Lewis Hamilton dominou de forma clara o GP do Qatar e conquistou a segunda vitória consecutiva. O andamento do #44 da Mercedes esteve acima de toda a concorrência e nem Verstappen conseguiu aproximar-se do seu adversário na luta pelo título. O neerlandês conseguiu minimizar os estragos com o segundo posto, depois de uma tardia penalização atribuída pelo incidente na qualificação, mantendo a liderança do campeonato. Na última posição do pódio a luta foi mais acesa e teve como protagonistas Fernando Alonso e Sergio Pérez (grande recuperação). O espanhol fez uma grande corrida e chegou às últimas voltas na terceira posição com um conjunto de pneus duros já com muitos quilómetros, sob ataque do #11 da Red Bull, com a ameaça de falha dos pneus, mas um Virtual Safety Car tardio caiu do céu e permitiu o regresso do asturiano aos pódios. Um final de corrida dramático, motivado por falhas nos Pirelli nas últimas voltas.
O filme da corrida
Lewis Hamilton largou bem e fugiu da concorrência, mas a luta entre Fernando Alonso e Pierre Gasly aqueceu, com o espanhol a conquistar o segundo lugar ao francês e Max Verstappen a fazer uma largada espetacular, subindo do sétimo para o quarto logo na largada, passando Lando Norris sem dificuldade, isto depois de ter sido apertado por Alonso.
Sergio Pérez começou também ao ataque e subiu ao nono lugar logo na segunda volta, enquanto Valtteri Bottas teve um péssimo arranque e caiu de quinto para 11º. Também Daniel Ricciardo perdeu duas posições (16º) enquanto Esteban Ocon subiu até ao sexto lugar, num bom começo de prova para a Alpine. Já Sebastian Vettel teve um péssimo arranque e caiu do 10º para o 17º.
Na volta 4, Verstappen passou Gasly e instalou-se nos lugares do pódio, atrás de Alonso e na volta seguinte Verstappen subiu ao segundo lugar, despachando Alonso sem dificuldade, repondo assim a “normalidade”. Quem estava a fazer também uma boa recuperação era Pérez que já era oitavo na quinta volta e mantinha a toada atacante, passando por Carlos Sainz, enquanto Bottas estava “preso” no 11º posto sem evoluir. Pérez continuava a subir e conquistou o sexto lugar a Ocon e com o mexicano a aproximar-se do quinto posto, Norris tentava passar Gasly, que não largou a sua posição com facilidade, mantendo-se no quarto lugar, mas a defesa durou pouco tempo, com o McLaren #4 a passar o Alpha Tauri, manobra repetida por Pérez, que passou Gasly na volta seguinte sem dificuldade.
Na frente os dois candidatos ao título “tiraram bilhete” e fugiram da concorrência, deixando Alonso a mais de 24 segundos, o tempo que demorava a fazer uma paragem nas boxes. Alonso estava já a 30 segundos do líder na volta 16, na mesma volta em que Pérez passou Norris pelo quarto lugar.
Na volta 18, Verstappen parou para colocar os pneus duros, no que pareceu ser uma paragem mais cedo que o previsto, mas com Alonso longe, a Red Bull não tinha nada a perder. Na volta seguinte Mercedes parou para colocar também um conjunto de pneus duros, saindo bem na frente de Verstappen, garantindo a liderança depois da sua paragem. Pérez também parou para trocar de pneus, enquanto Bottas ficou em pista, tentando uma estratégia alternativa, tentando passar Norris, uma manobra que ficou concluída na mesma volta em que Alonso parou para trocar de pneus (volta 24). Norris parou pouco depois, tendo feito render os seus pneus macios meia corrida, o que lhe abria as portas para a possibilidade de parar apenas uma vez.
A luta entre Alonso e Pérez contou com a “ajuda” de Leclerc que segurou por algumas curvas o mexicano. Alonso era já quarto, à frente de Pérez, Gasly e Norris, com a Ferrari a parar os dois carros ao mesmo tempo, a meio da corrida. Mas na volta seguinte Pérez conseguiu passar Alonso subindo ao quarto lugar, ficando com via aberta para atacar o terceiro de Bottas.
Na volta 33 a tarde de Bottas piorou significativamente, com o seu pneu dianteiro esquerdo a ceder, comprometendo todo o esforço do #77. Hamilton estava na frente, confortavelmente, seguido de Verstappen, Pérez, Alonso, Gasly e Norris. Ocon, Stroll, Sainz e Leclerc completavam o top 10. Gasly parou pouco depois, promovendo Norris a quinto.
Os pilotos da frente queixavam-se de vibrações (possível sinal de desgaste de pneus), mas tinham quase um minuto de vantagem para Pérez, que tinha apenas 5 segundos de vantagem para Alonso, com Norris a sete segundos do espanhol. Com esta vantagem a Red Bull jogou pelo seguro e fez entrar Verstappen para a segunda e última troca de borrachas, com Pérez a parar pouco depois, entregando o terceiro lugar a Alonso (uma jogada que surpreendeu mas que mostrava que os pneus iriam ceder no fim). Hamilton também jogou pelo seguro e imitou Verstappen, como seria de esperar.
A dez voltas do fim, Hamilton tinha 8 segundos de vantagem para Verstappen, com Alonso a 38 segundos a pedir à equipa que Ocon se defendesse de Pérez ( 7º e com uma tarefa complicada pela frente para regressar ao pódio) como um leão, com Norris em quarto, aparentemente contente com o resultado até então. Ocon não teve muitos argumentos para segurar Pérez mas tentou ainda assim atrapalhar o progresso do mexicano.
Na volta 50 a Mercedes mandou entrar o carro de Bottas para confirmar a desistência do finlandês e Lando Norris entrou para trocar de pneus (um furo que atirou por terra o grande trabalho do piloto), numa altura em que George Russell apareceu com o pneu dianteiro esquerdo desfeito, um sinal de preocupação para Alonso, que precisava de manter a posição para ficar no pódio. Nicholas Latifi também apareceu também com o pneu dianteiro esquerdo desfeito, o que preocupava ainda mais a Alpine e Alonso. Norris tentava minimizar o estrago e ia de faca nos dentes para as últimas voltas. Na volta 55 o Virtual Safety Car foi acionado para retirar o Williams de Latifi, o que vinha a calhar para Alonso manter o pódio.
Verstappen aproveitou para parar e colocar pneus macios e ficar com a volta mais rápida e o correspondente ponto, com Hamilton sem hipótese de responder à volta do seu adversário. O fim da corrida chegou pouco depois com Hamilton a vencer, seguido de Verstappen e Alonso, que regressa assim aos pódios depois do último ter sido no GP da Hungria 2014.
Hamilton dominou a corrida, Verstappen minimizou o estrago e Alonso voltou a sorrir, numa excelente tarde da Alpine. A McLaren podia ter saído do Qatar com um bom resultado mas o azar assombrou a corrida de Norris no final e a Ferrari fez uma exibição discreta mas ainda assim boa os suficiente para ganhar mais vantagem sobre a McLaren.
Depois de três fins de semanas consecutivos, a Mercedes faz a última pausa do ano, antes dos dois fins de semana decisivos que nos darão o campeão do mundo 2021.










