Os pilotos de Fórmula 1 e a generalidade dos especialistas têm falado muito nas corridas aborrecidas na pista do Mónaco e do que poderia ser feito para que as corridas permitissem mais ultrapassagens.
Não é um tema fácil.
A natureza estreita e sinuosa da pista torna extremamente difícil para os pilotos conseguirem ultrapassar durante a corrida e até conseguir tempos nas várias sessões de treinos e nas três fases da qualificação é complicado.
No GP de Mónaco de 2021, por exemplo, não houve nenhuma ultrapassagem na pista após a primeira volta, quase sempre, para não dizer sempre o Circuito de Mónaco é o último no ranking de ultrapassagens da temporada de F1. Todos sabemos isso há muito…
Apesar disso, o GP de Mónaco é considerado um evento especial e intemporal no calendário da F1. Muitos adeptos e pilotos adoram a corrida devido à sua história e desafios únicos.
Mas cada vez mais, a comunidade da F1 argumenta que talvez comece a ser tempo de tirar o GP de Mónaco do calendário da F1 se não puderem ser feitas melhorias para tornar as corridas mais emocionantes.
Algumas sugestões para melhorar as corridas passam por alterar o traçado da pista para permitir mais ultrapassagens, mas essas alterações são muito complicadas, mas mesmo muito.
Para além disso, qualquer mudança teria que preservar o caráter único e desafiador da corrida.
No The-Race, Gary Anderson, que já foi cronista do AutoSport na década de 2000, deu a sua visão quanto ao que acha poder-se fazer no Mónaco: antes da direita de entrada no túnel, há uma estrada, que logo após uma direita esquerda entra numa longa reta que vai até à praia do Larvotto, até ao Beach Plaza Hotel e o antigo projetista e agora comentador, sugere que se possa trabalhar aí, fazendo uma ‘rotunda’ antes do Hotel. seria uma reta para lá, outra para cá até à entrada do túnel…
Isso faria com que passasse a existir uma reta de mais de 1,4 Km do Hotel à saída do túnel, mas para isso ser possível há muitos problemas a resolver. A escapatória da saída do túnel é mínima, e a Avenida Princesa Grace, que seria a parte nova, só tem uma faixa para cada lado e tinha que ser alargada para ter quatro faixas, duas para um lado, outras duas para o outro, e tinha que se destruir toda a parte central e provavelmente alargar a zona do passeio bem mais.
Basicamente trocar o ver do jardim da faixa central por asfalto, só para ser utilizado duas vezes por ano em competições. Mas resolveria boa parte das crises da F1 e a pista seria um pouco maior sem ser muito desvirtuada. A curva que seria necessária na nova rotunda junto ao hotel seria nada menos nada mais que a mesma coisa do atual Hotel Fairmont Monte Carlo. Se já existe um gancho, porque não dois?
Os custos de fazer o que seria necessário não seriam grandes, pois é mais destruir do que construir e o problema da F1 seria resolvido. Nos últimos 20 anos no Mónaco, quem partiu à frente venceu 14 vezes.
Queremos tentar fazer alguma coisa ou como disse Max Verstappen: “para a próxima trago a almofada…”
Exatamente o mesmo que muitos de nós a ver a corrida…
No final, a decisão de manter ou não o GP do Mónaco no calendário da F1 dependerá de um equilíbrio entre a tradição e a necessidade de corridas mais emocionantes e competitivas. Mas é claro que algo precisa ser feito para tornar as corridas no Mónaco menos de uma ‘procissão’…
FOTO Phillipe Nanchino/MPSA









