Como é a convivência entre equipas, especialmente as que usam as mesmas infraestruturas? Muito simples: não existe. A F1 é um mundo de secretismo e de regulamentos apertados que não permitem qualquer tipo de contacto para lá dos regulamentados. No caso da Mercedes e da Aston Martin isso é levado ao extremo.
Desde 2019 que a Racing Point, que acabou por se transformar em Aston Martin, usa o túnel de vento da Mercedes. Curiosamente, em 2020 deu-se a polémica do Mercedes cor de rosa, na época seguinte à Racing Point ter começado a usar o túnel da Mercedes em Brackley. Mas a convivência entre as duas equipas é nula. O diretor de performance da Aston Martin, Tom McCullough, explicou que medidas são tomadas para evitar qualquer contacto entre membros das duas equipas e algumas delas são extremas.
“A FIA é muito rigorosa e faz muitas inspecções e todas essas coisas. Dominic Harlow [chefe da auditoria técnica da F1 para o organismo governamental] vem e visita as equipas. Mas para nós, com a Mercedes, é absolutamente fechado para uma e aberto para a outra. Portas de acesso diferentes, pessoas diferentes a dirigir as sessões. Por isso, penso que, do ponto de vista da confidencialidade, é óbvio que a relação que temos com a Mercedes é muito sólida desse lado. A FIA, esse é o seu trabalho para policiar tudo isso.”
O túnel de vento da Mercedes fica situado perto da entrada do Campus e os engenheiros da Aston Martin apenas têm acesso a essa área. Nos dias em que a Aston está a testar os seus modelos, a Mercedes não testa, como é óbvio. O trabalho da Mercedes é desenvolvido maioriátriamente durante a semana enquanto o da Aston Martin acontece mais ao fim de semana. O acesso é muito restrito e há corredores que vão do túnel de vento aos outros edifícios que estão fechados aos engenheiros da Aston Martin.
No caso da Red Bull e da Alpha Tauri, também um caso em que ambas usam o mesmo túnel de vento, a relação é um pouco diferente. A Mercedes fornece componentes à Aston Martin, como a unidade motriz, por exemplo, mas no caso da Red Bull e da sua “equipa B” a partilha de componentes é feita ao máximo que os regulamentos permitem. Mas mesmo essa partilha é policiada de muito perto pela FIA e pelas restantes equipas que vão estar atentas e apontar potenciais partilhas para lá do permitido.
Abordando a relação entre as equipas da Red Bull, McCullough disse: “Obviamente, os regulamentos mudaram ao longo dos anos. Da forma como estão neste momento, talvez como dupla de equipas, não tenham explorado isso tanto quanto os regulamentos permitem. A FIA pode pedir para ver tudo. Temos de ser totalmente transparentes quando a FIA vem cá e inspecciona. Eles fazem muitas inspecções. Tenho a certeza que vão andar em cima daquilo [dinâmica AlphaTauri-Red Bull] porque tenho a certeza que as pessoas estão a olhar para ela. Por fora, parece que a [AlphaTauri] fez a sua própria filosofia de desenvolvimento aerodinâmico. De qualquer forma, há muita convergência a acontecer. Talvez estejam a optar por “comprar tudo o que é possível fazer dentro dos regulamentos” [caixa de velocidades, suspensão dianteira e traseira] e depois desenvolver uma filosofia. Estão a utilizar o mesmo túnel de vento; provavelmente vão utilizar o mesmo material CFD. Portanto, há uma hipótese de que, se for semelhante, possam começar a trabalhar com ele e torná-lo mais competitivo.”











