Parece que é oficial… A F1 abandonou a visão “Tilkiana” que tinha das pistas e a passagem por Zandvoort confirmou-o. A obsessão de criar pistas que promovam ultrapassagens originou pistas pouco interessantes, com sucessões de curvas de 90 graus. Zandvoort não permite muitas ultrapassagens e não foi certamente a corrida mais emocionante do ano, mas Zandvoort traz algo que a F1 procura cada vez mais: o desafio para os pilotos, a velocidade pura, uma visão que surgiu graças à pandemia, que obrigou o Grande Circo a visitar circuitos que não faziam normalmente parte dos planos. Traçados como Portimão e Mugello, apesar de não ajudarem na estatística das ultrapassagens, permitem corridas interessantes, e são um verdadeiro desafio aos pilotos, que não podem errar e fazem curvas a velocidades vertiginosas. Uma corrida para ser interessante não tem de ser necessariamente um rodízio de ultrapassagens e Portimão pode ter contribuído para uma mudança de filosofia, uma visão diferente e talvez mais acertada, que levou a alterações em Abu Dhabi e Melbourne. É certo que em Zandvoort faltou algum sal e há pormenores que podem e devem ser revistos para promover mais emoção, mas os ingredientes essenciais da F1 estiveram lá: Velocidade pura, desafio para os pilotos, uma corrida a fundo e uma paixão avassaladora vinda das bancadas. E se a F1 for onde a paixão é verdadeira e profunda, o espetáculo terá sempre mais cor.










