Nos últimos dias têm-se intensificado os rumores de uma possível saída de Mattia Binotto da liderança da Ferrari. O coro de críticas ao chefe da Scuderia nunca baixou de tom, apesar da evolução da equipa ao longo do tempo e a saída parece ganhar cada vez mais força.
Mattia Binotto assumiu a liderança da Ferrari depois da saída de Maurizio Arrivabene. O antigo chefe da Scuderia não era um homem unânime, dentro e fora da equipa, enquanto Binotto tinha conquistado o respeito de todos graças ao seu excelente trabalho como responsável das unidades motrizes italianas e depois como diretor técnico da equipa.
Para uns, a promoção de Binotto a diretor da equipa era um erro, retirando-o de onde ele era realmente forte (parte técnica) e atirando-o para um mundo onde os jogos políticos e de bastidores são importantes. Para outros era a solução certa para o cargo, um homem da casa, que conhece todos os processos e respeitados por todos.
O reinado de Binotto tem sido feito de altos e baixos. 2017,2018 e 2019 foram anos em que a Ferrari mostrou potencial para chegar perto da Mercedes com carros competitivos. Mas a Ferrari errou em momentos chave que não permitiram levar a Scuderia a discutir o título até ao fim. Em 2019, quando assumiu a liderança da equipa foi logo confrontado com a polémica da unidade motriz, que a FIA sabia que tinha um truque para lá da legalidade, mas que nunca conseguiu encontrar como o truque funcionava. Foi feito um acordo em que a Scuderia deixava de usar o truque, sem consequências, algo que outras equipas não concordaram. Em 2020 a Ferrari pagou a fatura de ver o seu truque anulado e caiu na classificação, com um dos piores anos de sempre da equipa. Recuperou em 2021 e em 2022 voltou a mostrar-se como uma potencial candidata ao título. Faltou novamente uma época isenta de erros graves para permitir à equipa lutar com a Red Bull até ao fim.
Qual o papel de Binotto nisto tudo? O chefe da equipa foi o cimento que manteve a equipa unida em 2020. Foi ele que tratou de organizar a estrutura de forma a que estivesse pronta em 2022 para apresentar um carro capaz de lutar por vitórias e por títulos. Mas faltou o que faltara nos anos anteriores. Decisões desportivas e estratégicas capazes. Os erros sucederam-se e as fraquezas do passado aparentemente mantiveram-se.
Em resumo, Binotto fez um bom trabalho e a Ferrari melhorou desde que assumiu a liderança. Mas manteve erros do passado, erros que custaram caro e que afastaram a equipa do sucesso. Binotto trouxe estabilidade, assumiu a pressão que antes era passada para a equipa, mas não encontrou a fórmula para minimizar os erros. Para uns, era um líder fraco, que não se impunha, para outros era a voz da calma e da razão que evitou uma crise mais grave em 2020.
Será que a potencial saída de Binotto é boa para a Ferrari? É a pergunta para o milhão. Para uns será a resposta adequada a mais uma época desapontante, para outros será o regresso à instabilidade que tanto custou à equipa. Qual a sua opinião?











