Os campeões mais versáteis da história do automobilismo


Ser Campeão do Mundo requer uma certa especialização. Significa fazer muitos quilómetros ao volante de um tipo específico de carro, de modo a aprender todos os truques inerentes e ganhar nem que seja um centésimo de segundo por volta. Este grau de especialização impede os pilotos de diversificarem a sua experiência, mas durante a história do automobilismo, alguns têm conseguido experimentar vários géneros e conquistar títulos de campeão em disciplinas diferentes. São os casos mais emblemáticos da versatilidade na história do desporto automóvel

JACKY ICKX
O piloto belga começou por ganhar títulos nacionais de motocross e montanha antes de passar para os monolugares. Aos 22 anos, sagrou-se campeão de Fórmula 2, lançando a sua carreira na F1. Embora não tenha sido melhor que vice-campeão em 1970, estabeleceu uma carreira paralela nas provas de resistência em GT e sport-protótipos, estabelecendo um recorde de vitórias em Le Mans que conseguiu manter durante 23 anos. Pelo caminho, conseguiu sagrar-se campeão da Can-Am, nas pistas americanas, onde os pilotos locais tinham experiência adicional. Finalmente, foi um dos primeiros a aderir a aventura do Dakar, vencendo a prova em 1983 frente a pilotos com mais experiência em ralis.
ETCC CLASSE 1965
FIA FÓRMULA 2 1967
WSC 1982, 1983
CAN-AM 1979
24H LE MANS 1969, 1975, 1976, 1977, 1981, 1982
24H SPA 1966
DAKAR 1983

A.J. FOYT
É um caso raro de versatilidade nas pistas americanas, capaz de andar bem, tanto em ovais como em circuitos convencionais, comprovado pelos seus sete títulos na Indycar, onde ainda detém o recorde de vitórias absolutas, nada menos que 67. Embora tenha vencido a Daytona 500 (Foyt possui uma coroa tripla, pelas vitórias em Indianápolis, Daytona e Le Mans), apenas foi campeão de stock cars no campeonato da USAC (extinto em 1989) e não no da NASCAR. Tentou uma passagem pela Fórmula 1, mas não participou nas três corridas em que se inscreveu.
USAC INDYCAR 1960, 1961, 1963, 1964,
1967, 1975, 1979
INDY 500 1961, 1964, 1967, 1977
USAC STOCK CAR 1968, 1978, 1979
DAYTONA 500 1972
24H LE MANS 1967

JIM CLARK
Capaz de correr em duas coisas completamente diferentes em dois fins de semana consecutivos, Clark não era um caso único nas pistas britânicas, mas distinguiu-se por conseguir ganhar títulos em quase todas as categorias em que participou. Clark tanto conseguiu ser campeão do mundo na Fórmula 1, como também ganhava com F2 de 1000 cm3, ou com o Ford Cortina Lotus. O ano de 1965 foi particularmente produtivo, pois para além da F1 e F2, também venceu o seu primeiro título na Tasman Series (cujos monolugares eram mais potentes que os de F1), nas pistas dos Antípodas, onde os seus adversários australianos e neozelandeses tinham mais experiência, e ganhou também a Indy 500 com o inovador Lotus 38, frente aos ‘jurássicos’ roadsters americanos.
FÓRMULA 1 1963, 1965
F2 GB 1965
BTCC 1964
INDY 500 1965
TASMAN 1965, 1967, 1968

BERND SCHNEIDER
Embora seja conhecido por ter o recorde de títulos de campeão no DTM, o piloto alemão também ganhou títulos noutras categorias, inclusive chegando à Fórmula 1 com a Zakspeed depois de ter vencido o título alemão de Fórmula 3. Além dos seus títulos nos turismos, sempre ao serviço da Mercedes, Schneider também foi campeão pela marca alemã nos GT, e já tinha-se sagrado campeão em provas de sport-protótipos na Interserie, uma competição que hoje ainda existe, mas com um prestígio bem menor daquela de que gozou até ao início da década de 90.
F3 GER 1987
INTERSERIE 1990, 1991
DTM 1995, 2000, 2001, 2003, 2006
FIA GT 1997

JEAN-LOUIS SCHLESSER
Apesar de ter feito grande parte da sua carreira nas provas de todo-o-terreno, especialmente nos desertos africanos, vencendo o Dakar à geral por duas vezes e na classe 2WD por muitas outras, Schlesser passou por muitas outras categorias na sua longa carreira. Ficou mais famoso pela sua breve passagem pela Fórmula 1, no GP de Itália de 1988, onde colocou Ayrton Senna, mas quem acompanhava outras categorias de desporto automóvel já o conhecia, até porque em 1978 foi campeão francês de Fórmula 3, ex-aequo com Alain Prost. Uma ligação a Tom Walkinshaw levou-o a correr nos Jaguar XJS feitos pela TWR, com os quais venceu o título francês de turismos, mas falhou o europeu. Também correu pela Mercedes, com quem venceu o Mundial de Sport-Protótipos duas vezes, mas nunca conseguiu ganhar Le Mans.
TURISMOS FRA 1985
F3 FRA 1978
WSC 1989, 1990
DAKAR 1999, 2000

AMÉRICO NUNES
Os campeonatos de velocidade e de ralis foram separados em 1966, mas para alguns pilotos isso não significou nada, pois em muitos casos era possível fazer as duas competições com o mesmo carro. Foi o que aconteceu com Américo Nunes, que não perdeu tempo em deixar a sua marca nas duas competições, conquistando títulos nas duas categorias logo em 1967. E embora tenha conseguido ser campeão de ralis mais vezes que de velocidade, o piloto dos Porsche ‘bomba branca’ e ‘bomba verde’ manteve sempre um pé em cada modalidade até se retirar da competição automóvel.
CPR 1967, 1968, 1969, 1970
CNV 1967, 1972)

PEDRO CHAVES
Um dos primeiros portugueses a apostar numa carreira além-fronteiras durante a década de 1980, Chaves foi também um dos primeiros a conquistar títulos lá fora, especificamente na Fórmula 3000 Britânica, onde bateu consagrados como Alain Menu e Rickard Rydell. Depois de terminar a aventura nos monolugares, passou pelos turismos (onde esteve muito perto de ser campeão) e depois pelos ralis, onde se adaptou rapidamente a uma forma completamente diferente de pilotar, vencendo dois títulos nacionais consecutivos. Regressou às pistas, onde dominou completamente a categoria de GT, em Espanha, em parceria com Miguel Ramos, voltando depois aos ralis com a equipa Renault.
CPR 1999, 2000
F. FORD 1986
F3000 GBR 1990
GT ESP 2001

JOHN SURTEES
Não foi o primeiro a trocar as duas rodas pelas quatro, mas foi o primeiro (e único) a ganhar títulos nas categorias principais de cada uma. Quando Surtees foi campeão de motociclismo pela última vez, já participava regularmente em corridas de Fórmula 1 e de Fórmula 2. Enquanto piloto da Ferrari, não só foi campeão da Fórmula 1 como também correu em provas de resistência, mas o seu único título nesta categoria foi depois de deixar a marca italiana, sagrando-se o primeiro campeão da Can-Am, onde não teve grandes dificuldades para bater os pilotos americanos, supostamente mais experientes nas corridas organizadas pela USAC.
FÓRMULA 1 1964
MOTOCICLISMO 500CC 1956, 1958, 1959, 1960
CAN-AM 1966

MIKE HAILWOOD
Seguindo as pisadas de Surtees, Hailwood não conseguiu repetir o sucesso do seu compatriota. Conhecido como ‘Mike The Bike’ pelas suas capacidades inatas de pilotagem, Hailwood já ganhava corridas aos 18 anos e aos 21 anos conseguiu ganhar o Isle of Man TT em três categorias diferentes no mesmo ano. Também correu na Fórmula 1, mas ao contrário de Surtees, que o apadrinhou na sua carreira nas quatro rodas, nunca ganhou corridas, embora tenha sido campeão europeu de Fórmula 2.
FIA FÓRMULA 2 1972
MOTOCICLISMO 500CC 1962, 1963, 1964, 1965

TRAVIS PASTRANA
À medida que o motociclismo foi ganhando popularidade a um nível concorrencial à Fórmula 1, houve pilotos de motos que passaram a dedicar-se quase exclusivamente às quatro rodas. Casos como Jeff Ward, Wayne Gardner ou Didier de Radigues, que passaram para os automóveis durante a década de 90, foram cada vez mais raros. No entanto, recentemente, o americano Travis Pastrana experimentou trocar de modalidades. Antigo campeão de motocross, Pastrana, que ganhou fama a fazer freestyle nos X-Games, vê-se a si próprio mais como um desportista radical do que um piloto de motos ou de automóveis, por isso correr em ralis (e ganhar quatro títulos nacionais americanos) é apenas uma extensão das suas capacidades para pilotar nos limites, sejam eles quais forem. Hoje em dia é o novo homem das ‘gincanas’. Os europeus podem olhar para ele com outros olhos, mas nos EUA tem uma legião de fãs incrível…
AMA MOTOCROSS 2000
AMA SUPERCROSS 2001
RALLY AMERICA 2006, 2007, 2008, 2009)