No anúncio do calendário da Fórmula 1 para 2024, composto por 24 corridas agendadas entre 5 de março e 26 de novembro, o responsável máximo da competição, Stefano Domenicali, disse que a “Fórmula 1 tem uma procura sem precedentes para acolherem corridas e é importante que consigamos o equilíbrio certo”. Trata-se de tentar “equilibrar” a procura, que acreditamos seja maior do que anteriormente, as receitas dos contratos assinados, o aspeto desportivo, os gastos das equipas e, mesmo assim, passar a imagem de sustentabilidade ambiental. Mas terá sido atingido o tal “equilíbrio”?
São 24 corridas agendadas para um espaço de 8 meses, mantendo a pausa de verão tal como aconteceu este ano. Sabendo-se de antemão que se iria atingir um marco histórico com o maior calendários de provas do mundial, Stefano Domenicali tinha “prometido” agrupar os Grandes Prémios por regiões com o objetivo de melhorar a sustentabilidade e reduzir as viagens, poupando assim nos custos das equipas com os transportes que têm vindo a aumentar. Em maio, o responsável da Red Bull, Christian Horner, apoiou os planos para a Fórmula 1 agrupar uma série de provas que se realizassem no mesmo espaço geográfico, afirmando fazer “sentido combinar algumas corridas, seja na América, Ásia ou Europa”.
Houve de facto essa tentativa, mas saltam à vista os GP de Miami e do Canadá que obrigam a viagens entre a Europa e a América do Norte em maio e junho. Interrompe-se a jornada europeia, obrigando a viagens entre os dois continentes. Em Miami os promotores locais têm que gerir a Fórmula 1 com os outros eventos no estádio contíguo ao circuito e fizeram sempre questão que a corrida fosse em maio.
Também nos Estados Unidos da América, para a estreia de Las Vegas, todo o paddock tem de viajar entre o Brasil para regressar àquele país.
Idealmente, também as viagens dentro da Europa poderiam ser economizadas. Da Áustria, por exemplo, viajam para Inglaterra e depois de volta para o sul do continente até a Hungria, e de lá novamente mais para norte, para a Bélgica.
Tudo isto durante 24 corridas. É óbvio que qualquer fã de automobilismo e da Fórmula 1 em particular, gostava de ver corridas todos os fins de semana. Mas para todos os que trabalham na Fórmula 1 terão um ano preenchido, não parecendo que daqui para a frente se torne diferente. Terá de ser como Franz Tost disse antes e “se alguém não gosta, então deve sair”?











