria necessário, pois uma equipa como a Haas, ou qualquer outra, poderia competir com um plano de negócios razoável, de forma competitiva, portanto sem a necessidade de se associar a uma equipa grande. Nós estamos a trabalhar ativamente com a FOM para chegar a esse ponto, que achamos ser melhor para toda a gente.

Tendo em conta o que se sabe agora, o que as novas regras influenciam os carros?

Altera-se por completo a aerodinâmica na frente dos carros, pois a asa da frente será muito mais simples, bem como a área à volta das rodas na frente, afeta claramente a nossa capacidade de controlar o fluxo aerodinâmico na frente do carro, especialmente atrás das rodas, o que é muito importante. Se vai afetar o suficiente, quando chegar o momento veremos, mas para já não achamos que faça grande diferença, mas a verdade é que estamos ainda na fase inicial de desenvolvimento.

É verdade que vai permitir que seja mais fácil os monolugares rodarem mais juntos, isso não tenho dúvidas, agora se vai ser suficiente para tornar as corridas mais interessantes, vamos ver, há uns que acham que sim, eu prefiro esperar para ver, a nossa informação inicial não devolve dados tão otimistas.

Ficariam contentes como quarto lugar em 2019?

Sim, se estivermos mais perto da Mercedes, Ferrari e Red Bull, e claramente na frente do resto do pelotão. Se houver oportunidade para mais, será excelente, mas se acontecer como referi, ficaremos contentes…

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