A Fórmula 1 tem atualmente capacidade financeira para acolher mais equipas do que aquelas que cabem na grelha, defende Claire Williams, antiga diretora-adjunta da Williams. A britânica considera que o crescimento económico recente do campeonato mudou radicalmente o contexto que, no passado, levou as equipas a resistirem à entrada de novos concorrentes.
Claire Williams viveu tempos difíceis na Williams, com o peso da falta de fundos a arrastar a equipa para a cauda do pelotão, antes da saída da família Williams para a entrada da Dorilton Capital. Entretanto, a F1 é agora muito diferente e a grelha até aumentou, com a entrada de mais uma equipa.
O ingresso da Cadillac como 11.ª equipa só foi possível após longas negociações e o pagamento de uma taxa anti-diluição, destinada a compensar a divisão do prémio monetário pelas formações já estabelecidas. Inicialmente, a Formula One Management recusou a candidatura, temendo o impacto financeiro para as equipas existentes.
No entanto, segundo Williams, o cenário atual é substancialmente diferente daquele que existia há uma década. As equipas dispõem hoje de receitas muito superiores, tanto provenientes da distribuição comercial como de patrocínios, o que tornaria financeiramente viável a presença de mais estruturas na grelha — ainda que admita que os chefes de equipa dificilmente aceitariam essa partilha.
A antiga responsável recorda que, entre 2016 e 2020, os valores de patrocínio eram significativamente mais baixos, tornando difícil sustentar orçamentos competitivos. Atualmente, os contratos de patrocinador principal atingem montantes várias vezes superiores aos praticados nesse período.
Claire Williams afirmou ao Business of Sport:
“Lembro-me de estarmos sentados à mesa no Strategy Group quando outra equipa queria entrar e pensarmos que o bolo já era pequeno. Cada um poderia perder 10 ou 15 milhões e isso não parecia justo. Hoje, uma equipa tem facilmente 10 ou 15 milhões esquecidos no fundo do sofá. Não é algo que a preocupe. Há dinheiro suficiente na Fórmula 1 para acomodar uma 11.ª equipa. Provavelmente há dinheiro suficiente para 15 equipas, mas todos os chefes de equipa iriam rejeitar porque não querem partilhar”.
Sobre o processo que levou à aprovação da Cadillac, observou:
“Para essa 11.ª equipa entrar foi preciso um enorme esforço de negociação. Não é nada garantido. A Fórmula 1 é suficientemente inteligente para se proteger de exageros. No final do meu tempo, havia patrocínios principais fechados por oito ou nove milhões. Não se consegue gerir uma equipa assim. Hoje, os títulos estão a ser vendidos por 80 ou 90 milhões. Antes eram os patrocinadores que ditavam o preço, agora são as equipas que o fazem”.









