Os primeiros dias de testes no Bahrein têm‑nos dado as primeiras verdadeiras sensações desta nova era da F1 e um dos pormenores que mais se tem realçado nestes dois dias é a quantidade de travagens “queimadas”, com os pilotos a bloquearem as rodas nas travagens mais fortes. Isso é um sinal de que os pilotos estão ainda a tentar deslindar como vão resolver o desafio da travagem em 2026.
Os novos monolugares vão exigir um estilo de condução completamente diferente por parte dos pilotos. O menor apoio aerodinâmico, a maior exigência de gestão da energia das unidades motrizes e a necessidade de usar rotações mais altas são, por si só, fatores que poderão dar dores de cabeça aos pilotos. Mas há um pormenor que tem sido realçado nestes dois dias de testes no Bahrein: a travagem.
Clocking up the laps, collecting valuable data 🧑💻#F1 #F1Testing pic.twitter.com/DFDj6fWDRe
— Formula 1 (@F1) February 12, 2026
Uma travagem em que se bloqueiam as rodas é uma travagem onde se perde tempo precioso. Este ano, porém, a probabilidade de vermos mais erros na travagem é muito superior. Porquê? Um dos motivos deve-se às unidades motrizes. A responsabilidade da gestão da energia é agora colocada com mais ênfase nos pilotos. A capacidade de regenerar energia, graças ao lift and coast ou pelo uso de rotações mais elevadas (truque que algumas equipas, como Red Bull e Audi, têm estado a ensaiar), vai ser fundamental para depois usar essa energia para atacar ou defender. Como os pilotos vão ter liberdade para usar a energia em pontos diferentes, dependendo da situação em que se encontram (ataque ou defesa), significa que todas as voltas vão ser um pouco diferentes.
Ou seja, um piloto que chega a uma determinada curva a 240 km/h poderá chegar mais rápido ou mais lento a essa mesma curva, dependendo do que aconteceu na volta. Se um piloto que usou o boost para ultrapassar, poderá chegar a uma curva mais lento, mas pode chegar a uma velocidade superior ao que espera se conseguiu uma boa regeneração, por exemplo. Isso faz com que as referências e os pontos de travagem se tornem muito fluídos. Os pilotos já não poderão fazer aquelas voltas “metronómicas” em que os pontos de travagem eram sempre os mesmos. Nesta era isso deixou de existir, pois basta um pequeno erro, uma luta mais acesa, uma necessidade de regeneração maior, ou menor para alterar a volta. Há quem diga que os pilotos não vão ter duas voltas iguais. Talvez seja um exagero, mas ilustra bem a realidade que terão de enfrentar no arranque desta nova era.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA










